Depressão: Sintomas

Dependem do tipo da Depressão e da personalidade da pessoa.
| Depressão |


Os sintomas da Depressão são muito variados e muito diferente entre as diferentes pessoas. Por isso, é didático e válido considerar a existência de três sintomas depressivos básicos e suficientes para sua detecção, no entanto, estes sintomas básicos darão origem à infinitas manifestações desta alteração afetiva. Trata-se, esta tríade, de:

1 - Inibição Psíquica,
2 - Estreitamento do Campo Vivencial (interesses) e,
3 - Sofrimento Moral.

Compete à sensibilidade do observador, relacionar um sentimento, um comportamento, um pensamento ou um determinado sintoma como sendo a apresentação pessoal e individual de um desses três sintomas básicos, dependendo da personalidade de cada um.

Em crianças e adolescentes, por exemplo, o humor deprimido pode se manifestar com irritabilidade, rebeldia, baixo rendimento escolar ao invés de tristeza. O adulto deprimido também pode experimentar sintomas adicionais na Depressão, incluindo alterações no apetite ou peso, alterações do sono e da atividade psicomotora, diminuição da energia, sentimentos de desvalia ou culpa, dificuldades para pensar, concentrar-se ou tomar decisões, pensamentos recorrentes sobre morte ou ideação suicida.

De qualquer forma, a Depressão deve ser acompanhada por sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou outras áreas importantes da vida da pessoa. Para algumas pessoas com Depressão mais leves, o funcionamento sócio-ocupacional pode parecer normal, mas exige um esforço acentuadamente aumentado. O estado depressivo freqüentemente é descrito pela pessoa com setimentos de tristeza, desesperança, falta de coragem ou como estando "na fossa", mas essa não é uma regra absoluta. Há quem manifeste a depressão com sintomas exclusivamente ansiosos.

Em alguns casos, a tristeza pode ser negada de início, mas subseqüentemente pode ser revelada na entrevista, por exemplo, quando a pessoa chora ou pela fisionomia aborrecida e entristecida. Outras pessoas, entretanto, podem dizer que se sentem indiferentes, apáticos ou ansiosos ou, ainda, podem referir queixas somáticas sem correspondência clínica, muito mais do que sentimentos de tristeza. Muitos referem ou demonstram irritabilidade aumentada, tendência para responder a eventos com ataques de ira ou culpando outros, ou um sentimento exagerado de frustração por questões menores.

Sofrimento Moral (autoestima baixa)
O Sofrimento Moral, ou sentimento de menos-valia, é um fenômeno marcante e desagradável na trajetória depressiva. Trata-se de um sentimento de autodepreciação, auto-acusação, inferioridade, incompetência, pecaminosidade, culpa, rejeição, feiúra, fraqueza, fragilidade e mais um sem-número de adjetivos pejorativos. A autoestima é a imagem valorativa que a pessoa tem de si mesma e na Depressão esta imagem está depreciada no aspecto que mais incomoda o paciente.

Dependendo do grau da depressão, o Sofrimento Moral aparece em graus variados, desde uma sutil sensação de inferioridade até profundos sentimentos depreciativos. Outro fator que complica o diagnóstico é o fato do Sofrimento Moral nem sempre ser consciente. Muitas vezes a pessoa com baixa autoestima recorre a mecanismos de defesa que ofuscam seus verdadeiros sentimentos.

Por exemplo, nas pessoas com importante traço de irritabilidade e agressividade na personalidade, o sentimento de baixa autoestima se manifesta com irritabilidade e agressividade, com comportamentos de superioridade ostensiva (tipicamente defensivas), com dificuldades gritantes em lidar com as frustrações. O cotidiano normal passa a irritar a pessoa com esses traços, seja com as filas, com ter de esperar, com palavras dirigidas à ela enfim, são pessoas que manifestam a sensação de estarem sendo "agredidas" de alguma forma, portanto, revidam com mais agressividade.

Em pessoas naturalmente retraídas e introvertidas, a baixa autoestima se faz sentir com mais retraimento ainda, com mutismo e quietude preocupantes, com isolamento e extrema dificuldade em expor sentimentos. Por isso, muitas vezes, "preferem" a manifestação somática dessas emoções, transferindo para o orgânico os setimentos não manifestados.

Em pessoas de personalidade ansiosa a baixa autoestima faz com que os outros (notadamente, a opinião dos outros) pareçam inimigos em potencial, capazes de depreciar, de julgar, de avaliar... Normalmente essa depreciação nasce na pessoa deprimida e é projetada nos outros, como se originassem dos outros. Portanto, nada mais sensato que apresentarem, esses pacientes, quadros fóbicos sociais, evitação, sintomas autossômicos (do Sistema Nervoso Autônomo) quando diante de outras pessoas, e assim por diante.

Quando a Depressão adquire características muito graves e psicóticas, o Sofrimento Moral pode aparecer sob a forma de delírio. Nesse caso seria o delírio humorcongruente. Um judeu, psicótico depressivo, durante uma de suas crises de Depressão profunda apresentava um pensamento francamente delirante, o qual dava-lhe a certeza de ter parte de seu cérebro apodrecido. Outrossim, julgava-se culpado por ter ingerido, contra sua crença religiosa, carne suína há mais de 15 anos. Uma espécie de punição divina aplicada ao pecador incauto.

O prejuízo da autoestima proporcionado pela Depressão Grave ou Psicótica, pode ainda determinar uma ideação claramente paranóide, onde a culpa adquire uma posição destacada. Para fins de diagnóstico, deve-se ter em mente que nas psicoses esquizofrênicas, onde freqüentemente aparece a ideação paranóide, a autoestima não se encontra perturbada como nos estados depressivos psicóticos. Esta observação pode auxiliar o diagnóstico diferencial entre uma Depressão com sintomatologia psicótica (ideação deliróide) e uma Psicose Esquizofrênica (com delírios).

O Sofrimento Moral é considerado ainda o maior responsável pelo desfecho suicida das depressões severas. Aparece como uma prova doentia da incompetência do ser, de seu fracasso diante da vida e de sua falência existencial. Enquanto na Euforia a autoestima se encontra patologicamente elevada e as idéias de grandeza proporcionam uma aprazível sensação de bem-estar, na Depressão a pessoa se coloca numa das posições mais inferiores entre seus semelhantes.

 Autoestima

 

Com autoestima baixa a Pessoa "se vê" de forma muito depreciativa

Organicamente, uma pessoa com Sofrimento Moral, portanto, com tendência a autodepreciar-se em todos os sentidos, pode entender uma simples dor de estômago como prenúncios de um câncer gástrico, uma tontura trivial com indícios de um derrame iminente, uma tosse frugal como sugestiva de câncer de pulmão ou tuberculose, uma simples gripe como sinal de AIDS, e assim por diante.

Inibição Global (apatia e desinteresse)
A Inibição Global do organismo é um dos sintomas básicos da Depressão e se manifesta como uma espécie de freio ou lentificação dos processos físicos e psíquicos em sua globalidade, uma lassidão e lerdeza generalizada de toda a atividade corpórea, uma preguiça e fadiga difíceis de sserem explicadas pelos exames médicos. Em graus variáveis, esta inibição geral torna o indivíduo apático, desinteressado, lerdo, desmotivado, com dificuldade em suportar tarefas elementares do cotidiano e com grande perda na capacidade em tomar iniciativas.

Os campos da consciência e da motivação estão seriamente comprometidos, advindo daí a dificuldade em manter um bom nível de memória, de rendimento intelectual, de atividade sexual e até da agressividade necessária para tocar adiante o dia-a-dia. Percebemos os reflexos desta Inibição Global em várias áreas da atividade da pessoa, inclusive na diminuição da atividade motora e até na própria expressão da mímica, fazendo com que o paciente tenha aparência de abatimento e de desinteresse.

 Inibição Global


Na Inibição Global há profunda indisposição, desinteresse, apatia, lentidão, fadiga fácil...

A Inibição Global tem sido a responsável pelo longo itinerário que muitos pacientes percorrem antes de se acertarem com um tratamento psíquico. A primeira idéia que os pacientes deprimidos têm, estimulados também pela família, é que seu mal estar pode resultar de alguma anemia, fraqueza, problema circulatório... Normalmente esses "diagnósticos bem intencionados" levam o paciente a procurar tratamentos alternativos, desde macrobiótica, yoga, tai-chi-chuam..., submetem-se a tediosos a passeios de gosto duvidoso e, muitas vezes, consultam até um neurologista. Este ponto costuma ser o mais próximo que chegam do aparelho psíquico e, normalmente, a causa psíquica é a última a ser questionada, embora seja a primeira que se faz sentir.

As pessoas que rodeiam o paciente com Inibição Global são solícitas em lembrá-lo de que a vida é boa, ressaltam que nada lhes falta, que gozam de saúde, que não são ricos mas tem gente em pior situação, que pertencem a uma família decente e compreensiva... O paciente, por outro lado, não sendo um retardado mental, sabe de tudo isso e as palavras estimulantes apenas aumentam sua perplexidade, sua culpa e seu aborrecimento consigo próprio.

A Inibição Global é secundária à Depressão, é um sintoma decorrente da Depressão e não uma doença que corrompe o juízo crítico, tornando os pacientes completamente desorientados em relação às condições de sua vida ou de sua família. Claro que ele sabe de tudo de bom que sua vida oferece, apenas não consegue sentir isso.

Outro conceito importantíssimo, é que a Inibição Global é conseqüência da Depressão e não o contrário. Essa colocação é importante porque, comumente, o público leigo costuma recomendar à pessoa deprimida para que se esforce e se mobilize para melhorar da Depressão, para que tenha forças, seja forte, quando na realidade seria o contrário, ou seja, deve melhorar da Depressão (tratar) e aí sim, mobilizar-se sem ninguém tenha que lhe pedir.

 

Estreitamento Vivencial (perda de prazer)
Estreitamento Vivencial
é a expressão mais adequada para representar a perda progressiva em sentir prazer que experimenta a pessoa deprimida. O ponto mais alto desse fenômeno de perda do prazer é Anedonia, ou seja, a incapacidade em sentir prazer por todas as coisas. No Estreitamento Vivencial o leque de interesses e de prazeres pelas coisas da vida vai sendo cada vez menor e mais restrito.

De fato, o interesse humano está indissoluvelmente ligado ao prazer. Há interesse por aquilo que dá prazer, com tudo pelo qual existe alguma ligação afetiva. Em situações normais a pessoa abre para si um leque de interesses: interesse pelas notícias, pelos esportes, pela companhia de amigos e pessoas queridas, pelo conhecimento em geral, pelos passeios, pelas novidades, pelas compras, pelas artes, pelos filmes, pela comida, pelas revistas e jornais, enfim, cada pessoa nutre um rol de interesses pessoais, evidentemente, interesses por coisas que lhe dão prazer.

 Anedonia

 

A perda da capacidade para sentir prazer acompanha o quadro clínico da Depressão.Perde-se o prazer para todas atividades antes prazerosas. 

Pois bem. No Estreitamento Vivencial da Depressão esse leque de interesses vai se fechando, aparecendo progressivamente um desinteresse e desencanto pelas coisas. Há um momento onde a preocupação com o próprio sofrimento é o único interesse vivencial do deprimido.

Não há ânimo suficiente para admirar um dia bonito, para se interessar na realização ocupacional, para degustar uma boa bebida, para deleitar-se com um filme interessante, para aproveitar uma boa companhia, para incrementar a discoteca, visitar um amigo...

No deprimido com Estreitamento Vivencial acaba só existindo a preocupação consigo próprio e com sua dor. Nada mais lhe dá prazer, nada mais pode motivá-lo. Neste caso, o leque do campo vivencial fica tão estreito que só cabe nele o próprio paciente com sua depressão, o restante de tudo que a vida pode oferecer não interessa mais, a própria vida parece não interessar mais.

Enquanto a Inibição Global afeta o tônus do relacionamento da pessoa com o mundo, ocasionando algum prejuízo em sua performance e enfraquecendo seu rendimento pessoal, o Estreitamento Vivencial, por sua vez, provoca uma alteração mais interior, um prejuízo nas impressões que o mundo e a vida causam no sujeito. Um é centrífugo o outro centrípeto. Na Inibição Global as coisas são feitas com dificuldade e lerdeza, com maior esforço físico e mental. No Estreitamento Vivencial as coisas nem sequer serão feitas.

 

Como se manifesta a Depressão
Saber como, exatamente, a pessoa apresenta sua Depressão é uma questão complicada. Como dissemos, as manifestações depressivas são muito variadas e extremamente dependentes da personalidade de cada um. Mas uma coisa é certa; a Depressão costuma estar junto com a maioria dos transtornos emocionais, ora aparecendo como um sintoma de determinado estado emocional, ora coexistindo com quadros ansiosos, outras vezes como causa de determinados transtornos. Em muitas situações psíquicas a Depressão se encontra presente, às vezes de forma típica outras vezes dissimulada.

A Depressão aparece impregnando todo o viver dos pacientes emocionais em geral, tanto sob sua forma típica, com tristeza, choro, desinteresse, etc, quanto em sua forma atípica, com somatizações, pânico, ansiedade, fobia, obsessões. De qualquer forma, o que encontramos mais freqüentemente nos distúrbios depressivos são os sintomas atrelados a essa afetividade alterada.

Normalmente os sintomas afetivos não proporcionam prejuízo significativo da cognição mas, apesar do juízo crítico estar conservado, as vivências do deprimido terão uma representação alterada, serão suportadas com grande sofrimento e com perspectivas pessimistas.

Assim sendo, a interpretação e valorização afetiva da realidade podem ter seu caráter alterado, de acordo com a intensidade da Depressão. A pessoa deprimida pode simplesmente apresentar idéias falsas sobre a realidade, nos casos mais leves ou, nos casos mais graves, pode desenvolver um delírio franco sobre a realidade.

Em sua forma típica e clássica a manifestação da Depressão depende sempre da maneira (quadro clínico, freqüência, intensidade) com a qual se manifesta o chamado Episódio Depressivo. Estudando-se o Episódio Depressivo entenderemos as manifestações clínicas de todas as depressões típicas. Enfatizando sempre o termo "típico".

Apesar de não ser bem nosso propósito classificar doenças, e sim fazer entender as emoções, vamos dar uma pincelada em alguns aspectos classificatórios importantes para o entendimento global.

Saber se o estado depressivo é Leve, Moderado ou Grave é apenas uma questão da intensidade com que se apresenta o Episódio Depressivo. Saber se esse estado depressivo é uma ocorrência única na vida da pessoa ou se é repetitivo, dependerá da freqüência com que os Episódios Depressivos se apresentam. Saber se o Transtorno Afetivo em pauta é simplesmente um quadro depressivo ou se é bipolar, dependerá do fato dos Episódios Depressivos serem a única ocorrência afetiva ou se coexistem com Episódios de Euforia. Enfim, como se vê, estudando-se o Episódio Depressivo, sua intensidade, freqüência e apresentação, podemos classificar o tipo do Transtorno Afetivo.

Devido ao fato dos estados depressivos se acompanharem, com assiduidade, de sintomas somáticos, a existência ou não destes sintomas também acaba fazendo parte da classificação. Da mesma forma, a presença concomitante ao Episódio Depressivo com sintomas psicóticos determinará diferentes classificações.

Cumprindo apenas um propósito acadêmico, e aproveitando para mostrar que a classificação dos Transtornos Afetivos (ou do Humor) é relativamente fácil, relacionamos abaixo a classificação formal, de acordo com a CID.10 (Veja os Tipos de Depressão). Em crianças e adolescentes os sintomas da Depressão podem ser diferentes (veja coluna ao lado).

Critérios para Episódio Depressivo Maior - DSM.IV  


A. Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de 2 semanas e representam uma alteração a partir do funcionamento anterior; pelo menos um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda do interesse ou prazer.
(1) humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, indicado por relato subjetivo (por ex., sente-se triste ou vazio) ou observação feita por outros (por ex., chora muito).
Nota: Em crianças e adolescentes, pode ser humor irritável
(2) interesse ou prazer acentuadamente diminuídos por todas ou quase todas as atividades.
(3) perda ou ganho significativo de peso sem estar em dieta (por ex., mais de 5% do peso corporal em 1 mês), ou diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias.
Nota: Em crianças, considerar falha em apresentar os ganhos de peso esperados
(4) insônia ou hipersonia quase todos os dias
(5) agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outros, não meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento)
(6) fadiga ou perda de energia quase todos os dias
(7) sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada (que pode ser delirante), quase todos os dias (não meramente auto-recriminação ou culpa por estar doente)
(8) capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se, ou indecisão, quase todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita por outros)
(9) pensamentos de morte recorrentes (não apenas medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio 
 

Delírio na Depressão
O Delírio Depressivo aparece nos quadros muito graves. Normalmente surge sob a forma de Delírio de Pecado, quando a idéia principal é de culpa, ou quando o problema é a saúde, sob a forma de Delírio de Doença. Se o medo diz respeito à fortuna, surgirá o Delírio de Ruína ou de Empobrecimento e assim por diante. Percebe-se claramente que todos esses 3 tipos de delírios depressivos dizem respeito à severo prejuízo da auto-estima.

O doente com Delírio Pecaminoso crê, sem razão, ter cometido os piores crimes e pecados ou, o que é mais comum, aumenta de maneira doentia pequenas transgressões reais e tentações, mesmo quando se trata apenas de pensamentos aviltantes, e sente como se fosse um pecado ou delito imperdoáveis. 

O Delírio de Empobrecimento ou de Ruína faz com que o deprimido tenha absoluta convicção de que perderá tudo, não saldará suas dívidas, será até castigado por isso,  morrerá à míngua, de fome.

O Delírio de Doença do deprimido é a crença de ter determinadas doenças, sempre especialmente graves. Esses casos podem ser classificados também como Transtorno Hipocondríaco. Há ainda, em um dos tipos de Transtorno Delirante Persistente, um delírio semelhante.

Interesse, Apetite e Sono na Depressão
A perda de interesse ou prazer quase sempre está presente, pelo menos em algum grau nas pessoas com Depressão. Os pacientes podem relatar menor interesse por passatempos, "não se importar mais", ou a falta de prazer com qualquer atividade antes considerada agradável.
Os membros da família freqüentemente percebem um certo retraimento social ou descaso para atividades agradáveis, como por exemplo, jogar, assitir tv, ler revistas, reunir-se com amigos, brincar com netos e/ou com colegas, etc. Em muitos casos há uma redução significativa nos níveis de interesse ou do desejo sexual.

O apetite geralmente está reduzido, e muitos pacientes sentem que precisam se esforçar para comer. Outros, por outro lado, podem ter uma incômoda avidez por alimentos específicos, como por exemplo, chocolates, doces, etc. Quando as alterações no apetite são severas, seja por diminuição ou aumento, pode haver uma perda ou ganho significativos de peso.

A perturbação do sono mais comumente associada a um Episódio Depressivo é a insônia, tipicamente intermediária, ou seja, com despertar durante a noite e dificuldade para voltar a dormir. Menos freqüente é a insônia terminal, isto é, despertar muito cedo, com incapacidade de conciliar o sono novamente. A insônia inicial, isto é, a dificuldade para adormecer é a menos freqüente. Além disso, alguns pacientes apresentam, curiosamente, uma sonolência excessiva (hipersonia), na forma de episódios prolongados de sono noturno ou de sono durante o dia.

 

Baseado no Livro Da Emoção à Lesão
Ballone GJ, Ortolani IV, Pereira Neto E - Da Emoção à Lesão, ed. Manole, 2a. Ed., SP, 2007.

para referir:
Ballone GJ - Sintomas da Depressão - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2007




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Depressão em Crianças

Pré-Escolares (6-7 anos)

Segundo Bahls, em crianças pré-escolares, até seis a sete anos, a manifestação clínica mais comum é representada pelos sintomas físicos, tais como dores, principalmente de cabeça e abdominais, fadiga e tontura. Aproximadamente 70% dos casos de Depressão em crianças se traduzem por queixas físicas, juntamente com ansiedade, principalmente pela Ansiedade de Separação. Essas crianças deprimidas também apresentam fobias, agitação psicomotora ou hiperatividade, irritabilidade, diminuição do apetite com falha em alcançar o peso adequado, e alterações do sono.

Depressão Infantil

Com menor freqüência os deprimidos infantis podem apresentar enurese (xixi na cama) e encoprese (cocô nas calças), fisionomia triste, comunicação deficiente, choro freqüente, comportamento agressivo e destrutivo. O prazer de brincar ou ir para a pré-escola diminui ou desaparece de vez. O baixo rendimento nas atividades escolares nessa faixa etária se dá através do prejuízo nas aquisições de habilidades sociais próprias da idade (Goodyer, 1996, Souza, 1984).

 

Escolares (6-7 anos)

Na faixa etária das crianças escolares o sentimento depressivo já pode ser verbalizado e é freqüentemente relatado como tristeza, irritabilidade ou tédio. Apresentam aparência triste, choro fácil, apatia, fadiga, isolamento, declínio ou desempenho escolar fraco, recusa escolar, ansiedade de separação, fobias e, eventualmente, desejo de morrer.

 

Essas crianças também relatam concentração fraca, queixas somáticas, perda de peso, insônia. Quando a Depressão é muito grave podem surgir sintomas psicóticos humor-congruente, tais como alucinações auditivas depreciativas e, menos freqüentemente, delírios de culpa e pecado.

Depressão Infantil2

Há severo prejuízo na concentração e, evidentemente, comprometimento do rendimento escolar. Deprimida, é comum que a criança não tenha amigos, sentir-se mal gostada pelos colegas e apegar-se excessivamente a animais (Shafii, 1992). O comportamento pouco social com escassos relacionamentos com outras crianças são reflexos da inibição social e baixa autoestima.

 

Freqüentemente são os professores os primeiros a perceber as modificações no comportamento e nas atitudes dessas crianças, muito embora não saibam tratar-se de Depressão.  

 

Adolescentes ( de 12 anos em diante)

A Depressão em adolescentes, embora possa manifestar-se com sintomas semelhantes aos dos adultos, é bom saber que um número muito expressivo deles não apresenta tristeza. O comportamento mais observado costuma ser irritabilidade, agressividade e, mesmo, crises de explosividade e raiva.

Depressão Infantil4

Segundo algumas pesquisas (Kazdin e Marciano, 1998), mais de 80% dos jovens deprimidos juntam sintomas de adultos deprimidos e de adolescentes. Eles apresentam irritabilidade, perda de energia, apatia e desinteresse importante, retardo psicomotor, sentimentos de desesperança e culpa, alterações de apetite, isolamento social e familiar, dificuldade de concentração e perturbações do sono, principalmente hipersonia.

Aqui também ocorre prejuízo no desempenho escolar, a baixa auto-estima, as idéias de suicídio, uso abusivo de álcool e drogas (Brent, 1993).

 

Bahls SC. Depression in childhood and adolescence. J. Pediatr. (Rio J.) ,  Porto Alegre,  v. 78,  n. 5, 2002 . 

Brent DA. Depression and Suicide in Children and Adolescents. Pediatr Rev 1993;14(10):380-8.

Goodyer IM. Physical symptoms and depressive disorder in childhood and adolescence. J Psychosom Res 1996;41(5):405-8.        [ Links ]

Kazdin AE, Marciano PL. Childhood and adolescent depression. In: Mash E, Barkley R, editors. Treatment of Childhood Disorders. 2nd ed. New York: The Guilford Press; 1998.

Shafii M, Shafii SL. Clinical Manifestations and Developmental Psychopathology of Depression. In: Shafii M, Shafii SL, editors. Clinical Guide to Depression in Children and Adolescents. Washington: American Psychiatric Press; 1992. p. 3-42.        [ Links ]

Souza PR. Depressão endógena em criança de oito anos - relato de caso. Revista da Associação Brasileira de Psiquiatria 1984;6(21):67-9.

 

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Silvia Pereira Benetti tem um artigo intitulado "Adolescência e saúde mental: revisão de artigos brasileiros publicados em periódicos nacionais", publicado em Cadernos de Saúde Pública. Trata-se de um trabalho bastante interessante sobre Depressão na adolescência. Vejamos um trecho resumido:

Ansiedade
"Dentre os 29 artigos classificados na categoria, vários focalizavam o tópico em associação a outros quadros ou situações de vida. Especificamente sobre os Transtornos da Ansiedade destacam-se artigos de revisão sobre a descrição e identificação dos sintomas, características associadas aos quadros ansiosos 29 e sobre aspectos clínicos, epidemiológicos e de intervenção. Outros estudos abordavam os quadros associados à ansiedade, como o transtorno da falta de atenção e hiperatividade (TDAH) discutido quanto à identificação do quadro, à associação com drogas, ao tratamento farmacológico, à suscetibilidade genética e à alta prevalência dos transtornos de ansiedade nos quadros de TDAH. Fundamentalmente, destacou-se a importância da identificação e do diagnóstico adequado do quadro, visto os aspectos negativos e prejuízos na aprendizagem e convívio social de adolescentes. A abordagem cognitivo-comportamental foi indicada com maior freqüência como técnica de intervenção terapêutica.

Transtornos de conduta e delinqüência
Um total de 27 artigos sobre transtornos de conduta e/ou delinqüência na adolescência foi identificado conforme os critérios estabelecidos. Nessa categoria, 17 trabalhos foram da área da Psicologia/Psicanálise, seis da Medicina e quatro da Saúde Coletiva. Grande parte dos trabalhos (80%) foi composta de artigos teóricos sobre identificação de quadros clínicos, sobre teorias e modelos explicativos do envolvimento com condutas agressivas. Destaca-se a maior freqüência de trabalhos voltados para a discussão de modelos de intervenção e prevenção.

Os trabalhos de pesquisa empírica utilizaram com maior freqüência a metodologia qualitativa (33%) e modelos compreensivos baseados em determinantes contextuais (44%). Permaneceu, porém, o foco de interesse de identificação (56%) de características psicológicas, familiares e genéticas associadas ao comportamento anti-social.

As contribuições da psicologia destacaram a precariedade das relações familiares, o abandono escolar, a presença de ambientes violentos e também aspectos de intervenção, tais como análises do sistema socioeducativo, o psicodiagnóstico interventivo e trabalhos com crianças agressivas. Também foram apontadas as características da cultura contemporânea e da privação emocional durante o desenvolvimento.

Abuso de substâncias
Ao todo 65 artigos foram classificados nesta categoria. Destaca-se que 50% dos trabalhos foram publicados a partir de 2001. A área médica foi responsável por metade desta produção, seguida da Saúde Coletiva (27%) e da Psicologia (19%). Em geral, a metodologia quantitativa (53%) predominou. Ainda assim, 23% eram qualitativos e os restantes trabalhos teóricos fundamentados em análises documentais.

O foco de interesse centrou-se na identificação dos grupos vulneráveis e nas características de uso de drogas. As análises interpretativas basearam-se em fatores intrapessoais para o entendimento do abuso de substâncias. Entretanto, consideraram-se também aspectos interpessoais e contextuais de análise, tais como problemas escolares, relações familiares, sexo masculino, idade, classe socioeconômica, maus-tratos, vitimização por assaltos, presença de familiar usuário de drogas e pouca religiosidade. A visão psicanalítica contribuiu para a compreensão das motivações internas, o desenvolvimento psíquico e a inter-relação com representações parentais.

Violência
A produção de trabalhos sobre maus-tratos e violência na adolescência aumentou a partir do ano 2000. Até aquele ano, somente 11 artigos (33%) dos 33 analisados sobre o tema são citados. A área da Saúde Coletiva foi a que mais publicou trabalhos sobre violência e maus-tratos (57%), seguida da Psicologia (27,3%) e Medicina (15,3%). O foco de interesse das produções incluiu material sobre a identificação de casos e sobre análises teóricas baseadas em modelos de desenvolvimento (54%). Os demais trabalhos estavam voltados para a intervenção e prevenção da violência.

Além dos aspectos informativos sobre o impacto da violência e maus-tratos, os artigos focalizavam a mudança no perfil de mortalidade da adolescência e o aumento de mortes por causas externas, principalmente homicídios envolvendo jovens. A violência e maus-tratos estavam associados ao comportamento sexual de risco, a morar na rua e ao desenvolvimento de condutas agressivas. As repercussões negativas no desenvolvimento das situações de violência apontadas indicavam a urgência da implantação de ações preventivas e de intervenção.

Transtornos alimentares
Cinqüenta artigos discutiram os transtornos alimentares na adolescência. Igualmente às demais categorias, a publicação de trabalhos aumentou a partir de 2000, concentrando-se 70% dos artigos entre 2000 e 2005. A maior contribuição originou-se da área medica (56%) e Psicologia (21%).

O foco de interesse (83%) foi a descrição do comportamento anorético e bulímico, a identificação e prevalência dos casos a compreensão neuropsicológica e psicodinâmica do adolescente com transtornos alimentares.

As intervenções nos transtornos alimentares foram abordadas por meio das experiências de equipes especializadas, da clinica hospitalar e de técnicas grupais, psicodinâmica e cognitiva. Predominaram discussões teóricas baseadas em compreensões das alterações da imagem corporal, da dinâmica da personalidade e de conflitos familiares.

Saúde mental
Ao todo, 37 trabalhos foram identificados, cobrindo as áreas de Psicologia e Psicanálise (50%), Medicina (35%) e Saúde Coletiva (16%). As temáticas mais freqüentes abordaram questões epidemiológicas das demandas psicológicas de instituições de atendimento ao adolescente. Nesse caso, os trabalhos tinham como foco de interesse inquéritos de morbidades em clínicas-escolas ou ambulatórios. Os trabalhos identificaram a alta procura de atendimento clínico por crianças e adolescentes, constituindo quase que 50% da clientela. A necessidade de pesquisas na área da saúde mental da infância e da adolescência e o desenvolvimento de abordagens terapêuticas focalizando serviços comunitários foram ações consideradas prioritárias para o atendimento em saúde mental.

Também foram encontrados trabalhos dirigidos ao profissional da saúde oferecendo informações sobre transtornos mentais na infância e adolescência. Os modelos compreensivos abordaram características interacionais de desenvolvimento e análises psicodinâmicas das mudanças da adolescência. No primeiro caso, destacavam-se as etapas de desenvolvimento individual e familiar em conjunto com a exposição às situações de risco, identificando os eventos traumáticos e a resiliência individual e familiar. No último caso, prevaleceram análises teóricas ou estudos de casos discutindo a compreensão psicanalítica sobre a adolescência.

Artigos sobre psicose na adolescência totalizaram oito trabalhos, metade destes organizados acerca da forma de discussão teórica sobre o adolescente psicótico, a necessidade de apoio familiar ao adolescente psicótico 99 e discussões psicanalíticas"

Trabalho todo e bibliografia em:
BENETTI, Sílvia Pereira da Cruz et al. Adolescence and mental health: a review of the Brazilian literature. Cad. Saúde Pública ,  Rio de Janeiro,  v. 23,  n. 6, 2007 . 

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