Alterações da Consciência

O mecanismo responsável pela formação da consciência ainda não encontra explicação satisfatória.
| Psicopatologia |


Popularmente, quando questionamos se uma pessoa tem ou não "consciência de seus atos", na realidade estamos tentando dizer se ela tem ou não "juízo crítico do que faz", uma qualidade ética, estética e moral da personalidade em sua interação com o sistema cultural de que faz parte.

A língua inglesa permite diferenciar dois tipos de consciência : conscience - que é a consciência em seu sentido moral e consciousness, traduzindo seu sentido psiconeural. O idioma português dispõe apenas de uma palavra para atender esses dois significados. Em neurociência consideramos o sentido psiconeural do vocábulo, o consciousness da lingua inglesa. Pelo conceito clássico, consciência é aquele estado em que a pessoa está ciente de suas ações físicas e mentais. O que só ocorreria, se ela estiver acordada e alerta ou não, se estivesse dormindo, em coma, ou sob anestesia geral.

A consciência em si, diz respeito à excitabilidade do sistema nervoso central aos estímulos externos e internos sob o ponto de vista quantitativo e, sob o ponto de vista qualitativo, à capacidade de integração harmoniosa destes estímulos internos-externos, passados e presentes. Portanto, em psiquiatria, perguntar se a pessoa está ou não consciente tem uma conotação muito diferente da mesma questão tratada neurologicamente. Na psiquiatria o que se quer saber é se o indivíduo tem capacidade de integrar dinamicamente e coerentemente suas vivências, na neurologia quer se saber se ele está vigil, desmaiado ou em coma.

Não trataremos aqui do aspecto psicodinâmico consciência-inconsciente, à despeito de sua substancial importância, mas apenas dos elementos psicopatológicos dos estados de consciência como parte da globalidade da vida psíquica num determinado momento, avaliados segundo o grau de contacto que esta consciência mantém com a realidade. Só contamos, entre as alterações da consciência, as perturbações que acontecem de forma aguda ou subaguda e de duração limitada.

Alterações Quantitativas
Em seu aspecto quantitativo a consciência pode estar diminuída ou aumentada. Entre as diminuições da consciência a forma mais suave é denominada de Obnubilação, quando então os estímulos devem ser intensificados para conseguir-se um acesso eficiente à consciência.

Recentes Pesquisas
O mecanismo responsável pela formação da consciência no ser humano não encontra nenhuma explicação, plenamente satisfatória até o momento. A consciência reflete sempre a individualidade e unidade do ser humano e, sem dúvida, seu aspecto mais relevante é sua característica unitária, onde todas as percepções, pensamentos e emoções são integrados e fundidos num mesmo e determinado momento.

Depois de muitos séculos tentando delimitar um sítio cerebral específico para a sede da consciência, tudo acabou indicando que esta não esteja circunscrita à nenhuma área cerebral específica, mas se espalha difusamente pelo cérebro, sendo, simultaneamente, uni-temporal e múlti-espacial. Essa visão global da consciência se alicerça na recente teoria das assembléias neuronais.

A teoria baseada nas assembléias neuronais representa um modelo muito convincente para a formulação de uma hipótese a respeito da consciência. Segundo essa teoria, o pensamento consciente é gerado quando vários neurônios de diversas colunas se unem funcionalmente e, atuando harmonicamente e em conjunto, constroem uma assembléia, iniciando assim a formação de um determinado estado consciente .

Essa teoria tem sido corroborada por constatações de que os neurônios são capazes de se associarem rapidamente, formando grupos (assembléias) funcionais para realizarem uma determinada tarefa. Uma vez que esta tarefa esteja terminada, o grupo se dissolve e os neurônios estão novamente aptos a se engajarem em outras assembléias, para cumprirem uma nova tarefa .

Há, ainda, um aspecto quantitativo acerca dessa assembléia neuronal, segundo a qual, quanto maior o número de neurônios recrutados, maior será o tamanho dessa assembléia e, em conseqüência, maior será essa determinada e recém criada consciência, em termos de intensidade e tempo de duração. Contrariamente, se for pequeno o número de neurônios recrutados, a consciência resultante será pequena em intensidade e duração.

Por outro lado, além do aspecto quantitativo da assembléia neuronal, haverá ainda uma propriedade de uni-temporalidade dessa determinada consciência formada, ou seja, a impossibilidade que se constitua, no mesmo tempo, uma segunda assembléia suficientemente grande para formar uma segunda experiência consciente. Apenas uma assembléia neuronal será suficientemente grande e eficiente para criar as condições de uma experiência consciente. Assim só nos é possível vivenciar uma consciência de cada vez. Logo, essa consciência será uni-temporal.

Através da formação continuada de assembléias neuronais os fenômenos conscientes se sucederiam, continuamente, cada um diferindo dos demais em duração e intensidade, de acordo com o tamanho das assembléias. Esse dinamismo faria com que a substituição de uma vivência consciente pela que se segue seja tão rápida, ao ponto de nos provocar uma falsa sensação de simultaneidade.

Apesar da teoria das assembléias neuronais ser fisiologicamente bastante atraente, como explicar a mobilização funcional de um determinado grupo de neurônios ao ponto de se tornarem uma unidade funcional de caráter transitório? Vários modelos especulativos tentam explicar a convocação simultânea de um grupo de neurônios para formar a assembléia, a maioria delas baseada na passagem de estímulos elétricos e vibrações moleculares nas paredes de neurônios de forma a compatibilizar o grupo a ser formado.

De qualquer modo forma-se uma assembléia neuronal e, numa ínfima fração de tempo, a consciência da vivência se formaria. Essa consciência seria recém formada a partir da mobilização simultânea de um determinado número de neurônios por um período de tempo variável e, imediatamente depois de terminada sua função, seria substituída por outra assembléia (consciência), depois por outra e, sucessivamente outras.

No Instituto Weizmann, em Israel, através de contrastes sensíveis à voltagem elétrica, está sendo possível visualizar os neurônios que se ativam e provocam uma resposta cerebral gradualmente crescente à medida que mais e mais neurônios vão sendo mobilizados.

Aspectos Psicodinâmico
O estudo da consciência mostra não existirem funções mentais, sejam intelectuais, afetivas, mnêmicas ou volitivas independentes do contexto geral da vida psíquica. A decomposição analítica da consciência em fenômenos particulares e individualizados dá-se apenas por necessidade metodológica, apenas para facilitar o estudo da atividade psíquica.

Todos os processos psíquicos se apresentam como uma totalidade, ou melhor, como atividade sintética em que os fenômenos se encontram vinculados dinamicamente uns aos outros, estabelecendo-se entre eles uma relação de integração.

No estudo da consciência, é indispensável considerar a conexão dinâmica existente entre todos os processos psíquicos, representando-a como um complexo de fenômenos psíquicos que se apresentam na unidade de tempo e que permitem o conhecimento do próprio eu e do mundo exterior. Funcionalmente, e por razões mais didáticas que fisiológicas, a consciência humana pode ser entendida como a zona cognoscível de nossa vida psíquica, que se encontra em situação diferente de outra zona mais obscura, à qual chamamos inconsciente.

Aspecto Subjetivo e Objetivo da Consciência
A consciência pode ser encarada sob dois aspectos: o subjetivo e o objetivo.
A Consciência Objetiva é a propriedade de serem os fenômenos conscientes conhecidos pelo indivíduo. A Consciência Subjetiva tem seu conteúdo no plano subjetivo sob a forma de percepções, representações, conceitos, etc.

A realidade exterior proporciona continuadamente estímulos à nossa consciência, assim como também chega ao campo da consciência uma série de sensações cenestésicas (proprioceptivas) de nossa realidade interior.

O conjunto da vida psíquica considerada como atividade consciente deve levar em conta alguns aspectos inerentes à própria consciência. Em primeiro lugar devemos considerar a continuidade da consciência, ou seja, a natureza ininterrupta do fluxo da consciência individual. Devido à essa continuidade dinâmica é que as vivências atuais se juntarão às do passado, constituindo uma sucessão existencial contínua e cujo último significado será representado pelas impressões desse determinado momento atual.

Em segundo lugar, a consciência não constitui algo estático e imóvel mas, pelo contrário, ela está em perpétuo movimento, em mudança constante. Nossas idéias, representações, sentimentos e tendências se desenvolvem, se transformam, se dissolvem e se reconstituem incessantemente. A todo instante chegam à consciência novas impressões que enriquecem seu conteúdo, dão início a novos processos e, por sua vez, estabelecem uma interdependência com os fenômenos preexistentes.

Finalmente, além da continuidade de movimento e da constante mudança, a atividade da consciência obedece lei da dialética, ou seja, da tese, anti-tese e síntese, inerente a todos os fenômenos naturais.

Vigilância (aspecto quantitativo)
O termo consciência, em português, poderia suscitar dois significados; um sentido moral e ético, como é o caso dos ingleses com a palavra consciente, e um sentido psiconeurológico (consciousness, em inglês). Aqui vamos considerar apenas o sentido psiconeurológico do vocábulo. Poderíamos entender a consciência como o estado em que a pessoa está ciente de suas ações físicas e mentais, o que só ocorreria em estado acordado e alerta. Desta forma não haveria consciência, ao menos consciência plena quando dormindo, em coma, ou sob anestesia geral.

A cada conteúdo psíquico, a cada estado e processo psíquico, corresponde num momento dado um certo grau ou nível de consciência. Esse grau ou nível de consciência pode modificar-se com o tempo, para mais ou para menos, independentemente do conteúdo. Assim, reconhecemos modificações quantitativas da consciência. Quanto à qualidade das vivências conscientes, embora sejam suscetíveis de transformação ilimitada, não estariam atreladas ao grau ou nível da consciência mas à sua qualidade.

Outra questão que envolve alguns conceitos sobre a vigilância da consciência é em relação à situação estar muito concentrado num determinado pensamento ou fato e nem tanto concentrado em outros. Vimos isso ao estudar Atenção e Memória. Quando uma pessoa pensa, ela pode ou não estar ciente dessa ação mental. Isto é, um pensamento pode ser consciente ou não e, conforme vimos ao estudar o Foco da Atenção, imediatamente periférico ao foco da consciência estaria o subconsciente e mais perifericamente ainda o inconsciente.

Ao dirigirmos um carro, por exemplo, nossa consciência pode estar focada em vários pensamentos (conscientes) e, ao mesmo tempo estamos cientes do trânsito e manobrando o veículo. Essas atitudes mentais seriam como que automáticas, das quais não estamos tomando ciência absoluta.

Pesquisas neurofisiológicas demonstraram que o Sistema Reticular Ativador é o principal mecanismo responsável pelo estado de vigília e de sono. Estando em conexão íntima com os centros hipotalâmicos da vigília e do sono, o Sistema Reticular Ativador é o responsável pela regulação do nível de vigilância. Nesse particular, as diferentes gradações da vigilância correspondem a diferentes graus de consciência, que podem ir, gradualmente, da completa lucidez da consciência à inconsciência.

Embora não se consiga definir a consciência facilmente em fisiologia, podemos afirmar que a tomada de consciência necessita, no mínimo, de dois mecanismos; um de análise, baseado na atividade cortical, possivelmente através da assembléia neuronal, e outro, o reticular, que é representado pelo grau de vigilância (atividade funcional) necessário à atividade do primeiro.

Os diferentes graus de vigilância são suscetíveis de ser registrados por métodos de investigação. Trabalhando com contrastes sensíveis à voltagem elétrica, Ginvald, tornou possível visualizar os neurônios se acendendo em larga escala mediante estimulação psíquica . O simples eletroencefalograma já mostrava que em estado de completa relaxação, com ausência de estímulos exteriores, a atividade elétrica cortical se processa num ritmo de 8 a 92 ciclos por segundo, o que corresponde ao ritmo alfa. Esse ritmo de base tende a modificar-se no sentido de uma aceleração nos estados de grande tensão psíquica, como também pode tornar-se lento, com um registro de 2 a 3 ciclos por segundo, ou ainda mais lento nos estados de coma .

Pode ser chamada de vigilância um estado de reatividade da consciência à situação atual, podendo esta reatividade estar à um nível elevado, corresponde a uma atividade consciente crítica, ou estar num baixo nível de vigilância, correspondendo a uma reatividade automática de conservação.

Além da vigilância necessária à ativação da consciência há também processos de direcionamento da atividade consciente e, contrapondo-se à excitação do sistema nervoso central que origina o movimento incessante da consciência, há também uma certa inibição, cuja finalidade seria regular e dirigir em determinado sentido a atividade desta ou daquela função. Nesse particular, desempenha papel de grande significação a interdependência entre o córtex e a região subcortical. Desde Pavlov acredita-se que a tonicidade do córtex cerebral provém da região subcortical, que tem grande importância para a conservação do tônus geral e afetivo.

1 - Obnubilação da Consciência
A Obnubilação da Consciência se caracteriza pela diminuição da sensopercepção, lentidão da compreensão e da elaboração das impressões sensoriais. Há ainda lentificação no ritmo e alteração no curso do pensamento, prejuízo da fixação e da evocação da memória, algum grau de desorientação e sonolência mais ou menos acentuada.

Devido ao prejuízo na fixação da memória, possivelmente devido também à alteração da atenção, a qual, embora possa ser despertada por estímulos sensoriais não representa um ponto inicial de alguma progressão psíquica, o paciente obnubilado não se lembra de quase nada do que se passa ou se passou consigo. Na consciência obnubilada nada de novo pode ser acrescentado.

Na Obnubilação da Consciência há também deterioração do pensamento conceptual, que se torna incoerente e fragmentário. Com freqüência surgem formas alucinatórias, pseudo-alucinatórias ou delirantes. Embora o paciente não tenha condições de apresentar qualquer queixa somática, é possível verificar, pela expressão fisionômica, algum sentimento de sofrimento, inquietação, ansiedade, depressão, habilidade emocional ou irritabilidade.

A Obnubilação da Consciência pode se apresentar em graus variados, desde leve torpor até à vizinhança do coma. Em muitos casos, a obnubilação da consciência pode representar o primeiro grau da confusão mental ou pode constituir a fase inicial da instalação do coma.

O pensamento na Obnubilação da Consciência flui mais lentificado e se prende a representações mais isoladas, de tal forma que não é totalmente possível ter uma percepção globalizada da situação. Se, nesta diminuição da consciência os estímulos para determinar manifestações primitivas, como gemer ou balbuciar tiverem que ser muito intensos, falamos em Torpor. Um grau mais aprofundado que a Obnubilação e anterior à falta total de consciência, chamado de Estado de Coma, ou seja, a abolição total do contacto entre o indivíduo e o meio.

2 - Estado de Coma
Coma é o estado mais grave de perda da consciência e geralmente se acompanha de algum comprometimento neurológico e/ou somático grave. A vida de relação, os reflexos e os automatismos costumam estar bastante alterados, variando de acordo com a intensidade do estado comatoso. Havendo alguma atividade psíquica presente, ainda que confusa, fala-se de coma vigil.

No estado comatoso a consciência se acha profundamente alterada ou quase abolida, tanto assim que o enfermo não dispõe da capacidade de se manter atento ao mundo externo e, desse modo, ter consciência do que está sendo vivido. Os estados de coma são observados em todas as formas diretas ou indiretas de lesão cerebral.

Os distúrbios quantitativos da consciência fazem parte das preocupações da neurologia ou da clínica geral. Podem ser determinados por lesões cerebrais, traumas cranianos, distúrbios metabólicos ou intoxicações exógenas, medicamentosas ou não.

Ainda quantitativamente, a consciência pode estar aumentada, em estado de hipervigilância, onde os estímulos são percebidos com maior intensidade. O fluxo do pensamento é normalmente acelerado e, comumente, há uma exuberância psicomotora e das atividades em geral. Tal situação é mais comum nos estados de intoxicação por substâncias psicotrópicas estupefacientes. Quando esta hipervigilância está acompanhada de exaltação do humor estamos diante de um quadro de hipomania ou mania, conforme veremos adiante ao estudarmos os Transtornos da Afetividade.

Alterações Qualitativas
Em relação á qualidade da consciência, vamos ter alterações que dizem respeito à integridade do processo de conhecimento em seu aspecto mais global; vai desde a sensação até ao raciocínio abstrato. É a aptidão em apreender todos os fenômenos existenciais, interiores ou exteriores e integrá-los à uma unidade vital perfeitamente sabedora das circunstâncias presentes, passadas e futuras.

Na semiologia psíquica podemos averiguar o estado de consciência perscrutando-se a orientação global do indivíduo. A desorientação temporal mostra a incapacidade do indivíduo em situar-se cronologicamente quanto a época em que vive; dia, mês, ano, horário do dia, etc. Em relação ao espaço, a desorientação pode ser manifestada quando a pessoa não tem capacidade de reconhecer a disposição espacial do ambiente que ocupa, onde encontra-se a porta, a janela, o banheiro. Assim sendo, o estado de consciência é de fundamental importância para que o indivíduo oriente-se quanto a sua situação no mundo, seu relacionamento com a realidade e consigo próprio.

Fala-se em orientação quanto à situação a capacidade qualitativa em ter noção de toda circunstância existencial. Saber-se numa certa cidade, dentro de um hospital, nascido em tal data, filho de tais pessoas, situação civil, paternidade, situação familiar, etc.. Assim, quando o paciente não tem noção de encontrar-se no hospital, isso deve ser entendida como distúrbio quanto à situação geral. Da mesma forma, quando o indivíduo perde a noção de sua idade, não o caso de desorientação temporal; também aqui, trata-se de desorientação quanto à situação geral.

Desta forma, nos Distúrbios de Consciência podemos encontrar a desorientação espacial, temporal e quanto a situação geral. Faz parte também da semiologia da consciência a manutenção da crítica quanto à morbidez, ou seja, a argüição sobre a capacidade do paciente saber-se doente, saber-se confuso e atrapalhado mentalmente. Na ausência desta crítica sobre seu próprio estado dizemos não haver noção de morbidez.

1 - Delírio Oniróide
O Delírio Oniróide pode ser observado em pacientes toxi-infecciosos, com outras intoxicações crônicas e com enfermidades cerebrais orgânicas. Suas principais características são: obnubilação da consciência, desorientação e alucinações.

Algumas vezes pode-se observar sinais prodrômicos do Delírio Oniróide, quando então o paciente apresenta mal-estar, sono agitado, intranqüilidade, cefaléia e hiperestesias. Pode haver ainda agitação psicomotora. Em alguns casos, o quadro é o de uma leve excitação eufórica, com elevação do estado de ânimo, excitabilidade fácil e tendência incessante à movimentação.

Apesar de poder haver pródromos de pensamento lentificado e dificuldades da memória de fixação, quase sempre há um certo grau de excitação motora. Na maioria das vezes o quadro de Delírio Oniróide apresenta alucinações oníricas, algumas vezes alucinações auditivas, cenestésicas e idéias deliróides. Por causa disso a percepção do mundo exterior costuma estar completamente deformada pelas ilusões.

No Delírio Oniróide, ao contrário do que se observa na Obnubilação da Consciência, as reações afetivas são vivas e adequadas ao conteúdo da consciência, notando-se angústia, ansiedade, medo ou, por outro lado, satisfação alegria desmedida e euforia. É com essa afetividade que o enfermo participa ativamente das cenas produzidas por sua imaginação.

A intensidade do Delírio Oniróide é variável. Algumas vezes aumenta no período vespertino e esmaece durante o dia, assemelhando-se o quadro ao da obnubilação. Passado o Delírio Oniróide, que pode durar horas ou dias, invariavelmente há algum grau amnésia acerca do episódio.

2 - Amência ou Confusão Mental
Na Confusão Mental simples, também conhecida por Turvação da Consciência, ou ainda por Amência, perde-se a relação entre os processos psíquicos na realização do pensamento, da memória e da percepção. Neste estado as vivências não são coerentemente elaboradas e a associação dos estímulos faz-se de forma bizarra. A própria situação do indivíduo, dentro de seu contexto existencial, passa a ser confusa e desorganizada. O curso do pensamento parece incoerente e, embora fragmentos possam ser expressos de maneira compreensível, são intercalados por lapsos completamente alienados do tema ou da realidade. É uma alteração da qualidade porque o paciente confuso encontra-se vígil, respondendo, ainda que erroneamente, aos estímulos à ele dirigidos, portanto, sua "quantidade" de consciência está normal. A Confusão Mental está, freqüentemente, presente nas psicoses esquiozofreniformes, crises maníacas intensas, no delirium tremens, nas intoxicações por drogas e estados pós-traumáticos.

Por Amência Maynert descreveu uma perturbação mental caracterizada principalmente por turvação mais ou menos acentuada da consciência, acompanhada de fenômenos de excitação psicomotora. Kraepelin admitiu a Amência apenas como manifestação sintomática, que se desenvolve de forma aguda, com um quadro de confusão fantástica, acompanhada de distúrbios ilusórios e alucinatórios, e inquietação motora.
A Amência é caracterizada, principalmente, por obnubilação mais ou menos acentuada da consciência, com incoerência do pensamento e perplexidade, incapacidade do paciente apreender a realidade objetiva ao ponto de manifestar desorientação no tempo e no espaço, incompreensão da situação atual, lentidão do pensamento e das respostas e predominância de vivências alucinatórias.

O estado efetivo que acompanha a Amência é de caráter depressivo, ansioso ou mesmo fóbico. Em alguns casos, podem aparecer sintomas catatônicos, interpretações delirantes de ocorrências externas, idéias deliróides confusas e contraditórias. A atividade desenvolvida pelo paciente está de acordo com o estado geral. Freqüentemente se observa uma amnesia completa para o período agudo da Amência ou, quando não, apresenta apenas lembranças fragmentárias e inconsistentes.

A Amência aparece mais também no curso agudo das doenças infecciosas, evolui para a cura espontaneamente dentro de semanas, não deixar sintomas residuais e pode seguir com amnésia para certos acontecimentos e lembrança para outros.

3 - Estados crepusculares
Outra alteração da qualidade da consciência é o Estados Crepusculares ou, conforme preferem alguns o Estreitamento da Consciência. Neste estado o paciente parece estar totalmente voltado para dentro. Perambula como que ausente psiquicamente, automático e sem objetivos claramente definidos. O pensamento pode ser comparado a uma vivência onírica, pouco clara e da qual as lembranças são embasadas e turvas, não raras vezes nada é lembrado depois de passado o episódio do Estado Crepuscular.

Pode manifestar-se um pavor irracional ou uma agressividade extremada durante a crise. Entre as patologias que comumente proporcionam o Estado Crepuscular a Epilepsia tem lugar destacado mas não monopoliza todos os pacientes que apresentam este quadro. Situações psicotiformes reativas e vivências muito traumáticas podem "empurrar" o paciente para este estado de afastamento momentâneo de uma realidade sofrível.

Portanto, o Estado Crepuscular é um estreitamento transitório da consciência, com a conservação de uma atividade mais ou menos coordenada, mais ou menos automática. Normalmente há falsa aparência de que o paciente está compreendendo a situação. Em geral, a percepção do mundo exterior é imperfeita ou de todo inexistente.

Em alguns casos de Estado Crepuscular, é possível observar a presença de alucinações e idéias deliróides, mas isso não é a regra. A conduta do enfermo durante o episódio, à primeira vista, pode parecer ordenada mas, na realidade, a maioria de suas atitudes é automática.

Durante o Estado Crepuscular o paciente pode estar dominado por impulsos e, uma vez conservada sua capacidade de decisão e de ação, pode praticar atos incompreensíveis, agressivos, impulsivos e violentos contra pessoas. Essa espécie de automatismo resulta que o doente pode executar uma série de atos coordenados e com certa finalidade, embora inconscientes, tais como andar sem destino, enfrentar situações complexas como o sistema de transportes de uma grande cidade e até mesmo adquirir passagens e realizar viagens de longo percurso.

Os Estados Crepusculares costumam desaparecer rapidamente, mas, em alguns casos, podem durar muitos dias. Apresentam-se e terminam de modo súbito, acompanhando-se de amnésia em relação às vivências acessuais.

4 - Onirismo
O termo Onirismo é empregado para designar os estados de sonho patológico. O Onirismo se caracteriza pela predominância das representações imaginárias, resultando em perturbações sensoriais e sensitivas. Nesta situação, muitas imagens aparecem como nitidamente alucinatórias e tais representações compõem o fenômeno intelectual inicial, daí adquirem a forma de percepção, colocando em atividade os centros sensoriais das zonas sensitivas e sensoriais terminais.

Henri Ey comenta esse tema e diz que as lembranças e as imagens que participam da composição fantástica do Onirismo são, elas próprias, dotadas de forte coeficiente de realidade, de tal sorte que o conjunto adquire um perfeito caráter de nitidez e de realidade cênica. Será exatamente essa realidade cênica que constitui o material imaginário do qual, pelo menos em certos momentos, o paciente toma consciência .

Muitos autores estudaram esses casos de perturbações do sonhar, relatados como sonhos intensos e vivenciados por uma consciência em Estado Crepuscular, o que determina uma profunda alteração do imaginário e do próprio ato de sonhar. A descrição desses casos de Onirismo mostra a existência de uma obnubilação da consciência durante um Estado Crepuscular, onde as cenas oníricas desenroladas durante este Estado Crepuscular pudessem ser relembradas ao retornar o paciente às condições de normalidade.

5 - Estados Oniróides Imaginativos
Enquanto o Onirismo é tido como um estado de predomínio da atividade onírica, no sentido de sonho aleatório descrevem-se, também, os Estados Oniróides Imaginativos, nos quais se observa o predomínio da criação imaginativa da fantasia.

Mayer-Gross dedicou amplo estudo a esses estados, os quais denominou Experiência Delirante Oniróide. Esse estado descrito por Mayer-Gross pode ser encontrado tanto em casos perturbações mentais definidas, como também na experiência dos médiuns descritas como "visões", "transportes", "viagens" etc. Esses estados mereceram atenção especial de Henri Ey, que os considera verdadeira ficção orientada para o passado, para o futuro ou ainda para o espaço longínquo. Diz Ey que no Estado Oniróide Imaginativo desabrocham milhares de fantasias. Continuando, diz Henri Ey que, nos Estados Oniróides Imaginativos, a consciência está mais disponível do que nos estados de onirismo e o sonho é vivido através da imaginação do sonhador, o qual o vê em seu mundo, em seu corpo e em seu espírito, no espaço vivo de sua realidade .

Paim cita exemplos de Estados Oniróides Imaginativos mostrando fenômenos mediúnicos ou de desdobramento, descrito como uma espécie de sair de si mesma. O fenômeno de desdobramento, citado como exemplo é manifestado pela médium, sempre que ela se encontra em algum "estado de anormalidade física ou psíquica".

6 - Polarização da Consciência
Também a Polarização da Consciência é tida como alteração qualitativa. Trata-se de uma orientação forçada da consciência num determinado sentido, segundo uma forte tendência afetiva. É uma atitude mais focal e profunda que o estreitamento e nem sempre sugere um estado francamente mórbido. Pode ser encontrada nos estados hipnóticos, onde toda consciência permanece focalizada na palavra do hipnotizador. Outras vezes, tocado por intensa motivação afetiva, o indivíduo concentra toda sua consciência num determinado ponto (por exemplo uma música ou um estímulo visual) com alheamento para os demais estímulos à sua volta.

Alterações da Consciência do EU
Não se justifica o estudo das alterações da consciência do eu em capítulo à parte, desde que, nesses casos, trata-se de algo relacionado com a identidade pessoal. As alterações da consciência do eu normalmente estão relacionadas ao fato do indivíduo sentir-se possuído por entidades sobrenaturais, especialmente espíritos e demônios. No grupo das Alterações da Consciência do Eu incluem-se os seguintes transtornos:

1 - Estado de Êxtase
Estado mental transitório, no qual o indivíduo perde todo contato com o mundo sensível e experimenta um profundo sentimento de beatitude ou de graça, por encontrar-se absorvido na contemplação mística e/ou espiritual. Algumas pessoas com prática em meditação podem experimentar estados de êxtases de duração muito variável. Portanto, para se atingir voluntariamente o estado de êxtase, é necessário um treinamento especial ou preparação através de exercícios espirituais.

Também alguns estados psicopatológicos, como por exemplo na histeria, em alguns casos de esquizofrenia ou em crises de mania podemos observar Estados de Êxtase. Nesses casos a consciência fica polarizada ao objeto da meditação e a pessoa abstêm-se voluntariamente de contactar o restante da realidade, tal como ocorreria numa auto-hipnose.

2 - Transitivismo
Transitivismo é o fenômeno onde o enfermo sente-se transformado em outra pessoa, como se fosse uma despersonalização. Em psicopatologia, o Trativismo consiste no desaparecimento da relação entre o corpo e os objetos do meio exterior, como uma impossibilidade de estabelecer a distinção entre aquilo que é próprio do indivíduo e aquilo que pertence ao meio exterior, havendo um apagamento dos limites entre a pessoa e o exterior.

Apesar do fenômeno poder aparecer sob a influência de severa angústia, na maioria das vezes prenuncia o desenvolvimento de uma psicose ou, quando não, ocorre na vigência de uma lesão dos hemisférios cerebrais ou alguma outra da maturação neurológica. Por falta dessa maturação o fenômeno pode ser observado como manifestação patológica em crianças entre 4 e 8 anos de idade.

No curso da esquizofrenia o Transitivismo, se apresenta como sintoma de primeira ordem, quando então o enfermo situa em seu corpo um objeto exterior; seus órgãos se transformaram ou se comunicam uns com os outros, sem consideração as realidades anatômicas. Nessa situação as ações parecem comandadas de fora e acompanhadas da sensação de influência.

3 - Possessão
O fenômeno da possessão tem caráter universal e a psicopatologia tenta explicá-lo em termos de sugestão ou auto-sugestão ou como resultado de desdobramentos do eu. Evidentemente a crença cultural em espíritos desempenha papel importante no aparecimento dessas possessões.

Oesterreich acha que através da provocação da possessão, o ser humano primitivo procurou voluntariamente a presença consciente do metafísico e o desejo da presença divina, ambos oferecendo forte incentivo para continuar a cultivar estados de possessão.

Também os desejos de comunicação com ancestrais e outros parentes mortos desempenha importante papel na possessão do moderno espiritismo. Em seu estudo, Oesterreich procurou destacar as relações da possessão com as condições sócio-culturais existentes entre os povos onde o fenômeno é observado e, pode-se dizer que, na sociedade humana, a possessão começa a desaparecer assim que a crença nos espíritos vai perdendo influência. A partir do momento em que não se leva a sério a possibilidade da possessão, começa a faltar a necessária auto-sugestão.

Na clínica psiquiátrica a possessão é sempre acompanhada do sentimento de desdobramento da personalidade e se manifesta em sua forma típica no delírio de possessão demoníaca ou no Transtorno de Possessão. Há também um evidente aspecto de contaminação (normalmente entre pacientes histéricos) desses fenômenos de possessão, onde ocorrem "epidemias" de possuídos.

4 - Licantropia
Podem ser observados também os casos de delírio de possessão por animais, dos quais os mais célebres são as possessões por lobos, neste caso chamado de Licantropia (Lobisomem). A Licantropia foi uma das manifestações muito comuns na Idade Média. Os pacientes com este quadro se achavam transformados em lobo, ou tinham uma serpente dentro do corpo, ou outros animais.

Na manifestação completa de Licantropia o paciente se torna "corpo e alma" do animal. Com freqüência, a possessão é vivida não como a inclusão de um corpo em outro corpo, mas como a animação do corpo por um espírito do animal.

5 - Convicção de inexistência
Trata-se de uma convicção de inexistência do próprio corpo ou de certos órgãos, ou de que o enfermo não se encontra vivo e sim morto. O paciente apresenta uma forma de anulação da própria corporalidade ou existência.

 

para referir:
Ballone GJ - Alterações da Consciência - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2008

 

 

BIBLIOGRAFIA
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6. EY H, BERNARD P, BRISSET C- Manual de Psiquiatria, Ed.Massom, 5a.ed., RJ., 1981.




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O texto abaixo, sobre Consciência, é do professor Eunofre Marques, retirado de suas páginas na internet. Veja um trecho:

"Podemos afirmar com tranqüilidade que a consciência é a função mais importante da mente. É ela que nos permite tomar ciência de nós mesmos e do mundo. É nela que acontece tudo aquilo do qual eu tomo conhecimento imediato. É nela também que acontecem todas as demais funções mentais, à exclusão da memória, da intuição e da psicomotricidade, que acontecem fora da consciência. A consciência é um espaço virtual, é um campo onde ocorrem as atividades mentais conscientes. Nela se inserem todos os conteúdos mentais conscientes. Por esses dados, podemos definir a consciência:

A consciência é o campo mental onde o indivíduo se dá conta de si e do mundo. O indivíduo percebe o seu mundo interno diretamente, na consciência. É ali que ele também se percebe como EU e como indivíduo. Através da percepção pela sensorialidade (sensopercepção), que chega à consciência, o indivíduo também percebe o mundo externo na consciência. É a isso que chamamos de dar-se conta. O indivíduo se dá conta do universo, ele incluído, na consciência.

As atividades que acontecem na consciência e das quais o indivíduo se dá conta são chamadas de atividades conscientes...."

"Através da atitude reflexiva, o indivíduo tem contato direto com o seu mundo interno, mas apenas àquilo do seu mundo interno que está na consciência. Esse contato direto é sem intermediações e abre para o indivíduo todo o seu campo subjetivo consciente. Entramos em contato direto com a nossa consciência e é o único mundo mental que nos permite esse acesso direto. Por não ter intermediações, podemos afirmar que esse é um contato perfeito, porque percebemos exatamente o que está acontecendo em nosso mundo consciente."

Campo da Consciência
"Chamamos de campo da consciência à área virtual que inclui todo o conteúdo mental do qual o indivíduo se dá conta num determinado momento, mesmo que vagamente". Esse texto abaixo é do professor Eunofre Marques e fala sobre o Campo da Consciência. Continua:

"Este conceito é instantâneo, isto é, o que é campo da consciência num determinado momento, tudo aquilo do qual o indivíduo se dá conta, pode não ser no instante seguinte e o que não for naquele momento pode tornar-se no instante seguinte. Assim, a consciência é extremamente dinâmica não só no seu conteúdo mas também naquilo que está na consciência ou fora dela a cada instante e também o que está no seu campo ou fora dele.

Os limites da consciência não são os limites do seu campo, mas os limites de tudo aquilo que, a qualquer momento, pode vir a estar incluído no seu campo. Os limites do campo são os limites daquilo que o indivíduo pode dar-se conta num determinado momento, os limites da consciência são mais amplos, porque incluem também tudo aquilo que está inserido no seu campo mais tudo aquilo que pode entrar no campo a qualquer momento e que não advém da memória. Existe uma área da consciência que está fora do campo, fora da claridade da consciência, como veremos logo a seguir.

Podemos usar uma comparação da consciência com um farol luminoso à noite. O que está próximo do farol está plenamente iluminado, pode ser visto em todos os seus detalhes. À medida que nos afastamos do farol, os objetos ficam menos claros, aos poucos mais borrados, até um ponto em que percebemos apenas os seus contornos. Afastando-se mais, pode ser que nos encontremos na mais completa escuridão. Assim é a consciência a cada momento. Deste modo, na consciência a cada instante existem áreas que estão lá mas estão completamente obscuras, isto é, são potencialmente clareáveis mas estão fora da percepção imediata.

 
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Funções Mentais
O site da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na parte referente às Funções Mentais, ao tratar da Consciência diz o seguinte:

"CONSCIÊNCIA é o estado de lucidez ou de alerta em que a pessoa se encontra, variando da vigília até o coma.1 É o reconhecimento da realidade externa ou de si mesmo em determinado momento, e a capacidade de responder aos seus estímulos. Não se deve confundir com o sentido "moral" da palavra (superego), que envolve o julgamento de valores; nem com o conceito psicodinâmico (consciente e inconsciente); nem com o sentido de autocrítica.

... Alterações:

obnubilação/sonolência: está alterada a capacidade de pensar claramente, para perceber, responder e recordar os estímulos comuns, com a rapidez habitual. O paciente tende a cair em sono quando não estimulado. Às vezes é necessário falar alto ou tocá-lo para que compreenda uma pergunta.

confusão: caracterizada por um embotamento do sensório, dificuldade de compreensão, atordoamento e perplexidade, juntamente com desorientação, distúrbios das funções associativas e pobreza ideativa. O paciente demora a responder aos estímulos e tem diminuição do interesse no ambiente. A face de um doente confuso apresenta uma expressão ansiosa, enigmática e às vezes de surpresa. É um grau mais acentuado que a obnubilação.

estupor: estado caracterizado pela ausência ou profunda diminuição de movimentos espontâneos, mutismo. O paciente somente responde a estímulos vigorosos, após os quais retorna ao estupor.

coma: há abolição completa da consciência; o paciente não responde mesmo aos estímulos externos (dolorosos), ou internos (fome, frio, necessidades fisiológicas, outros).

hiperalerta: estado no qual o paciente encontra-se ansioso, com hiperatividade autonômica e respostas aumentadas aos estímulos. Pode ocorrer em conseqüência ao uso de drogas (anfetaminas, cocaína), abstinência (benzodiazepínicos), ou no stress pós-traumático.

.... A obnubilação ocorre freqüentemente em pacientes que sofrem traumatismos cranianos ou processos infecciosos agudos. Pode, ainda, ser efeito colateral de álcool ou drogas. A confusão ocorre na fase aguda de algumas doenças mentais, nas doenças associadas a fatores tóxicos, infecciosos ou traumáticos, na epilepsia, e em situações de grande estresse emocional. Observa-se o estupor na esquizofrenia (catatônico), em intoxicações, doenças orgânicas, depressão profunda, reações epilépticas e histéricas."
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Obnubilação da Consciência
Um site Togyn Web Site, de Terapia Ocupacional, fala sobre Amência e Confusão Mental, ambos relacionados ao termo Obnubilação da Consciência. Veja um trecho:

"Amência ou Confusão Mental. Na CONFUSÃO MENTAL simples, também conhecida por TURVAÇÃO DA CONSCIÊNCIA, ou ainda por AMÊNCIA, perde-se a relação entre os processos psíquicos na realização do pensamento, da memória e da percepção. Neste estado as vivências não são coerentemente elaboradas e a associação dos estímulos faz-se de forma bizarra. A própria situação do indivíduo, dentro de seu contexto existencial, passa a ser confusa e desorganizada. O curso do pensamento parece incoerente e, embora fragmentos possam ser expressos de maneira compreensível, são intercalados por lapsos completamente alienados do tema ou da realidade.

É uma alteração da qualidade porque o paciente confuso encontra-se vígil, respondendo, ainda que erroneamente, aos estímulos à ele dirigidos, portanto, sua "quantidade" de consciência está normal. A Confusão Mental está, freqüentemente, presente nas psicoses esquiozofreniformes, crises maníacas intensas, no delirium tremens, nas intoxicações por drogas e estados pós-traumáticos. Por Amência Maynert descreveu uma perturbação mental caracterizada principalmente por turvação mais ou menos acentuada da consciência, acompanhada de fenômenos de excitação psicomotora. Kraepelin admitiu a Amência apenas como manifestação sintomática, que se desenvolve de forma aguda, com um quadro de confusão fantástica, acompanhada de distúrbios ilusórios e alucinatórios, e inquietação motora.

A Amência é caracterizada, principalmente, por obnubilação mais ou menos acentuada da consciência, com incoerência do pensamento e perplexidade, incapacidade do paciente apreender a realidade objetiva ao ponto de manifestar desorientação no tempo e no espaço, incompreensão da situação atual, lentidão do pensamento e das respostas e predominância de vivências alucinatórias. O estado efetivo que acompanha a Amência é de caráter depressivo, ansioso ou mesmo fóbico. Em alguns casos, podem aparecer sintomas catatônicos, interpretações delirantes de ocorrências externas, idéias deliróides confusas e contraditórias.

A atividade desenvolvida pelo paciente está de acordo com o estado geral. Freqüentemente se observa uma amnesia completa para o período agudo da Amência ou, quando não, apresenta apenas lembranças fragmentárias e inconsistentes. A Amência aparece mais também no curso agudo das doenças infecciosas, evolui para a cura espontaneamente dentro de semanas, não deixar sintomas residuais e pode seguir com amnésia para certos acontecimentos e lembrança para outros."
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