Violenta Emoção

"A emoção e paixão não excluem a responsabilidade penal...". Portanto, é necessário que essa emoção tenha certas características para ser considerada Violenta Emoção
| Forense |


A psiquiatria forense pode se deparar com sérias dificuldades no que respeita à fiel interpretação daquilo que seria essa tal de "Violenta Emoção", referido no Art.65 do Código Penal Brasileiro como atenuante da pena. A consideração médico-legal sobre esse tema implica na observação de três quesitos:

O elemento descritivo;
O elemento psicológico;
O elemento valorativo.

Primeiramente, o elemento descritivo, que se refere à qualificação do delito propriamente dito, por exemplo, agressão a outro. O elemento psicológico, por sua vez, procura verificar a existência ou não do estado de Violenta Emoção, o verdadeiro objeto da perícia e, finalmente, o elemento valorativo, que considera às eventuais circunstâncias que serviram de justo motivo para o desenvolvimento desse estado emocional problemático, ou seja, a existência ou não do ato provocativo da Violenta Emoção.

A citação do texto da lei que fala ... influência de violenta emoção, provocada ..., permite deduzir que esta é uma ocorrência temporal, com início claramente definido a partir de um determinado momento, e reativa, ou seja, em reação a algo acontecido.

Não basta qualquer emoção para ser considerada Violenta Emoção e atenuar o delito, conforme realça bem o Art.28, inciso 1º, ao dizer que "A emoção e paixão não excluem a responsabilidade penal...". Portanto, é necessário que essa emoção tenha certas características para ser considerada Violenta Emoção.

Inicialmente devemos entender a Violenta Emoção como um atributo do estado de ânimo, portanto, um estado afetivo e não uma alteração primária da inteligência, da crítica ou da vontade, as quais podem ser afetadas secundariamente. Para um ajuizamento mais técnico sobre essa questão, é necessário recorrermos aos conhecimentos da psicopatologia, já que é esta a área da ciência médica que estuda a afetividade.

Violenta Emoção, do ponto de vista jurídico, é uma situação atenuante de alguns delitos e caracterizada por um estado emocional, de ânimo e do sentimento muito excitado. De acordo com os atenuantes do delito, diz o Código Penal:

"Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena":
I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70 (setenta) anos, na data da sentença;
II - o desconhecimento da lei;
III - ter o agente:
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral;
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as conseqüências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano;
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima;
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime;
e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o provocou"
.

Do ponto de vista da psicopatologia, já que a Violenta Emoção diz respeito à afetividade, por referir-se ao estado de ânimo, vamos falar inicialmente dela; a afetividade. Em suma, a psicopatologia entende a afetividade como a base da consciência.

Mas, a afetividade não se refere, prioritariamente, à consciência psicosensorial. Este tipo de consciência psicosensorial seria responsável pelas sensações corpóreas e interpretações, ou seja, muito mais relacionada à função neurológica do que psíquica.

A afetividade se refere, sobretudo, à consciência sensível, ou seja, à consciência do ser, da sensibilidade global e emocional diante da vida. Uma coisa é sensibilidade e outra coisa é sensação. A sensação é predominantemente neurológica e a sensibilidade é predominantemente psicológica. A afetividade é, pois, relacionada à sensibilidade, ela atua na base da consciência e, sendo esta a essência do querer e do fazer, a afetividade acaba por determinar as nuances do desejo e da vontade.

E agora, vamos falar sobre a consciência. Num sentido amplo, chamamos de consciência a soma e integração de todos fenômenos psíquicos. A própria memória, parte importantíssima da consciência, pode ser entendida como conservação afetiva de nossas vivências anteriores. Os fatos que não mobilizam nosso afeto, seja por emoções agradáveis ou desagradáveis, dificilmente serão tão vivamente lembrados quanto aqueles que nos envolvem emocionalmente (afetivamente).

Mediante a consciência é que o ser humano se percebe, experimenta prazer ou dor, conhece, sofre, decide e age. Trata-se da integração de todas funções psíquicas envolvidas com a apreensão da realidade, e cujo produto final é o conhecimento e reconhecimento de algo real ou não, das questões interiores ou exteriores, bem como da própria identidade e essência do eu.

Apenas sentir o próprio ser, bem como ter sensações, não reflete a qualidade da consciência. Trata-se, esses dois atributos, do exercício quantitativo da consciência e produzido pela experiência e pelos estímulos agindo sobre nosso equipamento neurológico. Mais importante é saber que o afeto, através da qualidade da consciência nos fornece a capacidade valorativa das experiências vividas.

O psiquiatra forense, ao avaliar a existência de uma Violenta Emoção estará, nessas alturas dos acontecimentos, já diante de uma pessoa que tenha cometido algum delito, com dolo ou culpa, e que tenha evocado essa figura jurídica a ser ou não confirmada. Pela lógica, pela psicopatologia e por conceituação, não se concebe uma Violenta Emoção, capaz de arrebatar a pessoa para um delito, sem que tenha havido juntamente um prejuízo temporário da consciência.

O conceito de inimputabilidade se refere à incapacidade de entender e de querer, à incapacidade de conhecer regras e normas e de agir de acordo com elas. Supõe-se que, durante um episódio de Violenta Emoção, não esteja em falta a noção do ato cometido mas, sobretudo, o domínio sobre as próprias decisões, estando prejudicada a opção de agir eticamente. Supõe-se que durante a Violenta Emoção falta a noção do ato cometido e/ou o domínio sobre as decisões.

Imputar um fato a uma pessoa é fazê-la conseqüente desse fato, ou seja, fazê-la responsável e sofrer as conseqüências. Imputabilidade, culpabilidade e responsabilidade constituem um conjunto quase indissolúvel de idéias, sendo as duas últimas, conseqüência direta da primeira. São idéias tão interligadas que, não raras vezes, são tidas como sinônimo.

Culpabilidade, segundo von Liszt, é quando não houve previsão do resultado previsível de uma ação prejudicial no momento em que se manifestou a vontade. Portanto, enquanto a imputabilidade diz respeito exclusivamente ao sujeito, sendo dele um atributo, a culpabilidade se refere às relações desse sujeito com o objeto, ou à ação ou acontecimento em tais e quais circunstâncias.

Se a imputabilidade se refere à capacidade da pessoa compreender a criminalidade de seu ato e de dirigir suas ações, continuando o raciocínio, podemos acrescentar que "compreender" implica, obrigatoriamente, em apreender psiquicamente, entender ou discernir, enfim, ajuizar a situação, resumindo, "compreender a criminalidade de seu ato" implica em ter consciência da circunstância.

Assim sendo, como fácil deduzir, para ser plena e compatível com a vida em sociedade a consciência, além de seu caráter quantitativo (e neurológico), necessita ter também um duplo aspecto qualitativo; o aspecto integrativo e o aspecto moral. Ter consciência ou dar-se conta da situação, simplesmente do ponto de vista de se saber o que está acontecendo à nossa volta, diz respeito à qualidade integrativa da consciência, enquanto, ter noção do bem e do mal do que está acontecendo, diz respeito à qualidade moral da consciência.

Para facilitar o estudo, alguns autores destacam três dimensões fundamentais para o exercício consciência;

1. - Uma dimensão psico-neurológica, responsável pela percepção psico-neurológica e sensitiva da realidade, dos estímulos e da situação do ser no mundo,
2. - Uma dimensão epistemológica, representada pela noção precisa do que está acontecendo comigo aqui e agora e, por último,
3. _ Uma dimensão metafísica, capaz de atribuir uma escala de valores éticos e morais aos acontecimentos (qualidade moral da consciência).

É desnecessário dizer, pela obviedade, que a idéia de Violenta Emoção é incompatível com o planejamento do delito. Mesmo em resposta à provocação injusta, a Violenta Emoção não pode se caracterizar numa atitude insidiosa, à traição, de emboscada ou mediante dissimulação. Neste caso tratar-se-ia de vingança ou represália tardia. A Violenta Emoção deve ser abrupta, rompante e com características completamente impulsivas.

Portanto, para se pensar na possibilidade de Violenta Emoção, está deverá ser caracterizada pela falta de racionalidade atrelada ao crime e deve ser excluída diante da presença de um plano ou de uma ação bem elaborada para o delito. A Violenta Emoção poderia ser suspeitada, por exemplo, pela falta de planejamento, pela falta de premeditação, pela falta de intencionalidade certeira, pela falta de crueldade, de revanchismo, de vingança e assim por diante.

Será verdade essa tal Violenta Emoção?
A psiquiatria forense será convocada para comprovar se a pessoa agiu ou não num estado de Violenta Emoção, até que grau chegou essa Violenta Emoção, e se a mesma foi capaz de privar as dimensões fundamentais da consciência (psico-neurológica, epistemológica e metafísica). A psiquiatria deverá avaliar se, sob efeitos desse rompante emocional, a consciência foi seriamente prejudicada. Até que ponto a Violenta Emoção justifica a pessoa não ter noção do que está fazendo?

Para que a tese da Violenta Emoção seja aceitável, é essencial que exista clara relação entre o fato injusto produzido pelo agente provocador e o delito reativo por parte do provocado. Para que essa Violenta Emoção seja juridicamente compreensível, além dela ter que ser a determinante exclusiva da conduta criminosa, necessita de uma adequada proporcionalidade entre o fato injusto provocador e a ação ilícita desencadeada. Em suma, a Violenta Emoção deveria surgir quando fosse atingido um limiar de tolerância à ofensa, a partir do qual a pessoa não mais seria capaz de controlar suas atitudes.

Entretanto, a Psiquiatria Forense deve ter em mente que a delimitação legal do conceito de Violenta Emoção não equivale, sempre, à definição que a ciência tem sobre isso. As dificuldades da Psiquiatria Forense dizem respeito à inexistência de parâmetros objetivos para argüição quantitativa e qualitativa do estado emocional das pessoas, parâmetros precisos o suficiente para supor que a partir de um certo ponto, esse estado emocional pudesse ser considerado Violenta Emoção.

Ora, as emoções humanas aparecem nos mais variados graus, desde as mais ligeiras até as mais violentas e, como uma pessoa nunca é uma cópia fiel do seu semelhante, diversos indivíduos colocados diante de uma mesma situação, poderão reagir de forma completamente diferente.

Para complicar mais ainda a questão, parece sensata a idéia, segundo a qual, "quem comete um crime, raramente o faz com isenção de ânimo". Normalmente, no ato da ação criminosa a pessoa experimenta sempre um estado de certo nervosismo ou perturbação. A não ser que se trate de uma pessoa patologicamente insensível (sociopata ou psicopata), raro será o homicídio em que o agente do crime não se mostre excitado ou perturbado. Por via de regra, ninguém mata a sangue frio.

Vamos ver agora uma linha de raciocínio que procura mostrar duas possibilidades:

1. Ou a Violenta Emoção existe de fato e é um acontecimento extremamente raro, com freqüência muito diferente da alegada nos processos da justiça ou, ao contrário;
2. É um conceito que não resiste a uma análise psicopatológica mais sensata.

Exige a lei, que essa tal Violenta Emoção, exista no sentido de dominar a capacidade de decisão e/ou de vontade do agente, levando-o ao crime. Ora, se a emoção deve dominar o agente, isso significa que este perde o seu autodomínio, seu controle, ficando prejudicado pois, sua consciência (como vimos acima) e prejudicada, conseqüentemente, sua relação com a realidade.

Aplicando-se um pouco de racionalidade ao crime atribuído à Violenta Emoção, vamos perceber que, ao contrário do que se espera de alguém que perde a consciência e a noção das coisas, o agente agressor parece conhecer e ter boa noção de sua vítima e do que quer fazer com ela; se fez incidir sua agressão em determinada região de sua vítima, como a face, por exemplo, ele estará querendo infligir lesões ou dolo nessa área determinada, portanto, mostrou conhecer bem sua vítima e suas intenções. A psicopatologia pode ter dúvidas incomodas em julgar se essa demonstração explícita de objetivos, vontade e querer é, de fato, emancipada da consciência. Mas vamos em frente.

O que a lei exige é algo mais do que um estado de nervosismo supostamente de Violenta Emoção. A justiça quer saber se o agressor tinha condições, naquele momento, de avaliar seu ato delituoso como possível de ser punido por lei ou, principalmente, se este ato choca sua própria consciência e seus valores sociais e morais. Interessa saber se a Violenta Emoção seria um fato capaz de determinar que o agente não fosse mais o condutor de seu comportamento, mas se deixaria levar e seria arrastado pela violência da emoção que o domina.

Mesmo em meios jurídicos, diz-se que o dolo e a responsabilidade não são incompatíveis com a emoção e a paixão. Portanto, a simples exaltação emocional, não significa, por si e obrigatoriamente, que o agente não tenha consciência da gravidade da sua conduta e nem capacidade para prever o resultado dela.

Do ponto de vista ético, a expressão "compreensível Violenta Emoção", como freqüentemente se atribui em processos judiciais é, com freqüência, contestável. Na grande maioria das vezes o que se observa é, tão somente, violência sem motivo relevante. Vejamos por exemplo, o caso do agressor ser uma pessoa propensa ao ciúme. Se sua "maneira de ser" fizer com que veja razões para um ciúme exagerado, onde qualquer outra pessoa normal não as veria, e se resolve ferir a companheira por vê-la atendendo uma chamada telefônica supostamente do sexo masculino, não podemos dizer, de forma alguma, ter havido aqui um caso de Violenta Emoção.

A própria justiça também não vê Violenta Emoção em relação aos crimes perpetrados por pessoas intoxicadas pelo álcool ou drogas. A situação psicopatológica mais provavelmente associada a essas circunstâncias, quando e se existirem, seria a Embriagues Patológica e ou a Psicose Induzida por Drogas.

A figura da Violenta Emoção também não é, nem pela justiça nem pela psiquiatria, associada aos crimes cometidos em legítima defesa. Aqui pesa muito mais, como agente causal, um rompante impulsivo no momento de séria ameaça de vida, em resposta ao instintivo de sobrevivência - um atributo biológico no reino animal.

Também não são considerados como Violenta Emoção, os crimes decorrentes de situações onde estariam ameaçadas as vidas de pessoas queridas e familiares, em resposta ao impulso da proteção da prole - também um atributo biológico do reino animal e, particularmente, humano.

Não que as pessoas envolvidas em situações como as supracitadas não devam ter a culpabilidade atenuada, dependendo é claro, das circunstâncias em que ocorreram, apenas não se trata do conceito de Violenta Emoção. Assim continuando, vamos ter que a Violenta Emoção deverá ser atribuída somente em pouquíssimos casos, quando e se puder ser atribuída.

Se fosse atribuída Violenta Emoção à um delito, como ficaria a questão da periculosidade do agressor? Aparentemente parece não ser obrigatória a associação dessas circunstâncias (Violenta Emoção e periculosidade), mas vejamos. Vamos, considerar o agressor suspeito de ter cometido o delito por Violenta Emoção, nosso principal objeto de estudo.

Quem e como é ele? Tem ele uma personalidade absolutamente normal ou não? Se tiver a personalidade absolutamente normal, significa que a expressiva maioria das pessoas (também normais) submetidas ao mesmo estímulo que desencadeou nele a Violenta Emoção, também reagiriam desse modo. O bom senso será o árbitro dessa questão que o perito deve se fazer: quantas pessoas submetidas ao mesmo estímulo reagiriam da mesma forma?

Se considerarmos que a maioria das pessoas reagiria da mesma forma, então, realmente o estímulo foi humanamente suficiente para desencadear (fisiologicamente) a Violenta Emoção, não apenas nessa pessoa, mas em qualquer outra nas mesmas circunstâncias. Nesse caso, estará absolutamente caracterizado um caso de Violenta Emoção e, de fato, isso existe do jeito que a justiça imagina. Nosso bom senso continua ajuizando a freqüência com que isso realmente deve acontecer.

Se, por outro lado, considerarmos que a maioria das pessoas não reagiria dessa mesma forma, significa que essa pessoa, em particular, tem algo diferente das demais. E que algo é esse? Possivelmente alguma alteração de personalidade, já que não dispõe de outro diagnóstico (senão constaria nos autos do processo). Aí então seríamos inclinados a pensar que essa Violenta Emoção foi própria de um Transtorno de Personalidade.

Sendo essa hipótese verdadeira, estaria descaracterizada a Violenta Emoção porque, por conceito, a Violenta Emoção deve ser um acontecimento absolutamente incomum na vida da pessoa, podendo (e devendo) ocorrer em pessoas absolutamente normais.

Mesmo respeitando-se a possibilidade do acontecimento da Violenta Emoção ter sido algo absolutamente incomum, quiçá único, na vida da pessoa, se não julgarmos que a maioria das pessoas reagiriam dessa mesma forma, essa pessoa não pode ser considerada estatisticamente normal. No mínimo ela é estatisticamente não-normal. Essa não-normalidade nos remete, novamente, à hipótese do Transtorno de Personalidade.

Ora, se essa pessoa tiver Transtorno de Personalidade, então ninguém nesse mundo poderá garantir, pelo próprio conceito de Transtorno de Personalidade, que o episódio de Violenta Emoção será único. Portanto, tendo em vista a probabilidade de recorrência, ou seja, considerando sua imprevisibilidade, poderá ser questionada a periculosidade. Como os Transtornos de Personalidade têm um prognóstico bastante sombrio em termos de mudanças, essa periculosidade poderá ser considerada definitiva.

Finalizando, caso a Violenta Emoção nas circunstâncias avaliadas seja um acontecimento incomum à maioria das pessoas e, assim, denuncie uma pessoa não-normal; caso essa não normalidade seja indícios de Transtorno de Personalidade, portanto, sujeita a recaídas; caso a possibilidade de novos episódios de Violenta Emoção recomende a periculosidade e, em decorrência, o tratamento compulsório em Hospital de Custódia, então, pelo menos no Brasil, ao invés de atenuar a pena, a Violenta Emoção agravou-a e muito. Isso porque será difícil encontrar um psiquiatra capaz de garantir, com sua assinatura, que esse Transtorno de Personalidade não se repetirá jamais, cessando assim a periculosidade e liberando o agressor.


para referir:
Ballone GJ - Violenta Emoção - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2007.

ANEXO
Violenta Emoção, do ponto de vista jurídico, é uma situação atenuante de alguns delitos e é caracterizada por um estado emocional, de ânimo e de sentimento muito excitado.

Pela lógica e pela psicopatologia, não se concebe uma Violenta Emoção, capaz de arrebatar a pessoa para um delito, sem que tenha havido, juntamente, um prejuízo temporário da consciência. E de qual parte da consciência teria sido esse prejuízo?

Evidentemente não seria da quantidade da consciência, pois a pessoa encontra-se bastante vigil e atenta. Seria então, da qualidade da consciência. E de qual das duas partes da qualidade da consciência seria esse prejuízo? Evidentemente não está prejudicada a capacidade integrativa da consciência, pois a pessoa precisa, imperiosamente, desse aspecto integrativo para agir com eficiência.

Restou o prejuízo do aspecto ético da consciência. Pela lógica, como vimos, a ética foi o único setor da consciência a ser profundamente prejudicado nos casos considerados “crimes emocionais”, onde grassa a Violenta Emoção.

Faculdade Moral e Consciência
Faculdade Moral e Consciência são dois princípios básicos da mente humana. Por Faculdade Moral entende-se o atributo da mente humana capaz de distinguir e eleger entre o bem e o mal; ou, dito de outro modo, entre a virtude e o vício.

Trata-se de um princípio inato e, ainda que possa melhorar-se pela experiência e pela reflexão, não deriva de nenhuma delas, nem da experiência, nem da razão. Através das faculdades morais a pessoa pode desempenhar um comportamento ético.

Tanto São Paulo quanto Cícero oferecem a descrição mais perfeita sobre a Faculdade Moral que se pode encontrar. Conforme disse São Paulo, "Pois quando os gentis, que não têm lei, praticam por sua natureza as cosas da lei, estes, não tendo lei, são leis para si mesmos, agindo de acordo com uma lei escrita em seus corações, tendo suas Consciências e suas razões como testemunhas que, entre si, os acusam ou defendem mutuamente".

Em Cícero, a Faculdade Moral se confunde, às vezes, com a própria Consciência, que é uma outra atribuição independente e especial da mente. Isso fica refletido na passagem citada dos escritos de São Paulo, em que se disse que a Consciência é a testemunha que nos acusa ou não de uma infração da lei escrita em nossos corações. De um modo geral, a Faculdade Moral realiza a função de legislador elaborando as leis, enquanto que a Consciência atuaria de juiz, julgando o ato.

Segundo a neurofisiologia, a conduta humana civilizada se estrutura numa hierarquia de prioridades, começando pelas mais básicas, como o comer, por exemplo, até as mais sublimes, como a moral. É aceita a idéia de que, diante das exigências e ameaças às quais a pessoa está sujeita, os níveis mais superiores dão lugar aos mais inferiores.




Busca




NEWSLETTER
Receba os boletins informativos do PsiqWeb no seu e-mail

Procurando por algum autor cúmplice que também defenda a idéia de que a violência e a agressividade não podem ser consideradas, absolutamente, predominante em pacientes psiquiátricos, encontrei um artigo do prof. Eunofre Marques sobre a sociedade americana.

É importante essa reflexão, na medida em que os conceitos emprestados da ciência pela sociedade costumam gerar valores sociais, como é o caso das classificações psiquiátricas que, através da Psiquiatria Forense formam escala de valores de uma comunidade.

Vejamos parte do artigo de Eunofre Marques:

"Existem dois tipos de distúrbios do comportamento para os americanos:

1. Distúrbios de comportamento decorrentes de distúrbios mentais. Neste caso, eles coincidem com os sintomas de distúrbios mentais conforme a avaliação européia. O que é patológico para os europeus também é patológico para os americanos.
2. Distúrbios de comportamento representados por comportamentos que violam os padrões ético-morais da sociedade americana e que não estão catalogados como comportamentos criminosos. Aqui são incluídas, por exemplo, a agressividade, a perversidade (maldade: as pessoas "más" são classificadas por eles como psicopatas porque ninguém pode ser normalmente mau) e as "perversões".
Estas são comportamentos desviados do código moral protestante, especialmente os sexuais, excluindo-se atualmente, é óbvio, o comportamento homossexual, que se tornou um direito individual.
Os DSMs (Classificações Norte-Americana de Psiquiatria) ainda incluem o homossexualismo como patológico, mas, devido ao poderosíssimo lobby dos homossexuais, a psiquiatria americana já praticamente concordou em excluí-lo da sua lista. Com a progressiva ampliação do código penal americano, a maior parte desse tipo de comportamentos também é atualmente considerada como atos criminosos.
3. Distúrbios de comportamento representados por comportamentos díspares, isto é, que diferem claramente do senso comum mas que não violam nem os padrões ético-morais nem o código penal. Deste grupo podemos citar o isolamento, a inibição (no relacionamento interpessoal), os hábitos reverberantes não produtivos (tomar muito cafezinho, comer muito chocolate, ficar muito tempo no computador, etc.) e, em especial, a ausência de competitividade e, mais ainda, de ambição social."

---------------------------

EPILEPSIA(s) E A LEI
Epilepsias
estão estudadas, na psiquiatria forense, junto com os Transtornos da Consciência. Esta condição transitória também modifica a imputabilidade do indivíduo. Pode estar incluída no contexto dos transtornos mentais.

A consciência aqui tem que ser entendida como um estado em que somos capazes de perceber o mundo externo (consciência objetiva) e nós mesmos (autoconsciência) e não como a totalidade da vida psíquica algumas condições da patologia da vida psíquica, e particularmente na Epilepsia, podem ocorrer estados de automatismo psicomotores devido a estreitamentos do campo da consciência, bem como turvações da consciência. Estes estados anormais da consciência podem conduzir a atos ilícitos com amnésia subseqüente (veja mais.

Nomenclatura arcaica (mas verdadeira)
Embora alguns termos tenham seu uso ultrapassado, transportando-se essas denominações antigas para os quadros recentemente classificados, veremos que as considerações forenses têm muito sentido.

Vejamos o texto de Paulo Antonio Begalli, dentro do qual coloco entre parênteses a denominação recente:
"Angioli Filippi em seus Princípios de Medicina Legal , menciona as seguintes enfermidades que alteram a integridade mental: idiotismo e imbecilidade (Retardo Mental); imbecilidade moral (loucura moral, lúcida e raciocinante) (?) paranóia e os delírios sistematizados (Transtorno Delirante Persistente); melancolia (fase Depressiva Grave do Transtorno Afetivo Bipolar); mania e acesso de furor maníaco transitório (fase de Euforia Grave do Transtorno Afetivo Bipolar); Paralisia Geral (Neurosífilis); loucura circular ou de forma dupla (Transtorno Afetivo Bipolar Cicladora Ráida), onde existem intervalos lúcidos; epilepsia, no último período da Loucura Epilética (Psicose Orgânica), quando a desorganização psíquica se torna profunda; histero-epilepsia, com exagerada extravagância e excentricidades (Dissociação Histérica); dipsomania (Beber Compulsivo), com tendência periódica irresistível para a embriaguez, que pode alcançar o grau de delírio alcoólico crônico”. (veja mais

O QUE SE ENTENDIA POR "EQUIVALENTE EPILÉPTICO
Billode foi o primeiro autor que falou em ‘Equivalentes Epilépticos’ seguido por Falret. Para eles se tratava de uma série de sintomas de consciência e comportamentais apresentados de forma imprevisível, bruscamente, com tendência a repetir-se com certa periodicidade, mas que não se seguia de um verdadeiro ataque convulsivo. Acreditou-se que essa era a única manifestação de uma epilepsia larvada (subclínica) ou latente, de qualquer forma, de uma epilepsia não-convulsiva.

O Dicionário de Epilepsia, dirigido por H. Gastaut e publicado por a OMS, define os Equivalentes Epilépticos como: “Expressão que se emprega com freqüência para designar os fenômenos clínicos aos quais se atribuía o mesmo valor de uma crise epiléptica, ainda que suas características clínicas sejam diferentes do grande mal, considerado então como a única forma de epilepsia

PALAVRAS PARA REFLETIR

“O que mudou foi o guardião da loucura. O juiz vem dando lugar ao psiquiatra. E, se compreender, ainda que no nível de impulsos eletroquímicos, é, em alguma medida, perdoar, essa fórmula não encontrou expressão na situação jurídica do louco.”

A maior compreensão dos fatores neuroquímicos que determinam a loucura por certo tornou a categorização da insanidade mais complexa. A psiquiatria forense chegou a desenvolver o conceito de Epilepsia Condutopática, na melhor tradição lombrosiana. A sociedade, entretanto, por razões práticas, mas também por algo de insondável, nunca deixou de condenar a alteridade representada pela loucura a algum de seus porões.

E as novas categorias médicas não se aplicam apenas à insanidade, mas também para mínimas alterações de humor. Estados antes filosóficos, como a melancolia, passam a ser fisiologicamente determinados e recebem nomes como depressão endógena.

Todos loucos, assassinos, homossexuais e até "normais" são o que são por uma fatalidade bioquímica . Rouba-se assim parcela do livre-arbítrio humano. A trama de "O Alienista" torna-se perigosamente verossímil”. (veja o artigo)

--------------------------------

Além da natureza tumoral de lesões produtoras de comportamento violento, o tipo mais comum de doença cerebral associada à agressão e violência tem sido a Epilepsia do Lobo Temporal. Mark e Ervin documentaram muito bem o caso de Jennie, uma adolescente considerada como criança modelo.

Um dia, ao ser criticada por ouvir alto demais seus discos, teve um acesso destrutivo e quebrou tudo que estava em seu quarto. Seus estados de ânimo variavam entre o angelical e o demoníaco e, finalmente, depois de estrangular um bebê de meses por não suportar seu choro. Jennie foi institucionalizada. Como seu irmão tinha epilepsia, aventou-se a possibilidade de sua extrema agressividade ser ocasionada por uma doença cerebral orgânica.

Posteriormente constatou-se um foco irritativo temporal esquerdo, o qual entrava em atividade quando a paciente era estimulada a sentir raiva. O eletroencefalograma conseguido durante a estimulação por choro de bebê mostrou claramente a alteração desencadeada pela irritação da paciente.

Exemplo de Lesão ocasionando Comportamento Violento
Em 1966 o mundo ficou estarrecido com o comportamento de Charles Whitman, no Texas, o qual promoveu um assassinato em massa que vitimou 16 pessoas e feriu 24. Muitos outros casos semelhantes tornaram-se manchetes de jornais, às vezes até com maior violência.
Os escritos de Charles Whitman, encontrados depois da tragédia, diziam o seguinte:

"... eu realmente não me compreendo estes dias. Supostamente sou um jovem médio, razoável e inteligente. Contudo ultimamente venho sendo vítima de pensamentos pouco comuns. ...Falei com um médico uma vez durante duas horas, e tentei transmitir-lhe meus medos de que eu me sentia subjugado por impulsos violentos extremamente fortes. ...Venho tendo tremendas dores de cabeça e consumi dois grandes vidros de Excedrin nos últimos três meses".
"Foi depois de muito pensar que decidi matar minha esposa Kathy esta noite, depois que eu a apanhar no trabalho. ...Amo-a muito e ela tem sido boa esposa para mim, tão boa quanto qualquer homem possa desejar. Racionalmente não encontro nenhuma razão para fazer isso. ...Neste momento, porém, a razão predominante em minha mente é que em verdade não considero que valha a pena viver neste mundo, e eu estou preparado para morrer, e não desejo deixá-la sofrer sozinha nele. Pretendo matá-la de forma tão indolor quanto possível..."


Na noite do dia em que escreveu esta carta Whitman matou, não só sua esposa, como também a sua mãe. Na manhã seguinte ele se escondeu atrás de barricadas no topo de uma torre da Universidade do Texas com um rifle de caça equipado de luneta e, durante 90 minutos, atirou em tudo que se movia, quando finalmente mataram-no a tiros. Um exame post-mortem de seu cérebro evidenciou um glioblastoma, tumor altamente maligno, na área do núcleo amigdalóide.

GENÉTICA E AGRESSIVIDADE
Geneticamente podemos dizer da fisiopatologia da agressão que, de fato, não se trata de um traço de personalidade invariavelmente herdado, mas os fatores de influência na agressão podem ser, seguramente, transmitidos geneticamente. Tais fatores incluem o perfil de atividade hormonal, os limiares de ativação das estruturas cerebrais e, evidentemente, as epilepsias geneticamente transmitidas.

Em cães, é bem sabida a potencialidade agressiva de determinadas linhagens, entretanto, nos seres humanos, tendo em vista as inúmeras variáveis ambientais e culturais essa conclusão não tem sido possível.

A citogenética tem permitido uma eficiente identificação dos cromossomos humanos e algumas alterações relacionadas ao comportamento mais agressivo. Somente um, entre os 23 pares de cromossomos, difere os machos das fêmeas: a mulher tem um par igual (XX) enquanto o homem tem um cromossomo igual ao da mulher (X) e um outro diferente (Y), portanto, o XY, característico do sexo masculino, determina a distribuição hormonal e as demais características do homem. No estudo da agressão tem particular interesse uma anomalia cromossômica caracterizada por um Y a mais, ou seja, um genótipo aberrante XYY ao invés do XY normal.

Numa população de prisioneiros violentos, Moyano encontrou uma incidência de 3,5% de homens XYY, enquanto na população geral é estimada uma incidência entre 0,7 e 0,2%. O mesmo autor termina seu trabalho concluindo que a configuração XYY se constitui num fator predisponente à conduta agressiva exagerada, embora não pareça ser um elemento exclusivo como determinante da mesma.

Neste sentido, poderia aventar-se a hipótese de que o cérebro dos sujeitos portadores de um cromossomo Y extra estaria semi-programado para a conduta agressiva e anti-social, mas que esta só se manifestaria, em toda sua amplitude, quando se somasse uma série de elementos ambientais adversos. Ainda que esta anomalia cromossômica possa, de fato, estar associada à agressividade e violência, não se trata aqui de doença mental.

Os opositores da hipótese XYY para a agressividade argumentam que a maior estatura e maior compleição dos portadores dessa anomalia favoreceriam, psicodinamicamente, uma tendência à agressão. Isso se daria em decorrência da maior possibilidade de êxito social através da violência, já que, normalmente, são indivíduos mais fortes. Além disso, tais pessoas são bastante estimuladas ao comportamento violento pelo fato de despertarem, nos demais, a expectativa de atuação agressiva. A sociedade atribui naturalmente aos fortes um papel social de homens mais capazes fisicamente.

HORMÔNIOS E AGRESSIVIDADE
Em relação à relação da agressão com hormônios, a testosterona tem sido o hormônio sexual mais importante. Experimentos têm demonstrado que a agressividade determinada pelo isolamento prolongado pode ser diminuída com tratamento a base de estrogênio e, em menor proporção, com progesterona. As relações entre agressividade e impulso sexual têm merecido especial destaque por parte dos pesquisadores, notadamente em relação à morfologia e função do diencéfalo, área que parece controlar a secreção gonadal dos hormônios sexuais.


 

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 154 155 156 157 158 159 160 161 162 163 164 165 166 167 168 169 170 171 172 173 174 175 176 177 178 179 180 181 182 183 184 185 186 187 188 189 190 191 192 193 194 195 196 197 198 199 200 201 202 203 204 205 206 207 208 209 210 211 212 213 214 215 216 217 218 219 220 221 222 223 224 225 226 227 228 229 230 231 232 233 234 235 236 237 238 239 240 241 242 243 244 245 246 247 248 249 250 251 252 253 254 255 256 257 258 259 260 261 262 263 264 265 266 267 268 269 270 271 272 273 274 275 276 277 278 279 280 281 282 283 284 285 286 287 288 289 290 291 292 293 294 295 296 297 298 299 300 301 302 303 304 305 306 307 308 309 310 311 312 313 314 315 316 317 318 319 320 321 322 323 324 325 326 327 328 329 330 331 332 333 334 335 336 337 338 339 340 341 342 343 344 345 346 347 348 349 350 351 352 353 354 355 356 357 358 359 360 361 362 363 364 365 366 367 368 369 370 371 372 373 374 375 376 377 378 379 380 381 382 383 384 385 386 387 388 389 390 391 392 393 394 395 396 397 398 399 400 401 402 403 404 405 406 407 408 409 410 411 412 413 414 415 416 417 418 419 420 421 422 423 424 425 426 427 428 429 430 431 432 433 434 435 436 437 438 439 440 441 442 443 444 445 446 447 448 449 450 451 452 453 454 455 456 457 458 459 460 461 462 463 464 465 466 467 468 469 470 471 472 473 474 475 476 477 478 479 480 481 482 483 484 485 486 487 488 489 490 491 492 493 494 495 496 497 498 499 500 501 502 503 504 505 506 507 508 509 510 511 512 513 514 515 516 517 518 519 520 521 522 523 524 525 526 527 528 529 530 531 532 533 534 535 536 537 538 539 540 541 542 543 544 545 546 547 548 549 550 551 552 553 554 555 556 557 558 559 560 561 562 563 564 565 566 567 568 569 570 571 572 573 574 575 576 577 578 579 580 581 582 583 584 585 586 587 588 589 590 591 592 593 594 595 596 597 598 599 600 601 602 603 604 605 606 607 608 609 610 611 612 613 614 615 616 617 618 619 620 621 622 623 624 625 626 627 628 629 630 631 632 633 634 635 636 637 638 639 640 641 642 643 644 645 646 647 648 649 650 651 652 653 654 655 656 657 658 659 660 661 662 663 664 665 666 667 668 669 670 671 672 673 674 675 676 677 678 679 680 681 682 683 684 685 686 687 688 689 690 691 692 693 694 695 696 697 698 699 700 701 702 703 704 705 706 707 708 709 710 711 712 713 714 715 716 717 718 719 720 721 722 723 724 725 726 727 728 729 730 731 732 733 734 735 736 737 738 739 740 741 742 743 744 745 746 747 748 749 750 751 752 753 754 755 756 757 758 759 760 761 762 763 764 765 766 767 768 769 770 771 772 773 774 775 776 777 778 779 780 781 782 783 784 785 786 787 788 789 790 791 792 793 794 795 796 797 798 799 800 801 802 803 804 805 806 807 808 809 810 811 812 813 814 815 816 817 818 819 820 821 822 823 824 825 826 827 828 829 830 831 832 833 834 835 836 837 838 839 840 841 842 843 844 845 846 847 848 849 850 851 852 853 854 855 856 857 858 859 860 861 862 863 864 865 866 867 868 869 870 871 872 873 874 875 876 877 878 879 880 881 882 883 884 885 886 887 888 889 890 891 892 893 894 895 896 897 898 899 900 901 902 903 904 905 906 907 908 909 910 911 912 913 914 915 916 917 918 919 920 921 922 923 924 925 926 927 928 929 930 931 932 933 934 935 936 937 938 939 940 941 942 943 944 945 946 947 948 949 950 951 952 953 954 955 956 957 958 959 960 961 962 963 964 965 966 967 968 969 970 971 972 973 974 975 976 977 978 979 980 981 982 983 984 985 986 987 988 989 990 991 992 993 994 995 996 997 998 999 1000 1001 1002 1003 1004 1005 1006 1007 1008 1009 1010 1011 1012 1013 1014 1015 1016 1017 1018 1019 1020 1021 1022 1023 1024 1025 1026 1027 1028 1029 1030 1031 1032 1033 1034 1035 1036 1037 1038 1039 1040 1041 1042 1043 1044 1045 1046 1047 1048 1049 1050 1051 1052 1053 1054 1055 1056 1057 1058 1059 1060 1061 1062 1063 1064 1065 1066 1067 1068 1069 1070 1071 1072 1073 1074 1075 1076 1077 1078 1079 1080 1081 1082 1083 1084 1085 1086 1087 1088 1089 1090 1091 1092 1093 1094 1095 1096 1097 1098 1099 1100 1101 1102 1103 1104 1105 1106 1107 1108 1109 1110 1111 1112 1113 1114 1115 1116 1117 1118 1119 1120 1121 1122 1123 1124 1125 1126 1127 1128 1129 1130 1131 1132 1133 1134 1135 1136 1137 1138 1139 1140 1141 1142 1143 1144 1145 1146 1147 1148 1149 1150 1151 1152 1153 1154 1155 1156 1157 1158 1159 1160 1161 1162 1163 1164 1165 1166 1167 1168 1169 1170 1171 1172 1173 1174 1175 1176 1177 1178 1179 1180 1181 1182 1183 1184 1185 1186 1187 1188 1189 1190 1191 1192 1193 1194 1195 1196 1197 1198 1199 1200 1201 1202 1203 1204 1205 1206 1207 1208 1209 1210 1211 1212 1213 1214 1215 1216 1217 1218 1219 1220 1221 1222 1223 1224 1225 1226 1227 1228 1229 1230 1231 1232 1233 1234 1235 1236 1237 1238 1239 1240 1241 1242 1243 1244 1245 1246 1247 1248 1249 1250 1251 1252 1253 1254 1255 1256 1257 1258 1259 1260 1261 1262 1263 1264 1265 1266 1267 1268 1269 1270 1271 1272 1273 1274 1275 1276 1277 1278 1279 1280 1281 1282 1283 1284 1285 1286 1287 1288 1289 1290 1291 1292 1293 1294 1295 1296 1297 1298 1299 1300 1301 1302 1303 1304 1305 1306 1307 1308 1309 1310 1311 1312 1313 1314 1315 1316 1317 1318 1319 1320 1321 1322 1323 1324 1325 1326 1327 1328 1329 1330 1331 1332 1333 1334 1335 1336 1337 1338 1339 1340 1341 1342 1343 1344 1345 1346 1347 1348 1349 1350 1351 1352 1353 1354 1355 1356 1357 1358 1359 1360 1361 1362 1363 1364 1365 1366 1367 1368 1369 1370 1371 1372 1373 1374 1375 1376 1377 1378 1379 1380 1381 1382 1383 1384 1385 1386 1387 1388 1389 1390 1391 1392 1393 1394 1395 1396 1397 1398 1399 1400 1401 1402 1403 1404 1405 1406 1407 1408 1409 1410 1411 1412 1413 1414 1415 1416 1417 1418 1419 1420 1421 1422 1423 1424 1425 1426 1427 1428 1429 1430 1431 1432 1433 1434 1435 1436 1437 1438 1439 1440 1441 1442 1443 1444 1445 1446 1447 1448 1449 1450 1451 1452 1453 1454 1455 1456 1457 1458 1459 1460 1461 1462 1463 1464 1465 1466 1467 1468 1469 1470 1471 1472 1473 1474 1475 1476 1477 1478 1479 1480 1481 1482 1483 1484 1485 1486 1487 1488 1489 1490 1491 1492 1493 1494 1495 1496 1497 1498 1499 1500 1501 1502 1503 1504 1505 1506 1507 1508 1509 1510 1511 1512 1513 1514 1515 1516 1517 1518 1519 1520 1521 1522 1523 1524 1525 1526 1527 1528 1529 1530 1531 1532 1533 1534 1535 1536 1537 1538 1539 1540 1541 1542 1543 1544 1545 1546 1547 1548 1549 1550 1551 1552 1553 1554 1555 1556 1557 1558 1559 1560 1561 1562 1563 1564 1565 1566 1567 1568 1569 1570 1571 1572 1573 1574 1575 1576 1577 1578 1579 1580 1581 1582 1583 1584 1585 1586 1587 1588 1589 1590 1591 1592 1593 1594 1595 1596 1597 1598 1599 1600 1601 1602 1603 1604 1605 1606 1607 1608 1609 1610 1611 1612 1613 1614 1615 1616 1617 1618 1619 1620 1621 1622 1623 1624 1625 1626 1627 1628 1629 1630 1631 1632 1633 1634 1635 1636 1637 1638 1639 1640 1641 1642 1643 1644 1645 1646 1647 1648 1649 1650 1651 1652 1653 1654 1655 1656 1657 1658 1659 1660 1661 1662 1663 1664 1665 1666 1667 1668 1669 1670 1671 1672 1673 1674 1675 1676 1677 1678 1679 1680 1681 1682 1683 1684 1685 1686 1687 1688 1689 1690 1691 1692 1693 1694 1695 1696 1697 1698 1699 1700 1701 1702 1703 1704 1705 1706 1707 1708 1709 1710 1711 1712 1713 1714 1715 1716 1717 1718 1719 1720 1721 1722 1723 1724 1725 1726 1727 1728 1729 1730 1731 1732 1733 1734 1735 1736 1737 1738 1739 1740 1741 1742 1743 1744 1745 1746 1747 1748 1749 1750 1751 1752 1753 1754 1755 1756 1757 1758 1759 1760 1761 1762 1763 1764 1765 1766 1767 1768 1769 1770 1771 1772 1773 1774 1775 1776 1777 1778 1779 1780 1781 1782 1783 1784 1785 1786 1787 1788 1789 1790 1791 1792 1793 1794 1795 1796 1797 1798 1799 1800 1801 1802 1803 1804 1805 1806 1807 1808 1809 1810 1811 1812 1813 1814 1815 1816 1817 1818 1819 1820 1821 1822 1823 1824 1825 1826 1827 1828 1829 1830 1831 1832 1833 1834 1835 1836 1837 1838 1839 1840 1841 1842 1843 1844 1845 1846 1847 1848 1849 1850 1851 1852 1853 1854 1855 1856 1857 1858 1859 1860 1861 1862 1863 1864 1865 1866 1867 1868 1869 1870 1871 1872 1873 1874 1875 1876 1877 1878 1879 1880 1881 1882 1883 1884 1885 1886 1887 1888 1889 1890 1891 1892 1893 1894 1895 1896 1897 1898 1899 1900 1901 1902 1903 1904 1905 1906 1907 1908 1909 1910 1911 1912 1913 1914 1915 1916 1917 1918 1919 1920 1921 1922 1923 1924 1925 1926 1927 1928 1929 1930 1931 1932 1933 1934 1935 1936 1937 1938 1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 1946 1947 1948 1949 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2026 2027 2028 2029 2030 2031 2032 2033 2034 2035 2036 2037 2038 2039 2040 2041 2042 2043 2044 2045 2046 2047 2048 2049 2050 2051 2052 2053 2054 2055 2056 2057 2058 2059 2060 2061 2062 2063 2064 2065 2066 2067 2068 2069 2070 2071 2072 2073 2074 2075 2076 2077 2078 2079 2080 2081 2082 2083 2084 2085 2086 2087 2088 2089 2090 2091 2092 2093 2094 2095 2096 2097 2098 2099 2100 2101 2102 2103 2104 2105 2106 2107 2108 2109 2110 2111 2112 2113 2114 2115 2116 2117 2118 2119 2120 2121 2122 2123 2124 2125 2126 2127 2128 2129 2130 2131 2132 2133 2134 2135 2136 2137 2138 2139 2140 2141 2142 2143 2144 2145 2146 2147 2148 2149 2150 2151 2152 2153 2154 2155 2156 2157 2158 2159 2160 2161 2162 2163 2164 2165 2166 2167 2168 2169 2170 2171 2172 2173 2174 2175 2176 2177 2178 2179 2180 2181 2182 2183 2184 2185 2186 2187 2188 2189 2190 2191 2192 2193 2194 2195 2196 2197 2198 2199 2200 2201 2202 2203 2204 2205 2206 2207 2208 2209 2210 2211 2212 2213 2214 2215 2216 2217 2218 2219 2220 2221 2222 2223 2224 2225 2226 2227 2228 2229 2230 2231 2232 2233 2234 2235 2236 2237 2238 2239 2240 2241 2242 2243 2244 2245 2246 2247 2248 2249 2250 2251 2252 2253 2254 2255 2256 2257 2258 2259 2260 2261 2262 2263 2264 2265 2266 2267 2268 2269 2270 2271 2272 2273 2274 2275 2276 2277 2278 2279 2280 2281 2282 2283 2284 2285 2286 2287 2288 2289 2290 2291 2292 2293 2294 2295 2296 2297 2298 2299 2300 2301 2302 2303 2304 2305 2306 2307 2308 2309 2310 2311 2312 2313 2314 2315 2316 2317 2318 2319 2320 2321 2322 2323 2324 2325 2326 2327 2328 2329 2330 2331 2332 2333 2334 2335 2336 2337 2338 2339 2340 2341 2342 2343 2344 2345 2346 2347 2348 2349 2350 2351 2352 2353 2354 2355 2356 2357 2358 2359 2360 2361 2362 2363 2364 2365 2366 2367 2368 2369 2370 2371 2372 2373 2374 2375 2376 2377 2378 2379 2380 2381 2382 2383 2384 2385 2386 2387 2388 2389 2390 2391 2392 2393 2394 2395 2396 2397 2398 2399 2400 2401 2402 2403 2404 2405 2406 2407 2408 2409 2410 2411 2412 2413 2414 2415 2416 2417 2418 2419 2420 2421 2422 2423 2424 2425 2426 2427 2428 2429 2430 2431 2432 2433 2434 2435 2436 2437 2438 2439 2440 2441 2442 2443 2444 2445 2446 2447 2448 2449 2450 2451 2452 2453 2454 2455 2456 2457 2458 2459 2460 2461 2462 2463 2464 2465 2466 2467 2468 2469 2470 2471 2472 2473 2474 2475 2476 2477 2478 2479 2480 2481 2482 2483 2484 2485 2486 2487 2488 2489 2490 2491 2492 2493 2494 2495 2496 2497 2498 2499 2500 2501 2502 2503 2504 2505 2506 2507 2508 2509 2510 2511 2512 2513 2514 2515 2516 2517 2518 2519 2520 2521 2522 2523 2524 2525 2526 2527 2528 2529 2530 2531 2532 2533 2534 2535 2536 2537 2538 2539 2540 2541 2542 2543 2544 2545 2546 2547 2548 2549 2550 2551 2552 2553 2554 2555 2556 2557 2558 2559 2560 2561 2562 2563 2564 2565 2566 2567 2568 2569 2570 2571 2572 2573 2574 2575 2576 2577 2578 2579 2580 2581 2582 2583 2584 2585 2586 2587 2588 2589 2590 2591 2592 2593 2594 2595 2596 2597 2598 2599 2600 2601 2602 2603 2604 2605 2606 2607 2608 2609 2610 2611 2612 2613 2614 2615 2616 2617 2618 2619 2620 2621 2622 2623 2624 2625 2626 2627 2628 2629 2630 2631 2632 2633 2634 2635 2636 2637 2638 2639 2640 2641 2642 2643 2644 2645 2646 2647 2648 2649 2650 2651 2652 2653 2654 2655 2656 2657 2658 2659 2660 2661 2662 2663 2664 2665 2666 2667 2668 2669 2670 2671 2672 2673 2674 2675 2676 2677 2678 2679 2680 2681 2682 2683 2684 2685 2686 2687 2688 2689 2690 2691 2692 2693 2694 2695 2696 2697 2698 2699 2700 2701 2702 2703 2704 2705 2706 2707 2708 2709 2710 2711 2712 2713 2714 2715 2716 2717 2718 2719 2720 2721 2722 2723 2724 2725 2726 2727 2728 2729 2730 2731 2732 2733 2734 2735 2736 2737 2738 2739 2740 2741 2742 2743 2744 2745 2746 2747 2748 2749 2750 2751 2752 2753 2754 2755 2756 2757 2758 2759 2760 2761 2762 2763 2764 2765 2766 2767 2768 2769 2770 2771 2772 2773 2774 2775 2776 2777 2778 2779 2780 2781 2782 2783 2784 2785 2786 2787 2788 2789 2790 2791 2792 2793 2794 2795 2796 2797 2798 2799 2800 2801 2802 2803 2804 2805 2806 2807 2808 2809 2810 2811 2812 2813 2814 2815 2816 2817 2818 2819 2820 2821 2822 2823 2824 2825 2826 2827 2828 2829 2830 2831 2832 2833 2834 2835 2836 2837 2838 2839 2840 2841 2842 2843 2844 2845 2846 2847 2848 2849 2850 2851 2852 2853 2854 2855 2856 2857 2858 2859 2860 2861 2862 2863 2864 2865 2866 2867 2868 2869 2870 2871 2872 2873 2874 2875 2876 2877 2878 2879 2880 2881 2882 2883 2884 2885 2886 2887 2888 2889 2890 2891 2892 2893 2894 2895 2896 2897 2898 2899 2900 2901 2902 2903 2904 2905 2906 2907 2908 2909 2910 2911 2912 2913 2914 2915 2916 2917 2918 2919 2920 2921 2922 2923 2924 2925 2926 2927 2928 2929