Dependência Química

Dependência é uma doença crônica, com busca e consumo compulsivo de drogas.
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A Dependência Química é um conjunto de fenômenos que envolvem o comportamento, a cognição e a fisiologia corporal conseqüente ao consumo repetido de uma substância psicoativa, associado ao forte desejo de usar esta substância, juntamente com dificuldade em controlar sua utilização persistente apesar das suas conseqüências danosas. Na dependência geralmente há prioridade ao uso da droga em detrimento de outras atividades e obrigações sócio-ocupacionais.

A tolerância é o primeiro critério relacionado à dependência. Tolerância é a necessidade de crescentes quantidades da substância para se atingir o efeito desejado ou, quando não se aumenta a dose, é entendida também como um efeito acentuadamente diminuído com o uso continuado da mesma quantidade da substância. O grau em que a tolerância se desenvolve varia imensamente entre as substâncias.

Existe um padrão de uso repetido da substância que geralmente resulta em tolerância, abstinência e comportamento compulsivo de consumo da droga. Um diagnóstico de Dependência de Substância pode ser aplicado a qualquer classe de substâncias. Os sintomas de dependência são similares entre as várias substâncias, variando na quantidade e gravidade de tais sintomas entre uma e outra droga. Os sintomas psíquicos e sociais decorrentes da dependência do fumo, por exemplo, são absolutamente menores do que aqueles da dependência ao álcool.

Chama-se "fissura" o forte impulso subjetivo ou compulsão incontrolável para usar a substância. Embora não seja especificamente relacionada como um critério, a “fissura” tende a ser experimentada pela maioria dos indivíduos com Dependência de Substância (se não por todos). A dependência é definida como um agrupamento de três ou mais dos sintomas relacionados adiante, ocorrendo a qualquer momento, no mesmo período de 12 meses.

Os indivíduos com uso pesado de opióides e estimulantes podem desenvolver níveis gravíssimos de tolerância, por exemplo, como se necessitasse dez vezes mais quantidade depois de algum tempo. Freqüentemente essas dosagens da tolerância seriam letais para uma pessoa não-usuária. Muitos fumantes consomem mais de 20 cigarros por dia, uma quantidade que teria produzido sintomas de toxicidade para uma pessoa que está começando a fumar.

Os indivíduos com uso pesado de maconha em geral não têm consciência de que desenvolveram tolerância, embora esta tenha sido largamente demonstrada em estudos com animais e em alguns indivíduos. A tolerância pode ser difícil de determinar com base apenas na estória oferecida pela pessoa, porém, os testes laboratoriais acabam mostrando altos níveis sangüíneos daquela substância, juntamente com poucas evidências de intoxicação, o que sugere fortemente uma provável tolerância.

 Critérios para Dependência de Substância

Um padrão mal-adaptado de uso de substância, levando a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo, manifestado por três (ou mais) dos seguintes critérios, ocorrendo a qualquer momento no mesmo período de 12 meses:
(1) tolerância, definida por qualquer um dos seguintes aspectos:
(a) necessidade de quantidades progressivamente maiores da substância para adquirir a intoxicação ou efeito desejado
(b) acentuada redução do efeito com o uso continuado da mesma quantidade de substância
(2) abstinência, manifestada por qualquer dos seguintes aspectos:
(a) síndrome de abstinência característica para a substância
(b) a substância (ou outra estreitamente relacionada a ela) é consumida para aliviar ou evitar sintomas de abstinência
(3) a substância é freqüentemente consumida em maiores quantidades ou por um período mais longo do que o pretendido
(4) existe um desejo persistente ou esforços mal-sucedidos no sentido de reduzir ou controlar o uso da substância
(5) muito tempo é gasto em atividades necessárias para a obtenção da substância (por ex., consultas a múltiplos médicos ou fazer longas viagens de automóvel), na utilização da substância (por ex., fumar em grupo) ou na recuperação de seus efeitos
(6) importantes atividades sociais, ocupacionais ou recreativas são abandonadas ou reduzidas em virtude do uso da substância
(7) o uso da substância continua, apesar da consciência de ter um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente que tende a ser causado ou exacerbado pela substância (por ex., uso atual de cocaína, embora o indivíduo reconheça que sua depressão é induzida por ela, ou consumo continuado de bebidas alcoólicas, embora o indivíduo reconheça que uma úlcera piorou pelo consumo do álcool)

O dependente pode até expressar um desejo persistente de reduzir ou regular o uso da substância, mas reluta sempre em decidir deixar de vez a substância. E com freqüência já deve ter havido muitas tentativas frustradas de diminuir ou interromper o uso. A questão essencial, de fato, está no fracasso do dependente se abster de usar a substância, apesar das evidências do mal que ela vem causando.

Em geral o dependente dedica muito tempo obtendo a substância, usando-a ou recuperando-se de seus efeitos. Em alguns casos de Dependência de Substância, virtualmente todas as atividades da pessoa giram em torno da substância.

As atividades sociais, ocupacionais ou recreativas podem ser seriamente prejudicadas, abandonadas ou reduzidas em virtude da dependência ou uso bastante abusivo da substância, e o dependente pode afastar-se de atividades familiares a fim de usar a droga em segredo ou para passar mais tempo com amigos usuários da substância.

As primeiras experiências com drogas ocorrem, freqüentemente, na adolescência. Vários trabalhos, incluindo a Organização Mundial de Saúde (OMS) têm evidenciado a precocidade da faixa etária do início do uso de drogas, geralmente dentro da adolescência, entre 10 e 19 anos.

Fisiologicamente, na adolescência as regras costumam ser questionadas e contestadas e, juntando-se o fato desta ser uma época de experimentações, surge um risco maior para o uso de drogas ilícitas, álcool e fumo. Todavia, felizmente, nem todas as pessoas que experimentam drogas se tornam dependentes, porém, quando ocorre, a dependência química é uma doença complexa, de tratamento longo e nem sempre eficaz.

Quando se pesquisam as causas para a dependência química é acaba-se sempre concluindo ser esta multideterminada, ou seja, multifatorial. Existem alguns fatores fortemente associados ao uso abusivo de drogas e dependência química, como por exemplo, os fatores genéticos, psicológicos, familiares e sociais. Em geral parece que esses fatores não costumam agir isoladamente e sim em conjunto.

Causas existenciais atribuídas ao uso de drogas
Aqui vamos comentar algumas influências sócio-ambientais no uso de drogas, ou seja, nas influências do destino vivencial da pessoa sobre seu comportamento, pensamento e sentimento.

Família – Dentre os inúmeros fatores associados à dependência química, a família, ou, mais precisamente, as atitudes da família com propósitos educativos parece ser um fortíssimo fator de intervenção e influência, principalmente em relação à prevenção da dependência. Dessa maneira, o meio familiar pode ser um importante elemento de proteção ou, ao contrário, de facilitação dos comportamentos de risco, do abuso ou de uma possível dependência de drogas.

Segundo Pons (1998), os principais fatores familiares de proteção ao uso de drogas se encontram nos laços afetivos estabelecidos entre seus membros, no monitoramento das atividades e amizades do adolescente, na construção de escalas de valores éticos e no estímulo para condutas sociais adequadas.

Rebolledo, Ortega e Pillon (2004, citado por Broeker e Jou, 2007) analisaram 2.829 estudantes de ambos os sexos, com idades entre 12 e 17 anos, mediante o Test Drug Use Screening Inventory. Os autores constataram que a disfunção familiar e a existência de transtorno emocional prévio foram os fatores mais correlacionados ao maior risco para o uso de drogas.

Alguns outros pesquisadores (Pechansky, Szobot e Scivoletto, igualmente citados por Broeker e Jou, 2007) atribuíram à ausência do pai no domicílio do adolescente um risco 22 vezes maior chance de o adolescente ser dependente de drogas, quando comparado aos adolescentes que viviam com ambos os pais.

Sem nenhuma dúvida reconhece-se universalmente que o papel dos pais e do ambiente familiar é marcante no desenvolvimento dos filhos. A falta de suporte e estrutura familiar, bem como o comportamento de risco ou o uso de drogas pelos próprios pais são atitudes facilitadoras ao uso, abuso e dependência dos filhos.

Acredita-se, inclusive, haver uma relação entre o aumento no consumo de drogas e as mudanças sofridas pela estrutura familiar na modernidade. A entrada das mulheres para o mercado de trabalho e, conseqüentemente, a ausência proporcional de sua presença no lar sem dúvida acabou por conferir um novo perfil à família. Com isso pode ter havido uma crescente dificuldade no acompanhamento intensivo e na educação dos filhos.

Consumada essa nova estrutura familiar, juntamente com o grande e crescente número de separações conjugais, automaticamente inviabilizaram-se os modelos educativos das gerações passadas e novos modelos deverão ser aplicados. Como tudo o que é novo, diante do novo modelo educacional, onde participa cada vez mais as instituições e cada vez menos os pais, existe uma grande apreensão e insegurança sobre quais são, exatamente, as práticas educativas mais desejáveis.

Seriam consideradas práticas educativas desejáveis a sensibilidade para os sentimentos dos filhos, o envolvimento positivo nas atividades dos membros da família, o controle positivo da disciplina conscientizando o objetivo das regras e divisão da tomada de decisões. Seriam  consideradas práticas educativas indesejáveis a intromissão, o controle do comportamento através da culpa e da disciplina através da autoridade, a evitacão de participação nas decisões.

Evidentemente qualquer pesquisador de bom senso entenderá que a questão pais separados ou não, mãe trabalhando fora ou não, etc., etc., não pode ter um valor absoluto no modo de agir dos filhos. Em medicina a relação causal exige uma observância mais criteriosa. Se a questão fosse tão simples assim, todas as crianças criadas em instituições e orfanatos seriam dependentes químicos, sociopatas, prostitutas, marginais e assim por diante. 

Modelo Cultural – Outro fator existencial que pode contribuir para a busca por drogas está no modelo cultural. A cultura, através da mídia fortemente penetrante no pensamento do ser humano contemporâneo, influi sobremaneira na elaboração de escalas de valores.

A imagem propalada de usuários de drogas como pessoas interessantes, glamorosas, bem sucedidas sexualmente, artistas famosos, algumas vezes com destaque social e/ou econômico seguramente influi nos conceitos de certo-errado do jovem em formação.

O apelo para beber é absolutamente inegável em nossa sociedade ocidental. Não se vê, socialmente, uma pessoa convidando a outra para “ir lá em casa tomar um chazinho”, ou para comemorar algum sucesso em uma confeitaria. Entre os jovens, causa muita estranheza a pessoa recusar um copo de bebida alcoólica alegando simplesmente “eu não bebo”. Possivelmente sua imagem ficará algo arranhada, principalmente para o sexo oposto.

Também não se vê durante uma noitada de entretenimento, de forma alguma, um jovem alertando o outro sobre os riscos da dependência química. Muito pelo contrário; qualquer atitude normativa e de aconselhamento nesse sentido é pejorativamente tida como inadequada, retrógrada e aborrecedora.

Alguns ídolos do mundo artístico mortos por overdose de alguma droga acabam sendo até enaltecidos. São vários os filmes sobre biografias de grandes drogados, alguns com fortes traços sociopáticos, apresentando-os como pessoas interessantíssimas, fascinantes e meritosas.  

O valor e mérito social da pessoa na sociedade contemporânea parece estarem atrelados quase exclusivamente à sua condição de produção. O uso de drogas pode ser bastante tolerado se a pessoa for um bom aluno, um trabalhador regular, bem sucedido economicamente, enfim, se for alguém que convencionalmente se define como “uma pessoa de sucesso”. Mas não devemos esquecer que sendo “uma pessoa de sucesso” seu comportamento servirá como modelo para outras tantas pessoas, não necessariamente “de sucesso”.

A Pessoa – Agora vem uma questão capaz de arruinar qualquer raciocínio conclusivo aplicado às anteriores; a responsabilidade da pessoa em seu próprio destino. Não se desmerece, de forma alguma, a importância da família e da sociedade no desenvolvimento e no desígnio da pessoa, entretanto, a parte mais importante desse vir-a-ser continua sempre sendo ela mesma.

Juntamente com as pesquisas investigativas sobre a causalidade da dependência, devem-se enfatizar as pesquisas sobre a personalidade pré-mórbida do dependente, sobre seu histórico emocional, seus antecedentes psicopatológicos, sobre sua natureza genética, enfim, as pesquisas devem valorizar o dependente com o mesmo entusiasmo que valoriza o meio.

Como recomenda muito bem o existencialismo, didaticamente exposto em Sartre, de fato a pessoa não deve ser responsabilizada pelo que o destino fez com ela, mas é totalmente responsável pelo que ela vai fazer com aquilo que o destino fez com ela (veja mais sobre Dependência e Personalidade). 

Dados sobre o uso de drogas entre adolescentes no Brasil
Os adolescentes usuários e dependentes de drogas têm uma situação vivencial que pode ser comparada aos não dependentes da seguinte maneira:

Adolescentes Dependentes e Não Dependentes

Dependentes Químicos

%

Não está estudando

70,8%

Freqüentavam escolas públicas

79,2%

Repetência de ano pelo menos 1 vez

87,5%

Têm pais separados

79,2%

Não Dependentes

%

Estão estudando

87,5%

Freqüentam escolas particulares

79,2%

Não têm repetência

29,2%

Têm pais casados

62,5%

Broecker & Jou, 2007

 

 

Droga usada por adolescentes Dependentes e Não Dependentes

Droga

Depend.

Não Depend.

Maconha

96,0%

33,3%

Craque

79,2%

8,40%

Cocaína

50,0%

16,7%

Cola

41,7%

8,40%

Solventes

4,2%

12,5%

Broecker & Jou, 2007

Percepção da pessoa sobre sua própria dependência
Quanto, exatamente, o dependente químico reconhece sua própria dependência? A autopercepção com relação à drogadição é alta, pois, respondendo questionários anônimos com franqueza, 87,5% dos dependentes reconhecem ser dependentes químicos e admitem precisar de ajuda, e 89,4% dos sem-dependência disse não ter problemas em relação ao uso de drogas ilícitas.

Talvez o fato comum dos dependentes externarem um discurso de não reconhecem ostensivamente sua própria dependência seja um mecanismo de defesa de pseudo-negação da angustiante penúria existencial em que se encontram.

Entre os adolescentes brasileiros o consumo de drogas tem sido pesquisado por vários autores, havendo alguma discrepância bem pouco significativa entre os resultados. Em relação as drogas mais consumidas os resultados de Tavares, Béria e Silva Lima são os seguintes:

Subst. mais consumidas

Freqüente

Predomínio

Álcool

86,8%

24,2%

Meninos

Maconha 

19,9%

4,9%

Meninos

Solventes

18,2%

2,5%

Meninos

Anfetamínicos

8,4%

2,3%

Meninas

Tabaco

41,0%

28,0%

Meninas

Cocaína

3,2%

 2,3%

Meninos

Beatriz Franck Tavares, Jorge Umberto Béria e Maurício Silva de Lima - Rev Saúde Pública 2001;35(2):150-158 (2.410 estudantes entrevistados)

O uso freqüente e intoxicações por álcool foram mais prevalentes entre os meninos. Há a associação positiva entre uso de drogas (exceto álcool e tabaco) e
• Turno escolar noturno,
• Maior número de faltas à escola
• Maior número de reprovações escolares.

Embora sejam países com realidades muito diferentes, a comparação entre Brasil e Estados Unidos é válida, tendo em mente que em nosso país a sociedade tem uma tendência inexorável de arremedar costumes e comportamento dos americanos. O  levantamento domiciliar realizado pelo CEBRID buscou em todos os detalhes acompanhar o dos americanos, o que torna a análise de ambos interessantes. Os dados do estudo americano foram retirados do SAMSHA, 2001, referindo à pesquisa feita em 2000.

Comparação dos resultados do Brasil e EUA para o uso das diversas drogas psicotrópicas.

DROGAS

Uso na vida

Brasil %     

EUA%

Qualquer Droga*

19,4

38,9

Maconha

6,9

34,2

Cocaína

2,3

11,2

Crack

0,4

2,4

Heroína

0,1

1,2

Alucinógenos

0,6

11,7

Solventes

5,8

7,5

Opiáceos

1,4

8,6

Tranqüilizantes

3,3

5,8

Estimulantes

1,5

6,6

Álcool

68,7

81,0

Tabaco

41,1

70,5

* - exceto álcool e tabaco

CEBRID – disponível em

http://www.cebrid.epm.br/levantamento_brasil/parte_5.pdf

Consumo de maconha no Brasil
Estudo feito pelo CEBRID abrangendo 107 cidades com mais de 200 mil habitantes sobre o consumo de maconha no Brasil. Exceto tabaco e álcool, o uso na vida, no total das drogas foi de 19,4%, sendo a maconha a droga que teve maior uso experimental com 6,9%. A região Sul do Brasil foi à campeã em porcentagens de uso na vida para a maconha com 8,4% de usuários.

 A dependência de maconha ,ao contrário do que sempre se divulgou com duvidosa intenção, existe sim e apareceu em 1,0% dos entrevistados, o que equivale a uma população estimada de 451.000 pessoas no país. Este é provavelmente um número muito otimista, considerando as dificuldades em se obter respostas sinceras. A região Sul foi aquela onde apareceram as porcentagens mais expressivas de dependentes de maconha 1,6% dos entrevistados.

Prevalência (uso na vida) de maconha e cocaína

 

Maconha*

Cocaína**

EUA

34,2%

11,2%

Reino Unido

25,0%

3,0%

Dinamarca

24,3%

1,7%

Espanha

19,8%

3,2%

Chile

19,7%

4,5%

Holanda

19,1%

2,6%

Grécia

13,1%

1,0%

Suécia

13,0%

1,0%

Brasil

6,9%

2,3%

Colômbia

5,4%

1,6%

Alemanha

4,2%

0,2%

Itália

 

3,5%

Portugal

 

1,3%

*- CEBRID

** - Ospina,1997; CONACE, 2001, 2005; EMCDDA, 2005; NIDA, 2005; CICAD, 2005

Poucos países separaram o uso de crack da cocaína. No Brasil o uso na vida de crack foi de 0,7%, no Chile é de 1,4% e nos Estados Unidos 2,6% (CONACE, 2005; NIDA, 2005). As regiões com maiores porcentagens de uso de crack no Brasil foram a região Sul com 1,1% e a Sudeste com 0,8%. A capital com maior uso na vida de crack foi João Pessoa com 2,5% dos estudantes.

Nos EUA houve um aumento significativo de usuários nocivos e dependentes de maconha entre os anos de 1992 e 2002 (30,2% e 35,6% de usuários, respectivamente). Este aumento pode estar relacionado, em parte, ao aumento do potencial de dependência da maconha. Isso talvez seja conseqüência do amento de 66% no teor da substância ativa da maconha (chamada de THC) nesse período. Com técnicas sofisticadas de apuração da planta o THC na amostra de maconha analisada em 1992 era de 3,01%, contra 5,11% da maconha analisada em 2002.

Em um estudo prospectivo, iniciado em 1970, com acompanhamento por 12 anos, mostrou-se que 1 em cada 4 usuários de maconha desenvolveram síndrome de dependência no período compreendido entre a adolescência e a idade adulta jovem.

Aumento do consumo de maconha no Brasil
Dados do CEBRID em 10 capitais, onde foram realizados levantamentos anteriores entre estudantes, pode-se notar que a tendência par o uso na vida (pelo menos uma vez na vida) foi aumentar em oito capitais, exceto em Brasília e Salvador. O uso de maconha nos quatro levantamentos realizados pelo CEBRID, entre estudantes do ensino fundamental e médio, de dez capitais brasileiras (1987, 1989, 1993, 1997 e 2004) passou de 2,6 em 1987 para 6,5 % em 2004.

Uso de maconha entre meninos de rua em 4 capitais

Capitais

1987

2003

São Paulo

43,7%

73,8%

Rio de Janeiro

20,0%

59,3%

Brasília

21,9%

52,3%

Porto Alegre

29,3%

21,3%

A maconha é a substância ilícita mais consumida nas sociedades ocidentais. Três questões referentes ao consumo de maconha são discutidas atualmente:
• O início do consumo cada vez mais precoce na adolescência;
• A potência cada vez maior das novas apresentações de canabis e
• O aumento progressivo da prevalência do uso.

A Dependência Química é um dos transtornos mentais mais comuns, acometendo as mais diversas faixas etárias, porém, mais comumente iniciado na adolescência e juventude. Consumir drogas é uma prática milenar e universal e não há sociedade que não conheça algum tipo de droga com as mais diversas finalidades.

A adolescência é uma etapa do desenvolvimento que suscita grandes preocupações quanto ao consumo de drogas, principalmente por conta da vulnerabilidade à todo tipo de influência e frustrações. As causas da dependência aparentemente são múltiplas, desde genéticas, culturais, até vivenciais, o tratamento é dificílimo e o prejuízo na vida pessoal do dependente é incalculável.

 

 

 

para referir:
Ballone GJ - Dependência Química - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2010.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Baus J, Kupek E,Pires M - Prevalência e fatores de risco relacionados ao uso de drogas entre adolescentes. Revista de Saúde Pública, 36(1), 40-46 (2002).

Broecker C Z, Jou G I - Práticas educativas parentais: a percepção de adolescentes com e sem dependência química. Psico-USF, v. 12, n. 2, p. 269-279, (jul./dez. 2007)

Carlini E, Galduróz J, Noto A, Nappo S - Levantamento domiciliar sobre o uso de drogas no Brasil.

Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. Departamento de Psicobiologia da Escola Paulista de Medicina e SENAD – Secretaria Nacional Antidrogas, Presidência da República, Gabinete de Segurança Nacional (2001).

CONACE – Consejo Nacional para el Control de Estupefacientes, Ministerio del Interior. Tercer estudio nacional de consumo drogas en Chile 2000. Sistema Nacional de Información sobre Drogas, Chile, 125p, (2001).

Ospina ER – Estudio Nacional sobre Consumo de Sustancias Psicoactivas Colombia. Fundacion Santa Fe de Bogotá,129p, (1997)

Pons J - El modelado familiar y el papel educativo de los padres en la etiología del consumo de alcohol em los adolescentes. Revista Española de Salud Publica, 72(3), 251-266 (1998).

Santos Filho LG - CEBRID - Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas. disponível em http://www.gan.com.br/campanhas-e-projetos/seja-diferente/80-cebrid-centro-brasileiro-de-informacoes-sobre-drogas-psicotropicas

Tavares BF, Béria JH, Silva de Lima M - Prevalência do uso de drogas e desempenho escolar entre adolescentes. Revista de Saúde Pública;35(2):150-158 (2001).




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Falsas crenças iludem jovens sobre a cocaína
O alerta do serviço britânico de saúde é que "a cocaína é uma droga muito prejudicial para os indivíduos e, mais amplamente a sociedade, e as provas do contínuo aumento da prevalência do consumo de cocaína é profundamente preocupante".

A falsa crença de que a cocaína é uma droga "relativamente segura" tem levado jovens a um consumo até cinco vezes maior que há 15 anos. Atualmente na Inglaterra 6,6% dos usuários de cocaína tem entre 16 a 24 anos, em comparação com 1,3% em 1996. O uso entre pessoas com idade de 16-59 anos, ou seja, quase a totalidade dos usuários, aumentou de 0,6% a 3% durante este mesmo período.

Além dos inegáveis prejuízos sociais associados ao uso da cocaína ressaltam-se os danos à saúde. A pureza média da cocaína apreendida vem progressivamente caindo, chegando a 15,5% em 2009, fato que tem sérias implicações à saúde dos usuários devido ao de agentes químicos que podem estar presentes em uma amostra. Isso ajuda a reforçar a idéia cada vez mais comum que a cocaína é uma droga relativamente segura (fonte).

Este e mais outros fatores fazem com que as apreensões de cocaína no Brasil tenham aumentando consideravelmente nos últimos anos e mais do que dobraram desde o início da década, segundo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O documento da Junta Internacional Fiscalizadora de Entorpecentes (Jife) indica que as apreensões de cocaína no Brasil totalizaram 19,7 toneladas em 2008, um aumento de cerca de 15% em relação ao ano anterior. As apreensões de maconha no Brasil, por outro lado, tiveram uma pequena queda em 2008, segundo o relatório da Jife. Naquele ano, o Brasil apreendeu 187,1 toneladas da droga, contra 199 toneladas no ano anterior.

A quantidade de cocaína apreendida no Brasil mais do que dobrou em relação a 2001, o primeiro ano com estatísticas disponíveis. Naquele ano, foram apreendidos pelo país 8,3 toneladas da droga.

 Além dos inegáveis prejuízos sociais associados ao uso da cocaína ressaltam-se os danos à saúde. A pureza média da cocaína apreendida vem progressivamente caindo, chegando a 15,5% em 2009, fato que tem sérias implicações à saúde dos usuários devido ao de agentes químicos que podem estar presentes em uma amostra, além dos efeitos deletérios sobre os neurônios proporcionados pela própria droga.  (Veja também
Dependência Química e Doenças Mentais)

 

 

Exercícios fazem bem na Dependência Química
Sempre ouvimos dizer que exercício físico “faz bem”. Na maioria das vezes trata-se de uma recomendação popular, muito mais popularmente sabida do que cientificamente comprovada. A primeira questão é saber o que, exatamente, significa esse “faz bem”? Bem para que e como?

Em psiquiatria, também é voz corrente que os exercícios “fazem bem”, mas poderíamos acrescentar à lista de benefícios popularmente estabelecidos, e com os mesmos critérios intuitivos, também o guaraná em pó, brócolis, clorofila, etc...  

Mas os exercícios físicos têm um efeito fascinante na população geral. Em 2003 foi realizada uma pesquisa com estudantes universitários do campus da UNESP de Bauru, através de um website de saúde. Entre os hábitos de vida considerados mais prejudiciais foram citados, em ordem decrescente a má alimentação, uso de bebidas alcoólicas, sedentarismo, dormir mal e fumar. Pr outro lado, como hábitos saudáveis, a prática regular de exercícios físicos aparece em primeiro lugar, considerado por 42% dos estudantes.

Apesar da expressiva quantidade das pessoas pesquisadas que acha os exercícios o hábito mais salutar de vida, 40% delas pratica exercícios menos de 3 vezes por semana, quase 40% mais de três vezes por semana e 20% nunca pratica nada.

De fato, a prática de exercícios faz bem, no entanto, para não ficarmos apenas no popularmente sabido, vamos ver mais academicamente os efeitos dos exercícios físicos na saúde emocional. Já foi visto na página Ansiedade e Esportes, algo sobre a influência da ansiedade na performance dos esportes ou esportistas.

Agora, vejamos a influência dos esportes e exercícios em geral (atividade neuro-muscular) sobre as alterações psico-emocionais e vice-versa, ou seja, as alterações sobre o sistema neuro-muscular causadas pelas emoções. Tecnicamente o mais correto é falar em aspectos psicobiológicos dos exercícios físicos. O termo psicobiológico diz respeito aos aspectos emocionais e orgânicos.

Foi a partir da década de 70 que se verificam os primeiros trabalhos científicos relacionando o exercício aeróbio e as suas repercussões sobre o humor e sobre a ansiedade.

Dependência Química, Alcoolismo e Exercícios

Existem vários estudos sobre dependência e uso de drogas no Brasil e uma dessas pesquisas foi realizada pelo Centro Brasileiro de Informações Sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), entidade ligada à Escola Paulista de Medicina.

Segundo a pesquisa do Cebrid, a maconha é consumida por quase 7% da população e a cocaína é usada por cerca de 2% dos brasileiros. Contudo, ao lado dessas substâncias, existe o gravíssimo problema das drogas legalizadas, ou seja, do álcool, tabaco, ansiolíticos e anfetaminas ou inibidores do apetite.

O álcool, por exemplo, de acordo com o Cebrid, em pesquisa de 2004, é consumido por quase 70% dos brasileiros entre 12 e 65 anos de idade. Teoricamente, o uso e abuso dessas substâncias podem levar à dependência química.

Um outro levantamento sobre o uso de drogas psicotrópicas, realizado em 2001 pela Universidade Federal de São Paulo (1º. Levantamento Domiciliar Sobre o Uso de Drogas Psicotrópicas) mostrou que, no caso do cigarro, de 25% a 35% dos adultos dependem da nicotina. A prevalência da dependência de álcool no Brasil é de 17,1% entre os homens e de 5,7% entre as mulheres, segundo esse estudo.

Quase 20% dos entrevistados já haviam experimentado alguma droga que não álcool ou tabaco e, entre elas, destacaram-se a maconha, com 6,9% de prevalência, 5,8% para os solventes e 2,3% para a cocaína. Nos últimos 10 anos, houve uma mudança no consumo da cocaína, diminuiu o número de usuários da cocaína injetável e aumentou a quantidade de usuários do crack, que é uma forma mais agressiva ao sistema nervoso central da cocaína. Além disso, o crack gera uma dependência grave, mais rapidamente e de difícil tratamento.

O tratamento médico da dependência química é complicado, normalmente multidisciplinar e individualizado caso-a-caso. Por se tratar de uma doença crônica, os resultados do tratamento são semelhantes aos de outras doenças crônicas, como por exemplo, a asma, hipertensão, diabetes e outras.

Além da conduta médica, outras devem ser adotadas, como a prática de exercícios físicos, por exemplo. Mesmo sem um embasamento cientificamente estruturado, o condicionamento físico do dependente químico e do alcoolista sempre objetivou a eliminação das toxinas, a busca de um melhor relacionamento social, o estímulo para o lazer através da caminhadas e jogos, o resgate da auto-estima e a melhoria das condições músculo-esqueléticas e cardiocirculatórias.

De modo geral, após o tratamento da dependência, as recaídas são freqüentes. Nos primeiros seis meses 50% voltam ao vício e nos primeiro ano 90%.

Mas, essas altas taxas de recaída da dependência não invalidam as iniciativas de tratamento e um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento é a motivação e a conscientização da natureza patológica da dependência.

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