William James

Para James a personalidade emerge da interação entre as faces instintuais e habituais da consciência com os aspectos pessoais e volitivos.
| Teorias da Personalidade |


William James escreveu sobre todos os aspectos da psicologia humana, do funcionamento cerebral até o êxtase religioso, da percepção espacial até a mediunidade psíquica. Ele freqüentemente argumentava de ambos os lados de uma questão com igual talento.

Ele se concentrou na compreensão e explicação das unidades básicas do pensamento. Conceitos fundamentais, tais como as características do pensamento, atenção, hábito e sentimento de racionalidade, prenderam seu interesse.

Ele se intrigava mais com a atenção em si mesma do que com os objetos aos quais se presta atenção e fascinava-se mais pelo hábito do que por constelações de hábitos específicos.

A personalidade, para James, emerge da interação entre as facetas instintuais e habituais da consciência e os aspectos pessoais e volitivos. As patologias, as diferenças pessoais, os estágios de desenvolvimento, a tendência à auto-realização e todo o resto são redistribuições dos blocos de construção fundamentais fornecidos pela natureza e refinados pela evolução. Uma leitura cuidadosa de James revela contradições em suas considerações teóricas. Ele estava consciente disso, chamando-o de "pensamento pluralístico", raciocinando que é válido para alguns casos mas não para outros. James considerava que a Psicologia não era ainda uma ciência madura; não possuía suficiente conhecimento para formular leis consistentes sobre a percepção, a sensação ou a natureza da consciência.

Consciência Pessoal
Todo pensamento tende a ser parte de uma consciência pessoal, portanto, diz James, não existe tal coisa como uma "consciência" individual independente da pessoa a quem pertence essa consciência. Há apenas o processo de pensamento, assim como é experienciado ou percebido por um indivíduo. A consciência implica um tipo de relação externa; não é um tipo especial de substância ou de modo de ser.

Mudanças de Consciência
Dentro de cada consciência pessoal o pensamento está sempre se transformando. James achava que não podemos nunca ter exatamente o mesmo pensamento duas vezes. Podemos ver o mesmo objeto, ouvir o mesmo som, saborear a mesma comida, mas nossa consciência dessas percepções muda a cada vez.

O que parece, numa inspeção apressada, ser um pensamento repetitivo é, na verdade, uma série em mudança continua, sendo que cada pensamento é único, parcialmente determinado por modificações prévias do pensamento original.Para justificar sua tese sobre a continuada mudança de consciência, James diz:

 "freqüentemente nós nos impressionamos com as estranhas diferenças em visões sucessivas de uma mesma coisa. Perguntamo-nos como pudemos ter opinado da forma que o fizemos no mês passado sobre um certo assunto. Superamos a possibilidade daquele estado de mente, embora não saibamos como. De um ano para outro vemos as coisas sob uma nova luz. O que era irreal tornou-se real, o que era excitante é agora insípido. Os amigos por quem costumávamos virar o mundo são deixados de lado; as mulheres, divinas em certo momento, as estrelas, as florestas e as águas, quão mundanas e comuns são agora; as garotas que trouxeram uma aura do infinito são, no presente, existências dificilmente distinguíveis; os quadros, tão vazios; assim como os livros, o que havia de tão misteriosamente significativo em Göethe, ou de tão pesado em John Mill?"

Pensamento Contínuo
William James
dizia que, dentro de cada consciência pessoal, o pensamento é sensivelmente contínuo. Enquanto alguns teóricos afastam-se do aparente paradoxo da personalidade como algo que é contínuo e que ao mesmo tempo passa por uma contínua mudança, James sugeriu uma resolução, baseada na maneira como o pensamento é experienciado.

De acordo com James, cada onda de consciência momentânea, cada pensamento que passa, "sabe" de todos os que o precederam na consciência. Cada pulsação de pensamento, à medida que se extingue, transmite o título de propriedade de seu conteúdo mental ao pensamento sucessor. O que está presente no momento, seja consciente ou não, é sempre a personalidade.

Cada pensamento emergente toma parte de sua força, foco, conteúdo e direção dos pensamentos precedentes. A consciência, então, não aparece a si mesma como retalhada em pedaços. Palavras como "corrente" ou "caravana" não descrevem adequadamente a maneira pela qual ela se apresenta em primeira instância. Nada é desarticulado, ela flui. Um "rio" ou um "curso de água" são metáforas através das quais ela é mais naturalmente descrita. Ao falar dela James a denomina curso de pensamento, consciência ou vida subjetiva.

Este curso é contínuo. William James, assim como Freud, basearam muitas de suas idéias sobre o funcionamento mental nas suposições de um pensamento contínuo. Mesmo quando se percebem brechas na consciência, não as acompanha o sentimento de descontinuidade. Por exemplo, quando acordamos pela manhã, não nos perguntamos quem está acordando, nós não sentimos necessidade de correr a um espelho para verificar ou ver se somos nós mesmos. Você não precisa ser convencido de que a consciência com a qual acordamos é contínua àquela com a qual fomos dormir.

Escolhas de Consciência
A consciência é seletiva, e está sempre mais interessada em uma parte de seu objeto do que em outra e recebe, rejeita ou escolhe durante todo o tempo que pensa. O que determina uma opção sobre outra é o tema central da maior parte da Psicologia. James dirige sua atenção para os principais determinantes do processo seletivo: atenção e hábitos.

Atenção
Escritores anteriores a James assumiam que a mente é passiva e simplesmente experiencia chuva sobre si. A personalidade, então, desenvolve-se na proporção direta da quantidade e variedade de experiência recebida. James considerava esta idéia ingênua e as conclusões patentemente falsas. Antes que a experiência possa sei experienciada, precisa-se dar atenção a ela. James dizia que minha experiência é aquilo a que eu concordo prestar atenção. Apenas aqueles itens que eu noto formam minha mente e sem um interesse seletivo, a experiência seria um caos absoluto.

Somente o interesse dá acento e ênfase, luz e sombra, figura e fundo numa palavra, a perspectiva inteligível. Uma pessoa incapaz de manter a atenção é atacada pelas experiências, incapaz de ordená-las e pode ser que aja de uma maneira confusa ou caótica. Embora a atenção seja comumente predeterminada pelos hábitos mentais, é possível fazer uma opção real mesmo contra estas correntes de respostas habituais.

Hábitos
Hábitos são ações ou pensamentos que aparecem aparentemente como respostas automáticas a uma dada experiência. Diferem dos instintos pelo fato da que um hábito pode ser criado, modificado ou eliminado pela direção consciente. Os hábitos são valiosos e necessários. O hábito simplifica o movimento necessário para obter um dado resultado, tornando-o mais acurado e diminuindo a fadiga. Neste sentido, os hábitos constituem uma faceta da aquisição de habilidades.

Por outro lado, James achava que o hábito diminui a atenção consciente com a qual nossas ações são realizadas. Se isto é vantajoso ou não, depende da situação. Retirar a atenção de uma ação toma-a mais fácil de ser executada, mas também a torna resistente à mudança. O fato é que nossas virtudes são hábitos, tanto quanto nossos vícios. Toda a nossa vida, à medida que tem forma definida, é nada mais que uma massa de hábitos práticos, emocionais e intelectuais, sistematicamente organizados, para nossa alegria ou pesar, impelindo-nos de forma irresistível para o nosso destino, qualquer que ele venha a ser.

O Sentimento de Racionalidade
Por que aceitamos uma idéia racional ou teoria e rejeitamos outra? James sugeriu que isto é, em parte, uma decisão emocional; aceitamos uma porque nos capacita a entender os fatos de uma forma emocionalmente mais satisfatória. James descrevia esta satisfação emocional como um "intenso sentimento de tranqüilidade, paz, descanso. Esta falta total de necessidade de explicar, de discutir, de justificar é o que chamamos de sentimento de racionalidade".

Antes que uma pessoa aceite uma teoria (por exemplo, qualquer das teorias expostas neste livro), dois conjuntos diferentes de necessidades devem ser satisfeitos. Em primeiro lugar, a teoria deve ser intelectualmente agradável, consistente, lógica e assim por diante. Em segundo lugar, ela deve ser emocionalmente atraente, deve encorajar-nos a pensar ou agir de forma que nos pareça satisfatória e aceitável ao nível pessoal.

Outro exemplo pode ser visto na maneira como procuramos conselhos. Se, por exemplo, queremos informações sobre os efeitos de fumar maconha, aonde iríamos para obter tais informações? Nós podemos predizer o tipo de informação e sugestões que seriam oferecidas por nossos pais, amigos que não fumam maconha, amigos que o fazem, alguém que vende maconha, um policial, um psiquiatra, um padre ou ministro ou um estudante que trabalha num centro de aconselhamento universitário. É possível que possamos predizer antecipadamente tanto o tipo de informações que recebemos quanto se iríamos aceitá-las como racionais ou não.

Este aspecto da tomada de decisão é via de regra ignorado. Gostamos de acreditar que tomamos decisões com bases puramente racionais, mas há sempre uma tendência emocional, outra variável crítica no processo. O sentimento de racionalidade de James é primo-irmão do conceito de racionalização de Freud. A racionalização envolve o processo de desejo e a procura da razão para justificar um ato cometido por outras razões, freqüentemente irracionais. O sentimento de racionalidade é a carga emocional que emerge do relacionamento com uma idéia antes que nos mobilizemos para aceitá-la ou não.

Crescimento Psicológico
James rejeitava absolutos, tais como "Deus", "verdade" ou "idealismo", em favor da experiência pessoal e da descoberta do que funciona para o auto-aperfeiçoamento de uma pessoa. Um tema freqüente em suas obras é que a evolução pessoal é possível e que todos têm uma capacidade inerente de modificar ou mudar comportamentos e atitudes. Ele conclui que há um depósito de experiências latentes ou realizadas que subjaz ao impulso em direção ao crescimento. É esta a fundamentação das idéias práticas e sensíveis que James desenvolveu para serem usadas.

A maior expressão deste núcleo subjacente é exemplificada, para James, nas experiências religiosas. Essas expediências não têm uma saída intelectual própria, mas pertencem a uma região mais profunda, mais vital e prática do que aquela ocupada pelo intelecto. Por isso são também indestrutíveis a argumentos e críticas intelectuais... Tornamo-nos, portanto, convincentemente conscientizados da presença de uma esfera de vida maior e mais poderosa do que nossa consciência habitual... As impressões, impulsos, emoções e excitações que desde então recebemos ajudam-nos a viver, encontram uma segurança invencível em um mundo além dos sentidos, derretem nossos corações, transmitem significado e valor a tudo e fazem-no, felizes.

Formação de Hábitos
As instruções de James a professores enfatizavam a importância de ensinar hábitos corretos. Recomendava para que, na aquisição de novos hábitos ou no abandono de velhos, nunca enfrentemos uma reprovação até que o novo hábito esteja seguramente enraizado em nossa vida. Cada lapso é como o deixa cair um rolo de barbante que está sendo cuidadosamente enrolado, ou seja, um simples deslize desfaz muito mais do que várias voltas enrolarão novamente. A continuidade do treinamento é o grande meio de fazer o sistema nervoso agir de forma infalivelmente correta.

Desapego dos Sentimentos
Era um ponto de vista sustentado por James o de que um equilíbrio entre a indiferença aos sentimentos e a expressão deles serve ao organismo da melhor forma. Para isso William James cita Hannah Smith:

"Deixe que suas emoções venham ou deixe-as ir embora... e não as leve em conta de qualquer maneira.... Elas, na verdade, nada têm com a questão.... Não são indicadoras de nosso estado de espírito, mas meras indicadoras de nosso temperamento ou de nossa condição física presente".

 William James aos 19 anos

William James aos 19 anos

Excitação Emocional
Ao mesmo tempo que o desapego é um estado desejável, há também vantagens em estar dominado pelos sentimentos. O transtorno emocional é um meio pelo qual hábitos duradouros podem ser rompidos, liberta as pessoas a tentarem novos comportamentos ou explorarem novas áreas de percepção. O próprio James experienciou e pesquisou estados psicológicos emergentes de experiências místicas, hipnose, curas milagrosas, mediunidade, drogas psicodélicas, álcool e crise pessoal. Ele concluiu que o evento precipitador não era o fator crítico, e sim a resposta que o indivíduo dava à excitação.

Treinamento da Vontade
Melhorar a atenção voluntária inclui treinar a vontade. Uma vontade desenvolvida permite que a consciência atenda às idéias, percepções e sensações que não são imediatamente agradáveis ou convidativas e que de fato podem ser difíceis ou até desagradáveis. Tente, por exemplo, imaginar-se comendo seu prato favorito. Guarde as imagens e sensações predominantes em sua memória por vinte segundos. Você provavelmente não achará que isso é tão difícil.

Agora, por vinte segundos, imagine que está cortando a superfície de seu polegar com uma navalha. Observe como sua atenção dispara em todas as direções assim que você toma consciência da sensação subjetiva da dor, da cor e umidade de seu próprio sangue, e da mistura de medo, fascinação e repulsa. Apenas um ato de vontade pode inibir sua tentativa inicial e instintiva de escapar da experiência.

A não ser que uma pessoa desenvolva a capacidade de aprender, o conteúdo do ensino é de pouca importância. O importante em toda a educação é fazer de nosso sistema nervoso um aliado ao invés de nosso inimigo. É financiar e capitalizar nossas aquisições e viver confortavelmente dos juros do capital. Para isso, precisamos o mais cedo possível tomar automáticas e habituais tantas ações úteis quanto pudermos, e guardamo-nos com cuidado do desenvolvimento por caminhos provavelmente desvantajosos.

A Psicologia da Consciência
Apesar do trabalho inicial de James, o interesse pela consciência deixou de ser o centro das buscas da Psicologia. Em anos recentes, o pêndulo balançou de volta e o estudo da consciência está florescendo. Associações profissionais, incluindo a Sociedade de Pesquisa em Biofeedback e a Associação de Psicologia Transpessoal, apareceram, publicando jornais e apoiando as novas linhas de pesquisa. Houve uma onda correspondente de interesse popular e surgiram artigos e best-sellers sobre a consciência.

Algumas áreas têm implicações particulares para a teoria da personalidade. As pesquisas com drogas psicodélicas, biofeedback, hipnose, meditação e percepção extra-sensorial forneceram descobertas que questionam suposições básicas sobre a consciência e a natureza da realidade tal como nós a experienciamos. São utilizados novos métodos, novos instrumentos e uma renovada vontade de pesquisar fenômenos subjetivos num esforço de dar um fundamento científico às especulações filosóficas de James.

Estados alterados de consciência podem ser provocados por hipnose, meditação, drogas psicodélicas, preces profundas, privação sensorial e por um ataque de psicose aguda. Privação de sono ou jejum podem induzi-los. Epiléticos e pessoas que sofrem de enxaqueca experienciam uma consciência alterada na aura que precede os ataques. A monotonia hipnótica, como vôos a elevadas altitudes feitos a sós, pode fazer emergir um estado alterado. A estimulação eletrônica do cérebro, o treinamento de ondas cerebrais alfa e teta, a clarividência ou penetrações telepáticas, o treinamento de relaxamento de músculos, o isolamento (como na Antártica) e a estimulação fótica (a luz piscando a determinadas velocidades) podem trazer agudas modificações à consciência.

Pesquisa Psicodélica
A maioria das culturas primitivas ou civilizadas tem usado ervas, sementes ou plantas a fim de alterar a química corporal, perspectivas emocionais e o nível de percepção consciente. James experimentou-o com óxido nitroso (gás hilariante) e ficou impressionado com suas experiências.

Embora de tempos em tempos aparecessem outros relatos sobre os efeitos não usuais de drogas, estudos mais intensivos só começaram a partir da síntese da dietilamida-25 do ácido lisérgico (LSD-25), em 1943, pelo químico suíço Albert Hoffman. A viabilidade de um material sintético mensurável deu margem a um amplo esforço de pesquisa internacional.

O difundido uso de drogas pela cultura jovem ocasionou muitos argumentos acadêmicos, científicos e éticos que em grande parte não foram ainda resolvidos. Os efeitos reais da ingestão de drogas psicodélicas eram quase ignorados numa onda de interesse a respeito das vendas, manufatura e distribuição. Os resultados dos estudos iniciais receberam uma ampla publicidade e despertaram o interesse do público. Um efeito durável foi a introdução difundida de drogas na vida norte-americana.

Milhões de jovens que pessoalmente experimentaram tais drogas vieram a concordar com James de que "nossa consciência normal em vigília, nada mais é que um tipo especial de consciência, enquanto que por toda ela, separada pela mais transparente das cortinas, repousam formas de consciência inteiramente diferentes.

Implicações da Pesquisa Psicodélica para a Teoria da Personalidade
A maioria dos teóricos da personalidade baseia-se na consciência normal em vigília. Uma característica desta consciência normal é a de se saber quem é, o sentido de identidade e individualidade é estável e explícito. Estudos sobre a imagem corporal e as fronteiras do ego concluíram que qualquer desvio de um limite seguro de ego é um sintoma psicopatológico.

No estado de consciência "normal" ou usual, o indivíduo se experiencia como existindo dentro dos limites de seu corpo físico (a imagem corporal), e sua percepção do meio ambiente é restringida pela extensão, fisicamente determinada, de seus órgãos de recepção externa; tanto a percepção interna quanto a percepção do meio ambiente estão confinadas dentro dos limites do espaço e tempo Em experiências psicodélicas transpessoais, uma ou várias dessas limitações parecem ser transcendidas. Em alguns casos, o sujeito experiencia um afrouxamento de seus limites usuais de ego e sua consciência e autopercepção parecem expandir-se para incluir e abranger outros indivíduos e elementos do mundo externo.

Em outros casos, ele continua experienciando sua própria identidade, mas num tempo diferente, num lugar diferente, ou num diferente contexto. Ainda em outros casos, o sujeito experiencia uma completa perda de sua própria identidade egóica e uma total identificação com a consciência de uma outra identidade. Finalmente, nume categoria bastante ampla dessas experiências psicodélicas transpessoais (experiências arquetípicas, encontros com divindades jubilosas e coléricas, união com Deus etc.), a consciência do sujeito parece abranger elementos que não têm nenhuma continuidade com sua identidade de ego usual e que não podem ser considerados simples derivativos de suas experiências no mundo tridimensional.

É possível que algumas das distinções que mantemos entre nós mesmos e o resto do mundo sejam arbitrárias? A identidade pode estar mais próxima da noção de James de um campo constantemente flutuante do que de um conjunto de limites estável e definível. Nossa percepção usual de nós próprios pode ser apenas um artifício da consciência normal.

William James observou que experienciar aquela assim chamada "consciência mística" era um evento raro e imprevisível. O uso amplo dos psicodélicos configurou tais estados, ou ao menos a impressão subjetiva de se ter experienciado tais estados, de forma mais acessível. Vários pesquisadores de drogas psicodélicas relatam que seus sujeitos vivem o que chamam de experiências religiosas, espirituais e transpessoais. Tornou-se importante determinar o valor e a validade dessas experiências, agora que parecem ser mais comuns.

Esta questão é de interesse para a comunidade religiosa. A conversão religiosa, as experiências de oração, as visões e o falar em diferentes línguas, todos ocorrem em estados de consciência alterados. A validade dessas experiências é o fundamento de muitas das diversas doutrinas religiosas. A descoberta e o exame de substâncias usadas em rituais religiosos, que provaram ser ativos agentes psicodélicos, reavivou o interesse dos teólogos a respeito da origem e do significado da experiência religiosa quimicamente induzida.

Qual o relacionamento do tempo e do espaço com a consciência? Físicos modernos e velhos místicos parecem cada vez mais próximos uns dos outros em suas tentativas de descrever o universo conhecido. Os resultados das experiências psicodélicas sugerem que a natureza e a gênese da consciência podem ser mais realisticamente descritas por místicos e físicos modernos do que pela mais estável concepção utilizada dentro da psicologia contemporânea.

Weil (1972) oferece evidência de que os assim chamados "estados alterados" são não só naturais como também necessários para o bem-estar e a saúde continuada da pessoa. Ele acredita que a menos que tenhamos oportunidade de mudar nosso estado de consciência, podem desenvolver-se sintomas emocionais graves. Ele viu o impulso para alterar a percepção consciente tal como expressa pelo uso exagerado de drogas, bebedeiras públicas, práticas religiosas, o ligar-se a alguma coisa dos adolescentes e a dança em êxtase, como reflexo de um impulso fisiológico inato que se origina da estrutura do cérebro. Da mesma forma que sabemos que há um impulso para a experiência sexual, pode haver um impulso equivalente para a mudança de níveis de percepção.

Vontade Livre
"Meu primeiro ato de vontade livre será acreditar nela". James retorna sempre à sua própria experiência precoce. Ele descreve argumentos religiosos, científicos, neurológicos e filosóficos a favor e contra a existência da vontade livre, contudo, em sua conclusão, a resolução pragmática ultrapassa a maioria dos argumentos com um apelo ao senso comum. Parece ser mais útil, mais benéfico e mentalmente mais sadio acreditar na vontade livre do que não o fazer.

Manter tal fé permite à pessoa tratar as decisões morais com seriedade. "Todo o sentimento de realidade, toda a estimulação e o excitamento de nossa vida voluntária dependem de nossa impressão de que nela as coisas estão sendo decididas a cada momento e que a vida não é o monótono ressoar de uma corrente que foi forjada há séculos". James argumenta que nós temos uma capacidade inata para fazer escolhas reais, apesar das limitações genéticas, dos hábitos pessoais e de outras circunstâncias externas.

Vontade de Acreditar
Quando deveria a vontade determinar a fé? Quando é que é apropriado acreditar em algo sem evidência bastante para justificá-lo? James apresenta dois casos em que é benéfico acreditar. Em primeiro lugar, aquelas vezes em que suspender o julgamento lhe trará uma oportunidade. Não agir, não tomar nenhuma decisão, não ocupar nenhuma posição, é um tipo de decisão em si mesma. É uma decisão de deixar que os outros decidam por você.

A segunda classe de situações inclui aquelas em que o efeito da convicção é trazer à tona os próprios fatos que vão verificá-la... Acreditar, neste caso, é confiar, e a confiança freqüentemente justifica a si mesma. James dá o seguinte exemplo:

"Suponha, por exemplo, que você esteja escalando uma montanha e colocou-se numa posição da qual a única saída é um terrível salto. Tenha fé de que você pode fazê-lo com sucesso e seus pés serão enervados para esta façanha. Mas desconfie de si mesmo e pense em todas as doces coisas que você ouviu os cientistas dizerem sobre os talvez e você hesitará por tanto tempo que, ao final, totalmente nervoso e trêmulo ao se lançar num momento de desespero, você rolará no abismo. Em tal caso (e ele pertence a uma enorme classe), a questão de sabedoria, assim como a de coragem, é acreditar no que está na linha de suas necessidades, pois só com esta fé a necessidade será preenchida. Recuse-se a acreditar e você poderá de fato estar certo, pois poderá irrecuperavelmente perecer. Mas acredite, e novamente você talvez esteja certo, pois poderá salvar-se. Você torna um ou outro dos universos possíveis, verdadeiro por sua confiança ou desconfiança".

Renúncia à Vontade
Em tais ocasiões, ao invés de lutar para fortalecer a vontade, as pessoas devem estar preparadas para colocá-la de lado, para renunciar a ela. Na vida religiosa, há ocasiões em que a vontade da pessoa é desarmada, outras facetas da consciência parecem assumir o controle. A vontade é necessária pata trazer a "pessoa para perto da completa unificação que é aspirada para depois; parece que exatamente o último passo deve ser deixado para outras forças e realizado sem a ajuda de sua atividade". União mística, anulação do ego, transcendência de limitações, consciência cósmica ou consciência unificadora, são alguns dos termos usados para descrever esta transformação. De acordo com James, ela pode ir além dos confins da vontade e, em certo sentido, além das fronteiras da própria personalidade.

Fortalecimento da Vontade
Ser capaz de fazer o que desejamos não é fácil. O desenvolvimento de uma vontade suficientemente forte era um dos principais interesses de James em seus escritos. Ele sugeria que um método fácil e acessível era realizar diariamente um exercício sem utilidade. "Seja sistematicamente heróico em pequenos pontos desnecessários, faça todo dia alguma coisa tendo como única razão a sua dificuldade, de modo que, quando se aproximar a hora de uma necessidade terrível, eta não possa encontrá-lo desencorajado ou desarmado para suportar o teste. . . ."

O homem que tenha se disciplinado diariamente em hábitos de atenção concentrada, volição enérgica e renúncia pessoal em coisas desnecessárias, erguer-se-á como uma torre quando tudo à sua volta se abater sobre ele; seus companheiros mortais mais fracos voarão como palha numa rajada de vento". O ato em si mesmo não é importante, mas ser capaz de fazê-lo, apesar dele não ter importância, é o teste crítico para a vontade.

Self
O Self é aquela continuidade pessoal que cada um de nós reconhece cada vez que acorda. James descreve várias camadas do self.

Self Material
A camada material do Self inclui aquelas coisas com as quais nos identificamos. O Self material abrange não apenas nossos corpos mas também nossas casas, posses, amigos e família. Na medida em que uma pessoa se identifica com uma pessoa ou objeto externos, este constitui parte de sua identidade.

No mais amplo sentido possível, entretanto, o Self de um homem é a soma total de tudo o que ele PODE chamar de seu, não apenas seu corpo e suas forças psíquicas, mas suas roupas e sua casa, sua esposa e filhos, seus ancestrais e amigos, sua reputação e seu trabalho, suas terras e seus cavalos, os iates e as contas bancárias. Todas essas coisas lhe dão as mesmas emoções. Se elas crescem e prosperam, ele se sente triunfante; se elas minguam e desaparecem, ele se sente deprimido, não necessariamente no mesmo grau por cada coisa, mas na maioria das vezes da mesma forma para todas.

Teste você mesmo esta proposição. Imagine que alguém está ridicularizando uma pessoa, idéia ou coisa que importa a você. Você permanece objetivo avaliando os méritos do ataque ou será que você reage como se você mesmo estivesse sendo atacado? Se alguém insulta seus filhos, seus pais, seu penteado, seu país, seu casaco, seu aparelho de som, será que você pode tomar consciência do quanto investe em cada uma dessas coisas? Algumas das confusões entre a propriedade e a identificação podem ser esclarecidas desde que se entenda este conceito expandido do Self.

Self Social
O Self Social de um homem é o reconhecimento que ele tem por parte de seus companheiros. Constitui qualquer e todos os papéis que nós voluntária ou involuntariamente aceitamos. Uma pessoa pode ter muitos ou poucos Selves Sociais, consistentes ou inconsistentes, mas, o que quer que eles sejam, ela se identifica com cada um deles na situação apropriada. James sugere que o curso adequado de ação é escolher um e sobre ele alicerçar a vida. Todos os outros Selves daí em diante tornam-se irreais, mas o destino deste Self é real. Seus fracassos são fracassos reais, seus triunfos, triunfos reais.


Selt Espiritual
O Self Espiritual é o ser interior e subjetivo de uma pessoa. É o elemento ativo de toda consciência. Ele é a morada do interesse, não o agradável ou o doloroso, nem mesmo o prazer ou a dor, como tais, mas aquilo dentro de nós para o qual falam o prazer e a dor, o agradável e o doloroso. É a fonte de esforço e atenção e o lugar do qual parecem emanar as ordens da vontade. Ao fazer um exame cuidadoso, James descobriu que este Self Espiritual não é um fenômeno puramente espiritual mas que nosso sentimento total da atividade espiritual, ou aquilo que comumente recebe esse nome, é na verdade um sentimento das atividades corporais cuja natureza exata é ignorada pela maioria dos homens.

James permaneceu indeciso sobre a questão da alma pessoal, entretanto, ele realmente sentia que havia algo além da identidade individual. Ele achava haver um continuum de consciência cósmica, contra o qual nossa consciência apenas constrói cercas acidentais e dentro do qual nossas várias mentes mergulham como se dentro de um mar-mãe ou de um.

Pesquisa em Biofeedback
Biofeedback é uma aplicação do conceito de feedback utilizado em engenharia, é o princípio mecânico que controla a maioria da maquinaria automática. Uma fornalha e seu termostato, por exemplo, formam um sistema de feedback autônomo. Biofeedback liga a vontade humana a esse tipo de sistema. É o processo de monitorar um processo físico que ocorre em seu próprio corpo. Por exemplo, quando você usa seus dedos para sentir o pulso, você está recebendo feedback sobre seu batimento cardíaco.

Pesquisadores nessa área desenvolveram novos métodos de fornecer feedback imediato e preciso. À medida que mais processos fisiológicos eram monitorados, descobria-se que uma vez que o indivíduo recebesse feedback sobre um processo, tornava-se freqüentemente capaz de mantê-lo sob controle consciente. É seguro dizer que se uma pessoa tem informação imediata e precisa sobre qualquer processo fisiológico, tal processo pode ser conscientemente dirigido em qualquer direção desejada. O batimento cardíaco, a pressão sangüínea, a temperatura da pele, a freqüência das ondas cerebrais e a excitação sexual, todos podem ser elevados ou diminuídos de forma voluntária.

Os sujeitos podem não perceber que sistemas musculares ou neurais específicos estão se retesando e relaxando, mas isso não limita, de forma alguma, a efetividade do controle. Pessoas e animais podem literalmente "imaginar" sua temperatura baixa ou alta, retardar ou acelerar seu batimento cardíaco, ou mudar a freqüência de suas ondas cerebrais.

As aplicações comuns incluem o controle voluntário da alta pressão sangüínea, cura de enxaquecas, intensificação das imagens visuais e o treinamento de pacientes cardíacos para controle de tais anormalidades como fibrilação atrial e contrações ventriculares prematuras.

Implicações da Pesquisa em Biofeedback para a Teoria da Personalidade
As capacidades do sistema nervoso estão sendo redefinidas. Costumávamos acreditar que existia um sistema nervoso voluntário, sujeito ao controle consciente, e um sistema nervoso automático ou involuntário que não era passível de controle consciente. Entretanto, esta distinção extinguiu-se totalmente. Hoje em dia é mais realista falar-se de um sistema nervoso grosseiro, apto para o controle consciente através de pouco ou nenhum treino e o sistema nervoso fino apto para o controle consciente através de treino especializado. Essas definições modificadas tornaram nossa concepção da fisiologia mais próxima da dos sistemas orientais, cujas idéias sobre personalidade estão baseadas exatamente nessas e em outras distinções físicas relacionadas.

Todas as "maravilhas do misterioso Oriente", iogues descansando sobre uma cama de agulhas, santos sendo enterrados vivos, devotos capazes de caminhar lentamente sobre carvão quente, eram proezas usadas pelos adeptos para demonstrar algo mais sobre a amplitude das possibilidades humanas. Visto que hoje em dia somos capazes de replicar tais façanhas em nossos próprios laboratórios, cabe a nós olhar novamente para as implicações dessas exibições.

O que significa estar "sob controle"? O controle físico subentende ou conduz ao controle emocional? Se for assim, quais as vantagens e desvantagens de se ensinar alguns tipos de biofeedback a crianças ou adultos perturbados ou a outros grupos com necessidades ou problemas especiais?

James definiu a vontade como a combinação de atenção e volição (desejo). Kimble e Perlmuter (1970) descobriram que o papel da vontade é crítico para a compreensão de como o treinamento de biofeedback realmente ocorre. Observam que o papel da atenção é crítico no processo de querer. Apresentam um exemplo trivial do que pode ocorrer se você deseja fazer algo mas não presta atenção suficiente.

VOCÊ ESTÁ PRESTANDO ATENÇÃO? PERGUNTA: Repita várias vezes a palavra ema. RESPOSTA: Ema, ema, ema, ema . . .
PERGUNTA: Como se chama a parte branca do ovo? RESPOSTA:.... *

Só se prestar muita atenção é que escapa do padrão estabelecido que tende a eliciar a resposta incorreta "gema". (Se quiser verificar isto posteriormente, tente propor a brincadeira para um amigo e pedir-lhe que responda). Podemos desejar a resposta correta, mas é a combinação de seu desejo (volição) mais sua atenção que torna possível fazer o que quer.

A volição passiva é definida como a vontade de deixar que as coisas aconteçam. Refere-se ao particular estado de consciência que os sujeitos aprendem a usar num treinamento de biofeedback bem sucedido. É atenção sem esforço. Um exemplo de uma tarefa da pesquisa em biofeedback poderia ser abaixar a temperatura da sua mão direita. Primeiramente os sujeitos "tentarão". A temperatura da mão direita vai aumentar. Então muitos sujeitos "não tentarão mais". Isto costuma resultar num aumento da temperatura. Eventualmente, no curso do treinamento, o sujeito aprende a parar de tentar e a "permitir" que a temperatura caia. A volição passiva não é uma parte do treinamento cultural. Nós crescemos para sermos dogmáticos, bem sucedidos, para resistir às forças que nos impedem de fazer o que desejamos.

Uma das poucas situações em que desenvolvemos volição passiva é no ato de urinar. Quando urinamos, relaxamos e permitimos que a urina saia. A distinção de James entre o querer passivo e ativo tomou-se uma importante variável no treinamento efetivo de biofeedhack.

A maioria das teorias da personalidade especifica a gênese e as condições necessárias para vários tipos de doenças mentais. A pesquisa em biofeedback apresentou formas alternativas de induzir ou eliminar muitos sintomas "psicológicos" sem considerar as razões psicológicas para o sintoma. Como sugeriram Green e Green (1971), uma vez que podemos nos tornar fisicamente doentes em resposta à tensão psicológica, talvez possamos eliminar a doença aprendendo controlar a resposta fisiológica.

Meditação
A meditação pode ser definida como o ato de dirigir, acalmar, aquietar ou focalizar a consciência normal de uma maneira sistemática. A meditação pode ser praticada em silêncio ou com barulho, com os olhos abertos ou fechados, sentado, andando ou quieto. Há centenas de técnicas, práticas e sistemas de meditação. A pesquisa está apenas começando a descobrir como a meditação afeta comportamentos psicológicos ou fisiológicos. Embora grande parte dos estudos detalhados de laboratório tenha sido realizado sobre um sistema de meditação específico, a meditação transcendental, é provável que os estudos desse sistema sejam de forma geral válidos para outros sistemas de meditação.

Há uma ampla proliferação de grupos e professores que oferecem treinamento em meditação diária. Grandes cidades e a maioria dos campus universitários abrigam diversas organizações dedicadas a tal ensino. Há um interesse crescente na aplicação das práticas de meditação à psicoterapia.

Implicações da Pesquisa sobre Meditação para a Teoria da Personalidade
1. Quais são os conteúdos da consciência? James propos que poderíamos considerar consciência como um curso de água ou um rio. Relatos de pesquisas indicam que, para uma descrição mais completa, seria necessário considerar a consciência como tendo muitos caminhos ou fluxos, todos correndo simultaneamente. A percepção consciente pode mover-se de um caminho para outro como um holofote deslocando-se sobre diferentes trilhos numa estação ferroviária.

O que há na consciência além dos diferentes pensamentos? Relatos de meditadores sugerem algo mais do que as variadas formas de pensamento que pairam na superfície da mente. À medida que se explora a consciência, ocorrem mudanças nas formas de pensamento, e não apenas em seus conteúdos.

Tart, em 1972, incentivou os pesquisadores a considerar o fato de que o treino especializado pode ser necessário para atingir e observar esses estados específicos. Assim como um dentista precisa de treino especial para ser capaz de detectar pequenas irregularidades em Raios-X dos dentes, ou astronautas precisam de um treinamento especial para serem capazes de trabalhar em situações onde não há força da gravidade. Assim também os cientistas que trabalham numa ciência de estados específicos deveriam receber treinamento apropriado. A queixa de James de que o insight acessível sob o efeito de óxido nitroso "desapareceria gradualmente", pode refletir sua própria falta de treinamento, não apenas um efeito do gás.

Que efeitos tem a meditação sobre os valores pessoais, o estilo de vida e a motivação? Ram Dass (1974) comenta que suas crenças anteriores, desenvolvidas quando ensinava a psicologia ocidental da motivação, foram seriamente ameaçadas por suas experiências em meditação. Alguns dos sistemas com os quais trabalhou não assumiam sequer que os assim chamados impulsos "básicos" para afiliação, poder ou realização, ou mesmo os impulsos biologicamente estabelecidos para comida, água ou sobrevivência, eram necessários para o bem-estar pessoal. Os escritos de Ram Dass (1974), Sayadaw (1954) a outros tornam evidente que há modelos de personalidade baseados em considerações diferentes daquelas que temos considerado até agora.

Hipnose
Embora há cerca de cem anos a hipnose seja uma área de pesquisa, não é um fenômeno bem definido. Algumas de suas aplicações são a psicoterapia, ajudas no treino atlético, técnicas de modulação da dor e espetáculos de clubes noturnos. Sujeitos bem treinados demonstraram capacidades físicas, emocionais, perceptuais e até mesmo psíquicas incomuns quando em estado hipnoticamente induzido. Visto que as induções hipnóticas conduzem a tantos estados alterados, podemos considerar que a hipnose é um instrumento de exploração da consciência e não apenas um meio de induzir um único e específico estado alterado.

A realidade subjetivas as respostas dos sujeitos a estímulos externos são acentuadamente modificadas na hipnose. Tart (1970) descreve algumas das séries desses efeitos. Um dos testes padrões que usamos, por exemplo, é contar à pessoa que ela não tem olfato e, então, segurar uma garrafa de amoníaco sob seu nariz e dizer "respire profundamente". Pode-se induzir analgesia total para dor em operações cirúrgicas, por exemplo. Pode-se fazer com que as pessoas tenham alucinação. Se lhes contarmos que há um urso polar na esquina, verão um urso polar na esquina. Pode-se de alguma forma mexer na memória. Pode-se fazer com que as pessoas retrocedam no tempo, de forma que se sintam como se fossem crianças de determinada idade e assim por diante.

Implicações da Pesquisa em Hipnose para a Teoria da Personalidade
1. Quem tem o controle de nossa consciência? Na hipnose induzida em espetáculos parece que o hipnotizador tem pleno controle, forçando o sujeito a fazer coisas idiotas e embaraçosas. A pesquisa de laboratório indica que o relacionamento é mais cooperativo do que geralmente parece ser. O sujeito confia no hipnotizador e irá, portanto, concordar com vários tipos de sugestões.

Se a pessoa fizer o que lhe foi ordenado, será responsável por seus atos? A pessoa está consciente da fonte de sugestões? Até certo ponto, somos todos hipnotizados pelas propagandas e pela televisão. Como este tipo de condicionamento se compara com a indução hipnótica?

Na hipnose dental, o paciente é ensinado a eliminar a dor do dente ou a "mandá-la embora". Como isto é feito? Não sabemos, mas a verdade é que há sucesso. Se a dor for subjetiva, isto é, sujeita a controle voluntário, o que significa dizer que sinto dor ou mesmo que estou cansado ou com raiva? Todas essas sensações podem ser "ligadas" e "desligadas" por um hipnotizador. Arnold (1950) pediu a certos indivíduos para enrijecer seus músculos de várias maneiras. Os sujeitos relataram emoções correlacionadas com os tipos de tensões musculares requeridas. Para James, o trabalho de Arnold seria uma evidência adicional de que é a sensação física mais a atenção a ela que determinam o efeito sobre a consciência. A evidência da hipnose sugere que a consciência pode ser altamente seletiva com relação ao que admite que seja conscientizado.

Uma abordagem diferente do controle da dor que pode ser tentada, baseia-se na tendência natural da mente a divagar. Da próxima vez em que sentir dor, de uma queimadura, picada de inseto ou de um tornozelo torcido, feche os olhos e conscientemente tente intensificar a dor. Concentre-se por completo apenas na dor e na parte afetada do corpo. Experiencie da forma mais plena que puder. Tente e mantenha esta absorção total ao menos por trinta segundos. Quando relaxar, a dor terá em grande parte diminuído ou desaparecido.

Em que medida nossa aceitação da estimulação externa é um simples resultado da não compreensão de formas alternativas de lidar com as sensações?

Na chamada "hipnose profunda", a personalidade parece passar por uma série de transformações radicais. Um por um, os aspectos da identidade parecem ser postos de lado. A sensação da passagem do tempo, a percepção de nosso próprio corpo, a percepção da sala e da identidade pessoal em si mesma apagam-se gradualmente. Embora ainda haja comunicação entre sujeito e experimentador, até mesmo esta percepção diminui, até que o experimentador seja apenas uma voz distante.

4. Que efeito tem a percepção na personalidade? A maioria dos teóricos assume que todos nós vemos aproximadamente o mesmo mundo, as mesmas cores, temos o mesmo sentido de tempo e assim por diante.

Para compreender o comportamento atual das pessoas, pode ser tão proveitoso investigar a maneira como percebem o universo quanto suas experiências infantis. Conhecemos pessoas que parecem sempre apressadas, que não possam nunca ir mais devagar? Conhecemos pessoas que parecem melancólicas de forma pouco natural, ou perpetuamente alegres? James achava possível que algumas dessas diferenças não seriam apenas "variáveis de personalidade", mas pudessem ser devidas a variáveis perceptuais.

Pesquisa Paranormal
Embora James tenha atraído estudantes que continuaram sua abordagem pragmática com relação à educação e à filosofia, seus interesses paranormais não foram retomados após sua morte. A Psicologia, até recentemente, tentou ignorar o trabalho nesta área. A razão para a repugnância coletiva pode ser devida às dificuldades de muitos cientistas em aceitar a existência da percepção extrasensorial é que ela não faz sentido em termos do que conhecemos sobre o universo físico.

Não temos nenhuma teoria compreensiva, nenhum bom modelo ou tipo de explicação generalizadamente aceita do fenômeno. James estava mais interessado em investigar os exemplos disponíveis do que em desenvolver modelos teóricos. Estava também consciente, assim como os parapsicólogos da atualidade, de que freqüentemente há fraude associada ao fenômeno genuíno.

A onda nascente de pesquisa sobre estados alterados inclui o progresso das investigações parapsicológicas. A tendência atual dirige-se às mensurações mais acuradas e à identificação mais concisa de variáveis críticas. A pesquisa inclui o treinamento de habilidades paranormais em pessoas que não demonstraram tais capacidades antes. James, juntamente com a maioria dos pesquisadores em Parapsicologia, aceitava a existência dos seguintes fenômenos paranormais:

1. Telepatia: comunicação de uma mente a outra.
2. Clarividência: obtenção de informações não disponíveis aos sentidos físicos, tal como informações de um livro fechado em outra sala.
3. Premonição: obtenção de infamações do que ainda não existe; por exemplo, sonhar com um evento que ocorre dias depois.
4. Psicocinese: influenciar objetos ou processos físicos sem qualquer contato físico. Há outras capacidades paranormais sendo investigadas, mas essas quatro ilustram o alcance dessa atividade.


Implicações da Pesquisa Paranormal para a Teoria da Personalidade
Em que medida há uma ligação telepática entre a mãe e a criança? 0 ponto de vista biológico supõe que a ligação entre a mãe e a criança é cortada no nascimento. James acreditava que a evidência indica que este vínculo, em parte físico e em parte telepático, permanece ativo depois do nascimento. Isto é especialmente evidente quando a criança ou a mãe passam por estimulações emocionais intensas.

Uma questão mais geral, para James, é o problema de determinar se quaisquer de nossas capacidades de empatia com outros são devidas a sugestões telepáticas sutis. As ligações entre parentes ou mesmo entre animais de estimação e seus donos são contínuas e não limitadas pela percepção consciente de cada um.

James questionava que, se era possível obter infirmações da mente de outra pessoa, de um quarto trancado ou mesmo de um tempo futuro, como podemos definir os limites da personalidade? A identidade é restrita ao corpo, como costumamos assumir, ou é vagamente localizada nele com possíveis extensões? Assim como na literatura psicodélica, os resultados publicados levantam questões sobre espaço e tempo. Se, como disse Einstein, "a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão, ainda que seja uma ilusão persistente", podemos então nos sentir seguros com relação aos nossos modelos presentes de causalidade psicológica?

Os dados sobre reencarnação levantam questões envolventes para todas as teorias da personalidade. Reencarnação é a crença de que, após a morte, a personalidade não desaparece, mas pode ser, em certo sentido, restabelecida numa criança recém nascida ou em outra forma viva.

Referência
Ballone GJ - William James, in. PsiqWeb, internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2008

* - baseado no livro "Teorias da Personalidade"- J. Fadiman, R. Frager - Harbra - 1980




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Cegueira Pessoal, corpo, professor, Atenção Voluntária
Em um ensaio que era seu favorito, James descreve uma "certa cegueira", a inabilidade de compreender uma outra pessoa. Nosso fracasso em tomarmos consciência de nossa cegueira é uma importante fonte de infelicidade no relacionamento com outras pessoas. Sempre que presumimos poder decidir por outros, o que é bom para eles ou o que deveriam aprender, ou quais são suas necessidades, caímos em erro. A cegueira que demonstramos na relação com cada pessoa é apenas uma manifestação de uma cegueira mais penetrante, a cegueira em relação a uma visão interna da realidade.

Esta cegueira impede que nós tomemos consciência da intensidade do momento presente. "Onde quer que ela seja encontrada há o prazer, o comichão, o excitamento pela realidade, e há importância, no único sentido positivo e real em que pode estar a importância sempre e em qualquer lugar. James sugere que nós perdemos parte desta consciência ao perdermos contato com a natureza. "Somos educados para procurar o selecionado, o raro, exclusivamente o requintado e para subestimar o comum... tornamo-nos completamente cegos e insensíveis aos bens e às alegrias mais elementares e gerais da vida".

Outros sintomas desta cegueira são a inabilidade de expressar nossos sentimentos, a ausência de conscientização que leva aos erros de excesso, a aceitação voluntária de nossos maus hábitos que restringem a consciência e impedem sua remoção.

Corpo
Os laços pessoais de James com a enfermidade física fizeram com que ele continuamente reexaminasse a relação entre o corpo e a consciência. Ele concluiu que até mesmo a pessoa mais espiritual devia considerar suas necessidades físicas e tomar consciência delas, uma vez que o corpo é a fonte original das sensações.

Entretanto, a consciência pode transcender qualquer nível de excitamento físico por um período limitado de tempo. O corpo, necessário para a origem e manutenção da personalidade, é subserviente às atividades da mente. Por exemplo, a concentração intelectual pode ser tão firmemente focalizada para não só expulsar sensações comuns mas até a mais severa dor.

Há numerosos relatos de soldados que sofrem sérios ferimentos mas não os notam até que a intensidade da batalha se abata. São comuns também casos de atletas que quebram um pulso, uma costela ou uma clavícula, mas que não tomam consciência do fato até que o período de jogo termine.

Examinando esta evidência, James conclui que é o foco de atenção que determina se as sensações físicas extremas terão ou não efeito imediato na atividade consciente. O corpo é um instrumento expressivo da consciência que o habita, mais do que uma fonte de estimulação em si mesma. Embora James tenha escrito que o corpo é apenas o lugar onde a consciência reside, ele nunca perdeu de vista a importância do corpo. Uma boa saúde física, rara na própria vida de James, tem sua própria lógica interna que emana de todas as partes do corpo de um homem muscularmente bem treinado e penetra na alma que o habita com satisfação... "É um elemento de higiene espiritual de suprema significação".

Professor

James aplicou princípios psicológicos gerais para problemas específicos de aprendizagem. Ele via as crianças como organismos com capacidades inatas de aprendizagem. A tarefa do professor era de estabelecer um clima que encorajasse o processo natural de aquisição. Ensinar, para James, era primariamente o ensino de comportamentos, tais como atenção voluntária ou desenvolvimento da vontade, que são, em si mesmos, proveitosos para um ensino mais eficaz.

Atenção Voluntária
A responsabilidade primordial do professor é encorajar o estudante a aumentar sua capacidade de manter atenção. Manter atenção em um único tema ou idéia não é um estado natural que prescinde de treino, tanto em crianças como em adultos. A consciência normal é uma série de interrupções configuradas; os pensamentos mudam rapidamente de um objeto ao outro. Um treino apropriado é necessário para alterar essa tendência até que períodos cada vez mais longos de atenção focalizada possam ser mantidos.

O professor deveria conhecer e inibir os lapsos involuntários de atenção. para o próprio desenvolvimento da criança. O caráter passivo e reflexo da atenção é que faz com que a criança pareça pertencer menos a si mesma do que a qualquer objeto que possa captar sua atenção, é a primeira coisa que o professor deve superar.

Para ajudar os professores, James ofereceu algumas sugestões. Primeiro, o conteúdo da educação precisa ser relevante às necessidades dos estudantes ou parecer como tal. Os alunos deveriam tomar consciência das conexões entre o que estão aprendendo e suas próprias necessidades, ainda que estas conexões sejam, na realidade, remotas. Isto provoca na criança um interesse inicial, embora ele possa ser apenas passageiro. Segundo, talvez o assunto em questão tenha que ser enriquecido a fim de encorajar o retomo da atenção desviada por parte dos estudantes, uma vez que, de um tema imutável a atenção inevitavelmente se desvia.

James sugere que se trabalhe sobre comportamentos específicos e observáveis. Seu objetivo, entretanto, não é facilitar estes comportamentos, mas melhorar a capacidade subjacente de controlar realidades internas não observáveis. O objetivo do ensino é treinar estudantes em habilidades e hábitos de aprendizagem básicos, de maneira que eles possam aprender qualquer coisa que decidam estudar. James rejeitava a punição como um modo de ensinar. Oferecer aos estudantes atividades alternativas ainda vinculadas à aprendizagem é superior à punição em qualquer caso.

Raízes Comportamentais
William James teve a sua formação entre a Europa e os Estados Unidos, sempre aberto a diversas influências. Escreveu sobre todos os aspectos da psicologia humana, do funcionamento cerebral às experiências religiosas. Ensinou psicologia e filosofia na Universidade de Harvard e é considerado o pai do pragmatismo.

Entre 1865 e 1866, aos 23 anos, acompanhou a Expedição Thayer, liderada pelo professor Louis Agassiz. Nos oito meses de estadia no Brasil, passados principalmente no Rio de Janeiro e na Amazônia, James rascunhou cartas a seus familiares e um diário, e produziu desenhos de cenas da expedição, que expressam uma consciência crítica e um distanciamento moral da idéia colonialista que norteava a expedição.

William James fundamenta sua teoria pragmatista no psicologismo behaviorista de John B. Watson que concebe o cérebro humano como um órgão responsável pela coordenação dos estímulos provenientes dos sentidos e dos reflexos condicionados. Além disto, o cérebro seria responsável por aceitar os princípios da evolução orgânica, na qual o sistema nervoso, ou a inteligência, tem a função mediadora de tornar possível suas respostas ao ambiente: “a reflexão como resposta indireta ao ambiente, origina-se no comportamento biológico de adaptação" – diz James.

O método pragmático, desenvolvido a partir da análise do fundamento lógico das ciências, converte-se na base da avaliação de qualquer experiência. O significado das ideias só pode ser analisado a partir das suas consequências. Se não produzem efeitos as ideias não têm  sentido  As ideias metafisicas são desprovidas de sentido porque não podem ser comprovadas. As teorias com significado, segundo Willian James, são aquelas que permitem resolver problemas que decorrem da experiência. 

The Principles of Psychology
Seria difícil conceber castigo mais demoníaco, pudesse uma tal coisa ser posta em prática, do que abandonar uma pessoa à deriva na sociedade por forma a passar despercebida a todos os seus membros. Se ninguém se voltasse para nós ao ver-nos entrar em casa, se ninguém nos respondesse quando nós falássemos, ou se preocupasse com o que nós fizéssemos, mas se toda a gente que conhecêssemos nos «desligasse do mundo» e agisse como se fôssemos entidades inexistentes, não tardaríamos a ser tomados de uma espécie de desespero de raiva e impotência, de que a mais cruel das torturas corporais seria um alívio.

 

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