Transtornos Alimentares - Geral

O que e quais são os transtornos alimentares e que são suas maiores vítimas.
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Ninguém se assusta quando ouve uma adolescente magricela recusar uma mordida no sanduíche da amiga dizendo estar de regime. O uso indiscriminado de inibidores de apetite, geralmente anfetaminas, tampouco gera reprimendas mais intensas (Jornal do Brasil, 14 de outubro de 2001).  Esses comportamentos, porém, podem ser um sinal de alerta para um problema mundial que atinge 1% da população feminina entre 18 e 40 anos e pode levar à morte, mas que só agora começa a receber a atenção devida no Brasil.

Os Transtornos Alimentares constituem uma verdadeira "epidemia" que assola sociedades industrializadas e desenvolvidas acometendo, sobretudo, adolescentes e adultos jovens. Quais serão os sintomas dessa epidemia emocional?

De um modo geral, o pensamento falho e doentio das pessoas portadoras dessas patologias se caracteriza por uma obsessão pela perfeição do corpo. Na realidade, trata-se de uma "epidemia de culto ao corpo" que se multiplica em uma população patologicamente preocupada com a estética corporal e afetada por alterações psíquicas relacionadas ao esquema corporal. É assim que os Transtornos Alimentares vêem aumentando sua incidência perigosamente e já começa a alarmar especialistas médicos, sociólogos, autoridades sanitárias.

A busca obsessiva da perfeição do corpo tem várias formas de se manifestar e algumas delas diferem notavelmente entre si. Existem os Transtornos Alimentares mais tradicionais, que são a Anorexia e Bulimia mas, não obstante, existem outros quadros que se estimulam e desenvolvem na denominada "cultura do esbelto".

Os portadores da doença também desenvolvem uma obsessão pela forma física e distorcem a auto-imagem a tal ponto que se sentem gordos mesmo estando com 38 kg. O resultado é a paulatina deterioração física e mental, inicialmente com sintomas leves, tais como queda dos cabelos, até complicações cardiovasculares, renais e endócrinas tão graves que podem levar a morte.

 Os professores e os pais devem ter noção dos fatores de risco da Anorexia Nervosa e da Bulimia. Vejamos alguns fatores de risco que devem nortear uma hipótese de diagnóstico :

 Transtorno Alimentar

 - Meninas adolescentes e adultas jovens de classe média e média-alta;
- Meninas que aspiraram trabalhar em atividades que enfatizam o estado de magreza do corpo (atores, modelos, bailarinas e desportistas);
- Ex-gordas ou com excesso de peso que se tornam obsessivas por práticas freqüente de dietas;
- História familiar de transtorno obsessivo-compulsivo;
- Baixa Auto-estima;
- Expectativa de grandes desempenhos (feitos);

- Perfeccionismo, insegurança no relacionamento social;

- Dificuldade em identificar e expressar sentimentos.

Também podem ser traços característicos da personalidade inclinada à Anorexia Nervosa uma preocupação e cautela em excesso, medo de mudanças, hipersensibilidade e gosto pela ordem. Como se vê, são traços compatíveis com o Espectro Obsessivo-Compulsivo.

Para inclinação à Bulimia os traços característicos da personalidade seriam a impulsividade, desorganização, preferência pelo novo, fácil desmotivação, extroversão, preocupação com modismos.

Essa patologia, é significativamente agravada pela valorização desmedida que algumas culturas modernas emprestam à estética corporal, sugerindo à pessoas mais vulneráveis que seria praticamente impossível conciliar a felicidade com uma discreta "barriguinha". m países desenvolvidos, 93% das mulheres e 82 % dos homens entrevistados estão preocupados com sua aparência e trabalham para melhorá-la. De um modo geral, desejar ter uma imagem corporal melhor não implica sofrer de algum transtorno emocional, obviamente. Entretanto, desejar ardentemente ter uma imagem corporal perfeita aumenta muito as possibilidades de que apareça algum transtorno emocional.

 Relação anorexia-bulimia
Há características comuns à Anorexia e à Bulimia, e existem também traços diferentes entre elas.

É na adolescência, quando a personalidade ainda não está plenamente configurada, que este tipo de obsessão se converte num pesadelo, agravado pelos modelos de perfeição e beleza que os meios de comunicação enfáticamente transmitem. Os jovens se sentem na obrigação de ter corpos perfeitos, extremamente "saudáveis", ainda que para tal se sacrifique a saúde e o bem estar.

Que são os Transtornos Alimentares?
Os Transtornos Alimentares são definidos como desvios do comportamento alimentar que podem levar ao emagrecimento extremo (caquexia) ou à obesidade, entre outros problemas físicos e incapacidades.

Os principais tipos de Transtornos Alimentares são a Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa. Essas duas patologias são intimamente relacionadas por representarem alguns sintomas em comum: uma idéia prevalente envolvendo a preocupação excessiva com o peso, uma representação alterada da forma corporal e um medo patológico de engordar. Em ambos os quadros os pacientes estabelecem um julgamento de si mesmos indevidamente baseado na forma física, a qual freqüentemente percebem de forma distorcida.

O impacto que os Transtornos Alimentares exercem sobre as mulheres é mais prevalente, ainda que a incidência masculina esteja aumentando assustadoramente. A Vigorexia, por exemplo, tem sido predominante nos homens, mas já se estão detectando casos de mulheres obcecadas pelo músculo. Já os Transtornos Dismórficos acometem igualmente ambos sexos. 

Em uma combinação quase fisiológica entre a aspiração de ser admirada, tornar-se famosa, ficar rica e ter sucesso (nessa ordem), estimuladas ainda por profissionais da moda de gosto anatômico extremamente duvidoso, mocinhas deixam-se abater totalmente pela inanição.... e recebem aplausos por isso.

Nessa circunstância os pais não percebem que algo está errado, a paciente dissimula e minimiza essa penúria orgânica e seu delírio dá-lhe a certeza de que é mais bonita que as outras.

Anorexia e a Moda

 HISTÓRICO
Segundo Cordas (2004), Habermas (1986, 89) descreveu um caso pioneiro altamente sugestivo de Anorexia Nervosa em uma serva que viveu no ano de 895. A jovem Friderada, após apresentar um apetite voraz e descontrolado, para tentar diminuí-lo, buscou refúgio em um convento e nele, com o tempo, foi restringindo sua dieta ate passar a efetuar longos jejuns. Embora inicialmente ainda conseguisse manter suas obrigações conventuais, rapidamente seu quadro foi se deteriorando até a sua morte, por desnutrição.

No ano de 1694, Richard Morton (Pearce, 2004) é o primeiro a relatar a Anorexia Nervosa, descrevendo o tratamento de uma jovem mulher com recusa em alimentar-se e ausência de ciclos menstruais, que acabou morrendo de inanição com suas faculdades mentais básicas preservadas.

Em 1873, o francês Charles Laségue, descreve a anorexia nervosa como uma doença autônoma denominada por ele de anorexie histérique e, descrevia o transtorno da seguinte maneira: “forma peculiar de doença que afeta principalmente mulheres jovens e caracteriza-se por emagrecimento extremo...” cuja “falta de apetite é ...decorrente de um estado mental mórbido e não a qualquer disfunção gástrica...” (Cordás e Claudino, 2002).

Mas foi William Gull quem utilizou pela primeira vez a expressão "anorexia nervosa" em uma conferencia dada em Oxford (Gull, 1874):  "forma peculiar de doença que afeta principalmente mulheres jovens e caracteriza-se por emagrecimento extremo” cuja “falta de apetite é decorrente de um estado mental mórbido e não a qualquer disfunção gástrica". Gull descartou a possibilidade que uma enfermidade orgânica justificasse a anorexia.

Na mesma época e de maneira quase simultânea, se produziu a descrição da doença por Laségue (1873), qualificando-a de inanição histérica e considerando-a, da mesma forma que Gull, uma doença psicogêna (Toro,1996). No final do  século  XIX, em 1893, Freud descreveu um caso de anorexia tratado com hipnose, um ano mais tarde descreveu a doença como uma psiconeurose de defesa, ou neurose da alimentação com melancolia . Em 1874, William Gull descreve três meninas com quadro anoréxico restritivo denominando-o de apepsia histérica. Charcot detectou, por volta de 1889, que a idée fixe d obesité ou fobia de peso seria o elemento psicopatológico central que motivava as a anorexia em mulheres. A antiga idéia de Charcot é corroborada por Crisp, em 1980, que considerou a anorexia nervosa como um estado de fobia de peso.

Em 1903, Pierre Janet relata um caso de uma moça de 22 anos, que apresentava repulsa e vergonha de seu corpo com constante desejo de emagrecer, quadro que denominou de anorexie mental. O autor relacionou a busca intensa da magreza à necessidade de protelar a maturidade sexual e sugeriu dois subtipos psicopatológicos, obsessivo e histérico.

Foi em 1973 que Hilde Bruch propôs a psicopatologia central da anorexia nervosa estribada em três áreas de perturbação do funcionamento psíquico:
1. - transtornos da imagem corporal;
2.-  transtornos na percepção ou interpretação de estímulos corporais, como por exemplo reconhecimento da fome e;
3. - uma sensação paralisante de ineficiência que invade todo o pensamento e atividades da paciente. 

 Dismorfofobia

Todos estes Transtornos Alimentares compartilham alguns sintomas em comum, tais como, desejar uma imagem corporal perfeita, em igual proporção entre a Anorexia e a Bulimia; e perceber uma distorção da realidade diante do espelho, predominantemente na Anorexia. Um agravante é que, nas últimas décadas, ser fisicamente perfeito tem se convertido num dos objetivos principais (e estupidamente frívolos) das sociedades desenvolvidas. É uma meta imposta por novos modelos de vida, nos quais o aspecto físico parece ser o único sinônimo válido de êxito, felicidade e, inclusive, saúde.

Aspectos neurológicos e sócio-culturais dos Transtornos Alimentares
Vários estudos epidemiológicos demonstram um aumento na incidência de alguns dos Transtornos Alimentares (Hsu, 1996) concomitante à evolução do padrão de beleza feminino em direção a um corpo cada vez mais magro (Garner & Garfinkel, 1980), notadamente da Anorexia e da Bulimia nervosas. A Anorexia e a Bulimia parecem ser mais prevalentes em países ocidentais e são claramente mais freqüentes entre mulheres jovens, especialmente aquelas pertencentes aos estratos sociais mais elevados destas sociedades, o que fortalece sua conexão com fatores sócio-culturais.

É por isso que alguns pesquisadores entendem os Transtornos Alimentares como síndromes ligadas à cultura. As síndromes ligadas à cultura são constelações de sinais e sintomas que se restringem a determinadas culturas em função das características peculiares das mesmas.

De acordo com esta concepção, a pressão cultural para emagrecer é considerada um elemento fundamental da etiologia desses transtornos, os quais, juntamente com fatores biológicos, psicológicos e familiares acabam gerando uma preocupação excessiva com o corpo, um medo anormal de engordar e uma ansiedade marcantemente acompanhada de alterações do esquema corporal. Essas são, pois, as características da Bulimia e da Anorexia.

Em nível pessoal e neurológico, as condutas de alimentação estão normalmente reguladas por mecanismos automáticos no Sistema Nervoso Central (SNC). A sensação de fome tem origem dupla; tanto em estímulos metabólicos, quanto em receptores periféricos situados na boca e no tubo digestivo. Induz-se a sensação de apetite, que desencadeia conduta de alimentação. A sensação de saciedade faz cessar estímulos da fome e se detém o processo. As pessoas normais apresentam algumas reações adaptadas aos estímulos de fome e de sede, com respostas corretas para a saciedade.

Há tempos se sabe ser o hipotálamo o local onde se situam os centros da fome e da saciedade mas, será no córtex cerebral o local onde se desenvolvem mecanismos mais complexos relacionados à alimentação.

Embora o processo da alimentação (fome, sede, saciedade) possa parecer fisiologicamente automático e elementar, como dissemos, eles não ocorrem apenas nos elementos neurobiológicos que regulam a conduta alimentar. Eles também estão vinculados à experiências vivenciais prévias. Portanto, existem outros mecanismos mais complexos e relacionados com nossas experiências psicológicas (sentimentos de segurança, bem estar e afeto que se experimentam a através do peito materno na lactação, antecedentes pessoais de carência extrema, etc.) regulando o processo da alimentação.

Também se relacionam ao ato de comer, nossas experiências sociais, tomando-se por base o fato de que o ato de comer tenha um aspecto eminentemente social e cultural. Normalmente as características dos alimentos definem os diferentes grupos culturais. Assim, culturalmente se diz "dieta mediterrânea, comida americana, italiana, indiana..., pratos típicos, menus tradicionais...., etc". Dessa forma, o ato de comer sempre foi e continua sendo um fenômeno de comunicação social. Através da comida o grupo social se sente reúne e se identifica, de tal forma que na maioria dos atos sociais a comida ocupa um lugar de destaque.

Devido a esses múltiplos aspectos atrelados ao comensalismo, existem muitas possibilidades de que o processo natural de alimentar-se varie no tempo e na cultura. Em algumas ocasiões a causa dos Transtornos Alimentares pode ser física, decorrente de doenças que dificultam o processo da alimentação ou alteram o aproveitamento normal dos alimentos, outras vezes, entretanto, o processo da alimentação pode alterar-se por fatores sociais, tais como a religião, cultura, status, moda etc...

Alterações Cerebrais e Transtornos Alimentares
Os pacientes com Anorexia Pura têm muitos aspectos clínicos comuns com os pacientes portadores de Bulimia, principalmente da Bulimia do tipo restritivo (de ingestão alimentar restrita). Alguns desses aspectos clínicos comuns às duas patologias seriam, por exemplo, a distorção da imagem corporal, alterações na percepção das sensações internas, fobia do ganho de peso, preocupação em manter um peso de corpo subnormal.

Estudos com tomografia por emissão de pósitrom (SPECT) mostraram haver um hipometabolismo (metabolismo abaixo do normal) em determinada região cerebral, mais precisamente na área frontal e parietal nos pacientes com Anorexia Nervosa (Tetsuro Naruo).

Esses estudos funcionais cerebrais têm mostrado que estímulos visuais de alimentos de alto teor calórico aumentam o fluxo sangüíneo cerebral regional no do giro do cíngulo, nas áreas para-límbicas de pacientes com Anorexia Nervosa. Os pacientes selecionados por Tetsuro Neruo foram divididos em três grupos: aqueles com Anorexia Nervosa, outros com com Bulimia e voluntários saudáveis. Todas as imagens foram submetidas à comparação com o espaço anatômico padrão do cérebro e alisadas a seguir. Após a análise estatística de cada imagem do cérebro, os relacionamentos entre imagens foram avaliados.

Esta análise das imagens do SPECT revelou que o fluxo do sangue da área frontal, principalmente na região do giro do cíngulo (bilateralmente), esteve diminuído significativamente no grupo de pacientes com Anorexia Nervosa, quando comparado com o grupo portador de Bulimia e com o grupo dos saudáveis.

 Trabalho de Naruo* e cols. com 7 pacientes com Anorexia Restritiva e 7 com Anorexia Bulímica em 2001

 Anorexia-SPECT1

Fig.1 - A estatística paramétrica e mapeamento de áreas de diminuição do fluxo sanguíneo na Anorexia Nervosa Restritiva. A diminuiu do fluxo sanguíneo é bilateral e anterior, na região do Giro Cingulado (Zona 24 de Brodmann"s) e em partes das regiões frontais (partes das zonas 8, 9,10 e 32), quando comparados com os controles saudáveis. (P <0,001, medida = 550)

*- Naruo T, Nakabeppu Y, Deguchi D, Nagai N, Tsutsui J, Nakajo M, Nozoe SI - Decreases in blood perfusion of the anterior cingulate gyri in Anorexia Nervosa Restricters assessed by SPECT image analysis, BMC Psychiatry 2001, 1:2

Tais achados sugerem, possivelmente, a existência de alguma alteração funcional cerebral relevante na psicopatologia da Anorexia Nervosa. Entretanto, os trabalhos de Tetsuro Naruo mostraram também, que os pacientes com Bulimia podem apresentar uma ativação específica em determinadas regiões corticais anteriores, notadamente no hemisfério cerebral direito, quando estimulados com alimentos calóricos.

Vejamos alguns exemplos de outros Transtornos Alimentares.

1. - Anorexia Nervosa
A Anorexia Nervosa é um transtorno emocional que consiste numa perda de peso derivada e num intenso temor da obesidade. Esses sentimentos têm como conseqüência uma serie de condutas anômalas. A Anorexia Nervosa acomete preferentemente a mulheres jovens entre 14 e 18 anos.

Os sintomas mais freqüentes da Anorexia Nervosa são:

1.Medo intenso a ganhar peso, mantendo-o abaixo do valor mínimo normal.
2. pouca ingestão de alimentos ou dietas severas;
imagem corporal distorcida .
3. Sensação de estar gorda quando se está magra;
grande perda de peso (freqüentemente em um período breve de tempo)
4. Sentimento de culpa ou depreciação por ter comido
5. Hiperatividade e exercício físico excessivo
6. Perda da menstruação
7. Excessiva sensibilidade ao frio
8. Mudanças no caráter (irritabilidade, tristeza, insônia, etc.)

2. - Bulimia Nervosa
A Bulimia Nervosa é um transtorno mental que se caracteriza por episódios repetidos de ingestão excessiva de alimentos num curto espaço de tempo (as crises bulímicas), seguido por uma preocupação exagerada sobre o controle do peso corporal, preocupação esta que leva a pessoa a adotar condutas inadequadas e perigosas para sua saúde. A Bulimia Nervosa também acomete preferentemente a mulheres jovens ainda que algo maiores que em Anorexia.

Os sintomas mais freqüentes da Bulimia Nervosa são:

- Comer compulsivamente em forma ataques de fome e as escondidas,
- Preocupação constante em torno da comida e do peso,
- Condutas inapropiadas para compensar a ingestão excessiva com o fim de não ganhar peso, tais como o uso excessivo de fármacos, laxantes, diuréticos e vômitos auto-provocados.
- Manutenção do peso pode ser normal ou mesmo elevado,
- Erosão do esmalte dentário, podendo levar à perda dos dentes,
- Mudanças no estado emocional, tais como depressão, tristeza, sentimentos de culpa e ódio para si mesma.

3. - Síndrome do Gourmet
As pessoas que sofrem dessa síndrome vivem preocupadas (mais que o normal) com a preparação, compra, apresentação e ingestão de pratos especiais, diferentes e e/ou exóticos. Podem continuar com esse tipo de preocupação e atividade, muito embora tenham perdido o interesse nas suas relações sociais, familiares e ocupacionais.

Acredita-se que tal alteração possa ser conseqüência de lesões ou alterações funcionais no hemisfério cerebral direito, tais como tumores, traumatismos, hemiplegia, etc.

4. - Transtorno Alimentar Noturno
É grande a incidência - de 1 a 3% da população – das pessoas que se levantam a comer pela noite, ainda que continuam dormidos. Em grande número das vezes essas pessoas não são conscientes do que fazem e não lembram de nada ao despertar. Quando lhes contam o que fizeram, negam contundentemente. A despeito desse "assaltos" noturnos à cozinha, a maioria desses pacientes faz regime durante o dia. Também ocorre em alcoolistas, drogadictos e pessoas com transtornos do sono.

Os pacientes com Síndrome do Comer Noturno geralmente comem mais de 55% das calorias totais de um dia entre 8h e 6h da manhã. Eles podem acordar várias vezes durante a noite só para comer e, concomitantemente, apresentam uma piora do humor durante a noite.

Normalmente a Síndrome do Comer Noturno não é uma patologia única, mas sim uma combinação de um transtorno alimentar, um transtorno do sono e um transtorno do humor. Embora não exista um tratamento específico, alguns medicamentos podem ser utilizados para ajudar no controle do comer noturno e nos sintomas depressivos que podem estar presentes.

5. - Pica
As pessoas com este transtorno se sentem impulsionadas a ingerir sustâncias não comestíveis: sabonete, argila, gesso, casquinhas de pintura, alumínio, cera, tijolo, etc. Trata-se de uma condição rara onde existe apetite por coisas ou substâncias não alimentares, como por exemplo, terra, moedas, carvão, sabonete, giz, tecido, etc. ou uma vontade anormal de ingerir produtos considerados ingredientes de alimentos, como diferentes tipos de farinha,  batatas cruas, milho, mandioca, etc.

Para o diagnóstico de Pica esse fenômeno precisa persistir pelo menos por um mês. O nome pica vem do latim e significa pega, um pássaro do hemisfério norte renomado por comer quase de tudo que encontrar por sua frente. Pica pode ser observada em todas as idades mas em particular em mulheres grávidas e em crianças, especialmente naquelas que sofrem dificuldades em seu desenvolvimento infantil normal.

6. - Síndrome de Prader-Willy
A Síndrome de Prader-Willi é um defeito que pode afetar as crianças independentemente do sexo, raça ou condição social, de natureza genética e que inclui baixa estatura, retardo mental ou transtornos de aprendizagem, desenvolvimento sexual incompleto, problemas de comportamento característicos, baixo tono muscular e uma necessidade involuntária de comer constantemente, a qual, unida a uma necessidade de calorias reduzida, leva invariavelmente à obesidade.

Essa Síndrome deve seu nome aos doutores A. Prader, H. Willi e A. Labhart que, em 1956, descreveram pela primeira vez suas características. Acredita-se que haja um bebê com a síndrome para cada 10.000-15.000 nascimentos.

É um problema congênito associado à um tipo de retrardo mental. Essas pessoas não têm controle ao aceso à comida, comem sem parar até que acabam morrendo. Parece estar relacionado com um mau funcionamento do hipotálamo. O Prozac ajuda controlar o problema que, de momento, não tem cura.

7. - Transtorno do Comer Compulsivo
Atualmente acha-se em estudo uma terceira categoria comum de Transtorno Alimentar; o Transtorno do Comer Compulsivo ("binge-eating disorder"), na qual os pacientes apresentam episódios de voracidade fágica (episódios bulímicos) mas sem se utilizarem de métodos purgativos depois, como acontece na Bulimia Nervosa.

No Transtorno do Comer Compulsivo também não há preocupação mórbida e irracional com o peso e a forma do corpo, assim como acontece na Bulimia e na Anorexia. Estes pacientes são na maioria das vezes obesos e parecem se distinguir de obesos que não apresentam esses episódios de comer compulsivo por apresentarem mais co-morbidade psiquiátrica e pelo fato da obesidade ser de maior gravidade.

O transtorno do comer compulsivo acomete três mulheres para cada dois homens e tem uma prevalência de 2% na população geral e de 30% entre as pessoas obesas que procuram tratamento para emagrecer.

As pessoas com este transtorno apresentam freqüentes crises, durante as quais sentem que não podem parar de comer. Comem depressa e às escondidas, ou não deixam de comer o dia todo. Apesar desses pacientes se sentirem culpados e envergonhados por sua falta de controle, eles não apresentam atitudes compensatórias e compulsivas (vômito, laxantes...) típicas dos pacientes com Bulimia. Normalmente eles têm um histórico completo de fracassos em diversas dietas e regimes para emagrecimento. Normalmente são pessoas depressivas e obesas.

Esta compulsão alimentar incontrolável leva os pacientes a ingerir quantidades exageradas de alimentos em um curto espaço de tempo. Estes ataques de comer (binge eating) devem ocorrer com uma freqüência mínima de 2 vezes por semana para que seja diagnosticada a síndrome. Para o diagnóstico do Transtorno do Comer Compulsivo sugere-se os seguintes critérios:

Os sintomas mais freqüentes do Transtorno do Comer Compulsivo são:

1 - Episódios repetidos de "binge eating" (ataques de comer)
2 - Durante os episódios, 3 dos indicadores abaixo devem estar presentes:
-Comer muito mais rápido do que o normal
-Comer até se sentir desconfortavelmente empanturrado
-Comer grandes quantidades de comida, mesmo sem fome.
-Comer sozinho, com vergonha da quantidade.
-Sentir-se culpado e/ou deprimido depois do episódio

Por que os Transtornos Alimentares aumentaram e acometeram preferentemente as mulheres?
Dos séculos XVII a XIX a Anorexia Nervosa recebia nomes de Anorexia Histérica, Apepsia Histérica e Compunção Nervosa, com inúmeras descrições científicas de autores famosos, como Morton (1689), Gull (1874) e Lassegue. Nestas épocas esse transtorno era considerado próprio de mulheres.

Em 1914 o doutor Simmonds descreveu este transtorno com o nome de Caquexia Hipofisária, ressaltando que era uma doença que acometia mulheres no pós-parto, as quais começavam a perder peso e acabavam morrendo. Em 1939, Otto Sheehan realizou o diagnóstico diferencial entre Caquexia Hipofisária (de origem eminentemente orgânica) e a Anorexia Nervosa.

Para entender porque vem aumentando a incidência dos Transtornos Alimentares e porque eles têm especial predileção pelo público feminino, temos que entender a "História do Comer Mal" e a "História do Valor da Magreza".

A partir de 1925, os padrões de beleza feminina deram uma guinada muito importante. Desapareceram totalmente os tais espartilhos (usado por quase 4 séculos) do vestuário feminino, e a mulher começa a mostrar seu corpo de outra maneira. Neste ano aparecem pela primeira vez os figurinos de moda, nos quais se prega uma estilização progressiva. Essa mudança coincide com a incorporação da mulher ao esporte e começa a moda de mulheres delgadas.

Esta nova exibição do corpo feminino é definitivamente contínua e progressiva, fazendo com que a mulher se preocupe mais com sua estética corporal visível, a qual passa a ser objeto de observação e crítica sociais. Entretanto o modelo de beleza dos anos cinqüenta, como fora Marilin Monroe ou Ava Gadner, continua sendo representado por uma mulher mais cheia de curvas, mais palpável mas não gorda. E, a contar pelo entusiasmo que a imagem de Monroe provoca ainda hoje, há razões para crer-se que boa parcela da população masculina tem essa mesma preferência. Mas parece que as mulheres estão se importando cada vez menos com as preferências masculinas...

A partir dos anos 50 aumenta a preocupação com os Transtornos Alimentares. Começa o estudo das diferentes tendências de pensamento sobre esses transtornos, não só das idéias representadas pelos fatores biológicos e psicológicos, senão também dos elementos sociais e educativos que influenciavam a nova cultura da magreza.

O papel da mulher também passa a ser melhor analisado a partir dos anos 60, não só em relação à moda, mas também em relação à mudança social que se produz a partir de sua incorporação maciça no panorama ocupacional. Suspeita-se que dessa ocasião o surgimento de algumas dietas errôneas. Para isso contribuíram alguns fatores da cultura da época, tais como, a ausência de uma pessoa que se responsabilize pelos horários familiares de comida (papel tradicionalmente atribuído à mãe), o desaparecimento do hábito de comer em família e supressão da merenda e da ceia.

Todas essas alterações da conduta alimentar sofreram ainda a influência dos diferentes estilos de vida que surgiam em conseqüência das jornadas prolongadas de trabalho (tanto para homens como para mulheres), das dificuldades para traslados dos bairros distantes para os centros de trabalho e do frenético ritmo urbano que propiciava a necessidade de se comer fora de casa.

Portanto, as facilidades para se alimentar mal, juntamente com a cultura do emagrecimento, podem ter favorecido o aumento dos Transtornos Alimentares. E eles se tornaram mais comuns entre as mulheres, talvez porque a cultura da magreza fosse mais forte entre elas. Uma das características da Anorexia e da Bulimia nervosas é o medo patológico e obsessivo de engordar (mais comum entre mulheres), juntamente com um peculiar transtorno do esquema corporal.

Todas as estatísticas apontam que 90% das pessoas portadoras de Transtornos Alimentares são mulheres e, entre elas, aquelas com idade entre 14 e 18 anos, embora, hoje em dia, cada vez mais essa idade venha decrescendo perigosamente para meninas menores de 12 anos.

Os padrões de beleza atuais e a rejeição social à obesidade feminina fazem com que as adolescentes sintam um impulso incontrolável de estar tão delgadas como as "top models" que a publicidade e os meios de comunicação apresentam diariamente no glamour da glória e do sucesso.

As mensagens educativas dirigidas às jovens estimulam, sobretudo, que estas sejam muito responsáveis para conseguir êxito na vida social, profissional e familiar. Portanto, seguindo essas regras, não é casual que o perfil da jovem anoréxica (ou anorética) seja preferentemente de uma menina responsável e estudiosa, que deseja realizar corretamente seu relacionamento social e que tenha um perfeccionismo exagerado.

Um dos requisitos para se ter êxito e aceitação social é ter um físico apropriado, portanto, pelos valores culturais (das top models) é estar magra. A perda de peso, condição para se estar magra, pode realizar-se com vontade e esforço, portanto, é aqui que a jovem pode começar a ser responsável, meritosa, participativa e, incrivelmente magra.

Nos países industrializados, aos 15 anos de idade, uma a cada quatro meninas fazem regime para emagrecer, sem que, em quase nenhum caso, se constatem problemas de peso acima de uma faixa de normalidade. Respondendo a pergunta se "você se vê gorda, mesmo que os outros te vejam magra?", 58 % das meninas de 15 anos contestaram afirmativamente a opinião dos outros que as consideravam normais, magras ou não gordas. Seria esse um indício de Distorção do Esquema Corporal?

É muito curioso observar que as lésbicas têm um índice de Transtornos Alimentares tão baixo quanto dos meninos, enquanto os meninos homossexuais têm este índice próximo ao das meninas.

Não obstante, existe um fundo de perfeccionismo corporal latente, tanto em meninos como em meninas, mas os homens têm (no momento) alguns modelos mais masculinizados, não tão delgados. É neste ponto que surge, atualmente, uma nova doença chamada Vigorexia, que consiste numa obsessão para atividade física exagerada nos meninos, especialmente em academias. Nesses casos, mais ou menos como acontece na Anorexia das mulheres, pode haver também alguma alteração no esquema corporal, de tal forma que, apesar de sua evidente massa muscular, eles se olham no espelho e se vêm enfraquecidos.

O impacto entre a população adolescente de programas de TV, sobretudo das novelas para jovens e dos vídeos musicais, influi fortemente nestas tendências supermusculares. Por outro lado, ao contrário do que podem pensar muitos, a Anorexia e a Bulimia nervosas não são doenças de meninas tontas que desejam ser magras. Esses Transtornos Alimentares acometem pessoas com perturbações emocionais e que precisam muita ajuda.

para referir:
Ballone, GJ - Transtornos Alimentares, in. PsiqWeb, Internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br/, revisto em 2007

 

 

Referências:
Habermas T. - Friderada: a Case of Miraculous Fasting . Int J Eat Disord 5: 555-62, 1986. Habermas T. - The Psychiatric History of Anorexia Nervosa and Bulimia Nervosa: Weight Concerns and Bulimic Symptoms in early case Reports. Int J Eat Disord 8: 259-73, 1989.
Pearce JMS - Richard Morton: Origins of Anorexia nervosa - European Neurology 2004;52:191-192
Cordás TA - Classification and diagnosis of eating disorders. Rev. psiquiatr. clín. 2004, vol. 31, no. 4 [cited 2008-01-01], pp. 154-157.
Lask B, Gordon I, Christie D, Frampton I, Chowdhury U, Watkins B. - Functional neuroimaging in early-onset anorexia nervosa., Department of Child and Adolescent Psychiatry, St. George"s Hospital Medical School, London, United Kingdom.

 



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Anorexia e Bulimia podem levar à morte
Em artigo publicado na Gazeta-MT, edição de 05/05/2002, comenta-se as estatísticas sobre recuperação dos Transtornos Alimentares. Veja um trecho:

"Segundo estatísticas, das pessoas que sofrem de anorexia e bulimia, apenas um terço consegue se recuperar e cerca de 20% morrem em função do estado agudo de desnutrição. A magreza excessiva provoca complicações renais, hormonais e gástricas e até parada cardíaca. A bulimia ocorre quase que exclusivamente em mulheres jovens. Menos de 10% dos pacientes são homens.

Algumas garotas chegam a manifestar ausência de menstruação por mais de três meses. Muitas meninas que sofrem dessas doenças demoram a descobrir e, quando descobrem, negam estar doentes.

Para a psicoterapeuta Olga Inês Tessari as meninas não estão se aceitando como realmente são. Estimuladas pelas modelos das revistas e televisão, elas vão em busca de um padrão físico diferente do que possuem geneticamente
."
Veja a notícia

Outro artigo sobre o mesmo tema foi publicado no site Vida e Saúde, ressaltando os perigos da obsessão pelo corpo perfeito a qualquer custo:

"
A anorexia e a bulimia estão entre as principais causas de morte de mulheres jovens em todo o mundo, e a maioria das vítimas são adolescentes em período de formação física e psicológica que colocam em risco suas vidas pelo temor obsessivo de engordar.

Exemplos famosos de anorexia em jovens não faltam: recentemente ganhou destaque na imprensa aconteceu na China, onde uma estudante de 15 anos que media 1,65 m e pesava 54 kg começou uma dieta que acabou levando à sua morte, pesando menos de 30 kg.

A doença não escolhe classe social e chegou a círculos privilegiados, como no caso da filha do presidente francês Jacques Chirac e da princesa Victoria, da Suécia. Entre as vítimas mais velhas, é preciso lembrar a modelo Kate Moss, que já foi hospitalizada por anorexia, e a princesa Diana, bulímica assumida.

Mas, além de chegar à moda e ao poder, círculos em que a absessão com a aparência é constante, a anorexia e a bulimia têm tirado o sono de milhares de famílias anônimas em todo o mundo, que vêem suas filhas sempre às voltas com dietas e programas de beleza, e nem sempre sabem reconhecer o limite entre a preocupação com a beleza e a distorção da auto-imagem. Por isso, em geral, as famílias só detectam o problema quando a situação já é de emergência, o que traz maiores os riscos de que a doença seja fatal.
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Veja a notícia

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Transtornos Alimentares e Depressão
Os Transtornos Alimentares do tipo Anorexia e Bulimia, têm sido relacionados à ocorrência simultânea de Transtornos do Humor, principalmente à Depressão. Essa concordância clínica tem estimulado uma importante pergunta: teriam, a anorexia e a bulimia, a mesma origem dos transtornos depressivos? Serão os primeiros causadores dos segundos ou vice- versa?

Entre os pacientes com Anorexia Nervosa há uma prevalência de 52 a 98% de Transtornos do Humor, no decorrer da vida. Na primeira consulta médica, 50% dos pacientes com anorexia e bulimia apresentam algum transtorno do humor.

Outro ponto em comum é que ambos transtornos, alimentares e do humor, se iniciam geralmente na adolescência. Em relação à neurobiologia, há muita especulação. Todos os neurotransmissores envolvidos nos Transtornos do Humor já foram relacionados a transtornos da alimentação: serotonina, norepidefrina, opióides endógenos e melatonina. Sobre o aspecto genético, apesar dos estudos ainda serem inconclusivos, parece haver maiores índices de Transtornos do Humor em parentes de primeiro grau de pacientes com Transtornos Alimentares.

O Dr. Erick Messias tem um excelente artigo publicado na revista eletrônica
Psychiatry On-Line Brasil (veja aqui), onde aborda as relações entre transtornos alimentares e transtornos do humor, mais precisamente, transtornos depressivos. Diz o Dr. Erick que, a par das fofocas da mídia sobre qual dos famosos tem anorexia ou bulimia, o problema é bastante real e, infelizmente, com um potencial letal considerável. Refere a existência de uma epidemia silenciosa nos campi universitários americanos, a qual tem recebido bastante atenção de pesquisadores.

A ocorrência simultânea de Transtornos Depressivos e Transtornos Alimentares desperta algumas dúvidas, como por exemplo, se eles teriam uma mesma origem psicopatológica, se os transtornos depressivos são os causadores dos transtornos alimentares ou vice-versa, se são fenômenos completamente independentes, enfim, dúvidas sobre a natureza das relações entre esses dois transtornos habitualmente simultâneos.

Segundo Erick Messias, pacientes com Anorexia Nervosa tem uma prevalência entre 52-98% de transtornos do humor no decorrer da vida. No momento da consulta, 50% deles apresenta algum transtorno do humor. Quanto a Bulimia, os números são semelhantes, 25-80% de risco de depressão na vida e 40% de depressão na apresentação por ocasião da consulta. Ambos os transtornos se iniciam geralmente na adolescência, assim como os do humor.

Entre os antidepressivos usados no tratamento dos Transtornos Alimentares, segundo Erick Messias, a Dra. Brown, coordenadora da equipe de transtornos da alimentação da Universidade de Georgetown, tem preferido a fluoxetina, mas notou que as doses utilizadas muitas vezes são bem maiores que aquelas propostas para pacientes com depressão, segundo sua prática clínica.

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Alcoolrexia
Um novo tipo de comportamento está se tornando comum entre jovens e tem assustados os médicos. Homens e mulheres preocupados com o peso e em não engordar estão substituindo as refeições por bebidas alcoólicas.

O problema, chamado de alcoolrexia, atinge na maioria dos casos pessoas entre 18 e 25 anos e as bebidas destiladas são as mais consumidas por oferecerem uma sensação de saciedade, suprindo rapidamente o apetite. De acordo com os especialistas, o comportamento arriscado pode levar ao alcoolismo e trazer prejuízos mentais ao indivíduo adepto desta prática. Para eles, as pessoas que agem dessa forma têm grande preocupação com a obesidade e sofrem de transtornos alimentares.

Segundo pesquisa do instituto de psiquiatra do hospital das clinicas de São Paulo, 56% das mulheres dependentes de álcool ou de outras drogas que estavam em tratamento na instituição, tinham algum tipo de transtorno alimentar. O hábito de beber para não engordar é perigoso, podendo causar males irreversíveis à saúde. Fonte: Agência Saúde Mental

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Neurose do corpo perfeito persegue adolescentes
Escravizar-se pelo "corpo perfeito" é uma forma de tirania cultural que acomete principalmente os adolescentes e, segundo um estudo da Universidade Federal de São Paulo, envolvendo 133 praticantes de ginástica olímpica, nadadoras e garotas que fazem aulas de educação Física na escola, entre 11 e 19 anos de idade mostrou resultados curiosos.

Entre os pesquisados, 74% das ginastas, 56% das nadadoras e 58% das demais confessaram o temor. Não é a toa que elas comem menos do que deveriam - 41% das ginastas fazem dieta, por exemplo. No cardápio da maioria faltam cálcio e carboidrato. Dentre os pesquisados, 85% apresentam hipotensão, com pressão arterial menor que 90 mm Hg/60 mm Hg, provavelmente devido ao estado de depleção de volume.

A bradicardia (freqüência cardíaca menor que 60 batimentos por minuto) está presente na maioria dos pacientes, e, segundo estudo recente, 48% daqueles que seguiam dietas extremamente rígidas e 25% dos que tinham sintomas purgativos apresentavam freqüência cardíaca menor que 40 batimentos por minuto.

A bradicardia é conseqüência da diminuição do metabolismo basal, como adaptação à privação de energia, e é mediada pela diminuição dos níveis periféricos de catecolaminas e pela diminuição na taxa de conversão de tireoxina em triiodotironina.

Pais devem ter atenção com a alimentação dos filhos, pois uma má alimentação quando jovem pode trazer problemas quando adulto. Tribuna do Brasil, Brasília, (junho de 2002). É muito interessante, também, ver o artigo todo, Aspectos clínicos e nutricionais dos transtornos alimentares, de Carlos Alberto G Oliva e Ulysses Fagundes, inclusive para saber das complicações do quadro.
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Diógenes Alves tem também um excelente artigo sobre essa questão. Veja um trechinho:
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Apesar dos avanços e estudos na área de saúde em relação à atividade física e nutrição, vivemos em uma sociedade de ícones de estética altamente opostos e de características paradoxais em relação à saúde.

De um lado, temos modelos extremamente magras, muitas vezes apresentando patologias como a anorexia nervosa, e do outro, temos “atrizes”(não estou citando nomes, pois antes da aparição da atriz e de toda esta polemica, já havia outras atrizes e até cantoras internacionais neste caminho, basta ver algumas revistas antigas) com corpos musculosos próximos a uma aparência masculina, o qual também apresenta patologia conhecida como vigorexia.

Diante deste fato, chegamos a um assustado questionamento: com a atual super exposição destes ícones na mídia qual será sua repercussão em nossa sociedade extremamente vaidosa?
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Veja o artigo

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Dieta para emagrecer é difícil e pode causar estresse
Uma pesquisa feita na Inglaterra, a pedido de uma marca de iogurtes light, aponta que o impacto da dieta para emagrecer sobre o corpo pode ser parecido a outras situações consideradas estressantes. O quadro de estresse relacionado à dieta e foi identificado em quase 50% das pessoas entrevistadas, a despeito dos diversos métodos para perder peso.

Muitas pessoas entrevistadas disseram sentir vontade de chorar ou agitação enquanto estão tentando perder peso e uma em cada 10 apontou o regime como motivo de brigas com parentes ou amigos. Essas reações são identificadas pela medicina em pessoas que estão fazendo esforços para emagrecer, pois, "quando se restringe alimentos, pode-se ter reações como alterações de humor, depressão, irritabilidade, ficar pensando em comida, dificuldades para dormir", diz Christina Marcondes Morgan, psicóloga e doutora do programa de orientação e assistência ao paciente com transtornos alimentares da Unifesp.

Para evitar essas reações a recomendação é não fazer uma dieta de restrição calórica muito intensa. "É preciso aliar atividades físicas com alimentação balanceada." Isso deve incluir alimentos considerados calóricos e que figuram na lista dos vilões da boa forma, como massas, pães e doces. "Sabe-se que a proibição e prejudicial e favorece compulsão e descontrole", diz a especialista.

Por outro lado, "estar acima do peso gera insatisfação com o próprio corpo, principalmente nas mulheres, já que 80% dizem não estar satisfeita com a silhueta mesmo não estando fora do peso ideal. O padrão exigido não é não ser gordo, mas ser magérrimo", diz Christina.

Segundo o levantamento, entre as mulheres que fizeram dieta apenas um terço delas eliminou os quilos desejados e entre aquelas que perderam peso, apenas 27% continuou no peso conquistado, enquanto 54% dos homens mantiveram o peso atingido depois do regime. No Brasil "mais de 50% das pessoas que fazem regime têm recaídas e não sustentam o novo peso a longo prazo", revela a profissional da Unifesp. Fonte: Terra Saúde 

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Em artigo intitulado Pelo Menos Essa Não Me Pega, publicado no jornal O Estado de São Paulo de 19 de setembro de 1999, João Ubaldo Ribeiro escreve o seguinte (veja um trecho)

"O desafortunado vigoréxico nunca está satisfeito com seu corpo e se comporta como qualquer viciado em drogas, até deixando o trabalho ser afetado, somente para poder malhar mais. Se acha que não está 100%, não sai de casa para não ser visto em estado para ele deplorável, come obsessivamente o que considera indispensável para seu desenvolvimento muscular, se entope de complementos vitamínicos e até anabolizantes e hormônios, a ponto de muitos morrerem vendendo saúde e robustez ou se suicidarem, pois a taxa de suicídio entre vigoréxicos (nos Estados Unidos estimados em um milhão) é mais alta que no resto da população."
Veja o texto de João Ubaldo Ribeiro