Curso e Evolução da Esquizofrenia

Embora a tendência de deterioração tenha sido a característica definidora da Demência Precoce para Kraepelin ela ainda é variável
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Embora a tendência de deterioração tenha sido a característica definidora da Demência Precoce para Kraepelin, este reconhecia que 13% dos seus pacientes se recuperavam do estado agudo. Mayer Gross e col, há mais de 20 anos, afirmavam que as condições agrupadas sob o termo Esquizofrenia estavam associadas à uma tendência geral para desintegração da personalidade, sublinhando a inclinação para um resultado desfavorável no curso da doença.

 

Suas minuciosas observações levaram-no a reconhecer que o esquizofrênico poderia ficar decididamente pior até que, depois de alguns anos, apresentaria uma deterioração de tal forma que jamais pudesse deixar o hospital ou, por outro lado, que o processo da doença poderia chegar a um ponto morto, deixando um defeito de personalidade desde leve, subclínico até grave.

 

Mesmo assim Mayer-Gross reconhecia que, freqüentemente, o defeito não era tão grave ao ponto de impedir o paciente de partilhar a vida na comunidade, mas em geral reduzia sua capacidade de trabalho e de gozar a vida completamente.

 

São também de Mayer-Gross as observações de que a cicatriz da personalidade pode manter-se estacionária ou progredir muito lentamente, mostrando que o processo da doença nunca para completamente.

 

Constatou que um segundo ataque da doença, depois de alguns ou muitos anos, poderia obrigar a readmissão no hospital, talvez para sempre. Sobre o curso da Esquizofrenia, dizia que a doença pode mostrar agravamento e remissões desde o início e que tais flutuações podem continuar pela vida afora, mas isso é raro. Via de regra, achava que mesmo o paciente ficando bom no primeiro e segundo surtos, no terceiro a perspectiva de recuperação ficava muito reduzida.

 

Observações de Mayer-Gross baseadas em amostras de pacientes antes do advento do tratamento biológico para esquizofrenia resultaram na constatação de que as perspectivas de remissão espontânea duradoura são maiores durante os dois primeiros anos da doença. Após 5 anos de doença contínua essas possibilidades se tornam desprezíveis.

 

As evidências sugeriam que a cada surto sucessivo da doença as chances de danos permanentes aumentavam e que após a terceira recaída a chance de remissão tornava-se menor.

 

Esta visão clássica sobre o curso e evolução da esquizofrenia é ainda prevalente na psiquiatria. As pesquisas da década de 90 não mostraram diferenças muito significativas daquelas de Mayer-Gross. Nos anos 70 foram publicados 3 trabalhos que estudaram o curso da esquizofrenia a longo prazo (por mais de 20 anos).

 

As principais conclusões que podem ser tiradas desses trabalhos podem ser resumidas da seguinte maneira:

 

1- Não existe um curso típico ou próprio para a Psicose Esquizofrênica. Talvez o mais característico da esquizofrenia seja, exatamente, a grande variabilidade de cursos encontrados, independentemente da sintomatologia apresentada no início da doença. Dois grupos de pesquisas (Manfred Bleuler e Ciompi & Müller) conseguiram sistematizar oito cursos possíveis para a esquizofrenia. Huber e cols. apresentaram 12 cursos como os mais freqüentes. Com essa variedade não há como estabelecer-se um determinado modelo de curso que possa ser considerado característico da doença.

 

2- Apesar da diversidade de cursos que a Psicose Esquizofrênica pode seguir, a tão comentada tendência inexorável no sentido de uma deterioração progressiva das faculdades mentais não foi verificada em nenhum desses trabalhos. Ao contrário, apesar de remissões e reagudizações, o mais freqüente era que, após 5 anos de evolução se observasse uma tendência a estabilização.

 

Em nenhum trabalho observou-se tendência dos esquizofrênicos idosos de desenvolverem síndromes demenciais propriamente ditas, com característica psicorgânicas, como já havia sido suspeitado há tempos.

 

3- Nos três estudos houve uma tendência a se atingir um estado de relativa estabilização. A este estado, digamos, estacionário que a esquizofrenia apresentava depois de algum tempo, Bleuler denominou de "end state". Bleuler tomou o cuidado de colocar o termo "end state" entre aspas por não se tratar, absolutamente, de uma situação irreversível imutável.

 

O termo "end state" teve grande aceitação. Foram propostos 4 tipos de "end state"; 1- grave; 2- moderado; 3- leve e; 4- "recuperado". Por recuperação entendia-se os quadros com remissão completa da sintomatologia e os estado psicopatológicos remanescentes muito sutis e discretos. estes últimos só seriam percebidos por um psiquiatra treinado e não chegavam a influenciar em nada a vida cotidiana (profissional e familiar) dos pacientes.

 

Como se observa na Tabela 1, há um significativo grau de concordância entre os dados encontrados pelos pesquisadores.

 

Tabela 1 -Seleção de estudos familiares realizados em pacientes com esquizofrenia. Os casos e controles são os parentes de primeiro grau de pacientes com esquizofrenia e de indivíduos normais, respectivamente*

Estudo

Ano

Critério  Diag.

Casos

Controles

 

 

 

 

 

NE

NT

RR

NE

NT

RR

 

Tsuang et al.

1980

RDC

20

362

0,055

3

475

0,006

9,17

Baron et al.

1985

DSM.III

19

329

0,058

2

337

0,006

9,67

Frangos et al.

1985

DSM.III

26

478

0,054

6

536

0,011

4,91

Coryell e Zimmerman

1988

RDC

1

72

0,014

0

160

-

-

Getshon et al.

1988

RDC

3

97

0,031

2

349

0,006

5,17

Maier et al.

1990

RDC

23

463

0,050

1

294

0,003

16,67

Kendler et al.

1993

DSM.III-R

18

276

0,065

2

428

0,005

13,00

Varma et a1.

1997

DSM.III-R

90

530

0,170

2

1137

0,002

85,00

*Tabela copiada do livro “O Desafio da Esquizofrenia” de Itiro Shirakawa, Ana Cristina Chaves e Jair J. Mari

Tabela 1 - Resultados de pesquisas

Se os quadros de recuperação e os déficit leve são reunidos sob a rúbrica de curso favorável, 53% dos pacientes de M. Bleuler, 53% dos pacientes de Ciompi & Müller, 57% dos pacientes de Huber e cols. e Ogawa e cols. foram considerados como tendo seguido um curso favorável. As cifras para percentagem de pacientes que evoluíram mal com quadro crônico grave também foi compatível entre estes estudos.

 

Pesquisa anterior de Manfred Bleuler (1941) já havia sugerido as seguintes conclusões: 

a- os casos muito graves, de início agudo e evoluindo para estado crônico grave (a chamada esquizofrenia catastrófica) estão desaparecendo.

b- a percentagem de "recuperação"e de casos muito graves não foi alterado do início para a metade deste século, independentemente de medidas terapêuticas globais que foram instituídas neste período, tais como a convulsoterapia, insulinoterapia, psicoterapia ou praxiterapia (exceto a famacoterapia).

c- durante esse período a principal mudança verificada foi uma diminuição dos casos com defeito moderado e um aumento dos casos com defeito leve.

d- o posterior papel dos neurolépticos na evolução da esquizofrenia não pode ainda ser adequadamente avaliado, a não ser no trabalho de Huber e col., que aponta para um aumento dos quadros residuais sem sintomas característicos da psicose (denominados de "reiner Defekt") em detrimento dos estados residuais que apresentavam sintomas característicos da Psicose Esquizofrênica. 

Ogawa (1987) acrescenta uma observação à respeito do curso da esquizofrenia diante da recente utilização dos neurolépticos: a melhora no ajustamento social dos pacientes.

 

Os critérios inicialmente propostos por Bleuler acerca do grau leve, moderado e severo para o "end state" se resumem da seguinte forma: 1- Leve são aqueles casos onde o paciente consegue integrar-se e automanter-se sócio-economicamente; 2- Graves são os casos onde o paciente é incapaz de manter um convívio social e; 3- Moderados aqueles que não se encaixam em nenhum desses outros dois.

 

Os fatores tradicionalmente considerados preditivos (que indicam) mau prognóstico para a Esquizofrenia são, segundo a Organização Mundial de Saúde (World Health Organisation. Schizophrenia: An lnternational Follow-up study; Chichester: John Wiley & Sons, Inc.; 1979) os seguintes: 

Fatores de mal prognóstico segundo OMS

Início precoce Início insidioso

Personalidade pré-mórbida pobre

Período longo entre o surgimento dos sintomas e o tratamento

Sexo masculino

Falta de componente afetivo importante

Falta de fatores precipitantes claros

Histórico familiar de esquizofrenia

Q.I. baixo

Classe social baixa

Isolamento social

Histórico psiquiátrico anterior

Já foi relatado com freqüência que o início da Esquizofrenia em idade precoce, em geral de menos de 20 anos, e insidioso (paulatinamente), em oposição ao início agudo da doença, sugere um mau prognóstico para esses pacientes (Stephens, Jablensky).

 

Tendo em vista o agravante seguinte ou seja a Personalidade Pré-mórbida problemática, faz sentido supor que um paciente tenha maior prejuízo no caso do início da doença ocorrer antes ou durante a fase do amadurecimento emocional.

O bom funcionamento pré-mórbido (Personalidade pré-mórbida) tem sido constantemente associado a uma evolução mais favorável, especialmente nos primeiros dez anos após a primeira alta (Stephens, McGlashan ).

 

Há também fortes indícios de que deixar a doença sem tratamento por mais tempo é bastante prejudicial ao futuro desses pacientes. Wyatt revisou urna série de 19 estudos, principalmente de pacientes no início da doença, que comparavam a evolução daqueles tratados antes do aparecimento da clorpromazina com a dos tratados depois. Ele observou que o uso do medicamento aumentava a possibilidade de evolução favorável a longo prazo. Esta conclusão foi confirmada por Opjordsmoen, que comparou a primeira internação de pacientes em estado delirante, dos quais metade foi internada antes do tratamento neuroléptico e a outra metade depois. Opjordsmoen descreveu a evolução significativamente menos favorável dos pacientes que não receberam neurolépticos em seu primeiro tratamento.

 

Tipos de Evolução mais comuns da Esquizofrenia

As pesquisas sobre evolução da Esquizofrenia, mediante tratamento medicamentoso ou não, têm se multiplicado ao longo do tempo. Há uma profusão de números que chega a confundir. Vejamos o esquema abaixo, didaticamente representado por um desenho sobre os quatro tipos mais comuns de evolução da esquizofrenia, com tratamento medicamentoso.

 

De um modo geral alguns parâmetros, devidamente reconhecidos, podem ser tomados como referência para o curso e evolução da Esquizofrenia. Em relação aos medicamentos antipsicóticos podemos dizer que:  

- São eficazes em mais de 80% das esquizofrenias

- Atuam mais nos sintomas produtivos (alucinações, delírios)

- Atuam muito menos nos sintomas negativos (apatia, embotamento e desinteresse), com excessão da proposta de alguns antipsicóticos de última geração

- Os antipsicóticos típicos são de baixo custo

- Os antipsicóticos típicos têm muitos efeitos colaterais

Em relação às perspectivas do tratamento, alguns outros parâmetros são universalmente reconhecidos:

- Cerca de 50% dos pacientes com doença durando 1 ano apresenta remissão

- Cerca de 45% dos pacientes com doença durando 2 anos apresenta remissão

- Depois de 2 anos de doença as possibilidades de remissão caem vertiginosamente

- Após o 3o. surto as possibilidades de remissão da doença são mínimas.

Em relação à ocorrência de seqüelas após episódios agudos dessa psicose, embora não exista um curso típico ou próprio para a Psicose Esquizofrênica, podemos representar a evolução conforme esquema abaixo:  

 

Conforme vemos na figura acima, existem quatro possibilidades para evolução da Esquizofrenia. A mais comum (no.1), representada por 32,6% dos casos, é aquela que apresenta aumento da seqüela a cada novo surto psicótico agudo.

 

Em segundo lugar, (no.2) com 28,4% dos casos, vem o tipo onde as seqüelas aparecem no segundo episódio psicótico agudo e permanecem do mesmo grau após os episódios agudos subseqüentes.

 

O terceiro tipo, (no.3) com 24,3% dos casos, não mostra seqüelas após o primeiro episódio agudo mas, após o segundo há seqüelas de forma constante e igual após os episódios agudos subseqüentes.

 

Finalmente, o quarto tipo mais comum, (no.4) com 8,4% dos casos, não mostra seqüelas nem após o primeiro episódio agudo, nem após os episódios agudos subseqüentes. Entretanto, de acordo com nossa opinião, talvez esse tipo possa tratar-se de Depressão Grave com Sintomas Psicóticos.

 

De um modo geral, felizmente, há uma tendência bastante favoráveis para resultados do tratamento. Uma vez tratada esta psicose, pode não haver prejuízo à vida social, porém, não tratada há maior chance de prejuízo social, ocupacional, pessoal e familiar. A cicatriz na personalidade depois dos episódios agudos da psicose (seqüela) pode se manter estacionária e definitiva.

 

Por outro lado, a recuperação plena após o terceiro surto é muito mais difícil que após o primeiro e, de modo geral, quanto menos surtos, menores são as possibilidades de seqüelas. 

Tipo de seqüelas dos surtos psicóticos agudos encontraods na literatua X Porcentagem

- Síndrome apática-paranóide

- Embotamento-Inibição

- Adinamia

- Traços de Psicose Crônica

- Astenia leve

35%

21%

20%

7%

7%

 

 

Ballone GJ, Moura EC - Curso e Evolução da Esquizofrenia- in. PsiqWeb, Internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br/, atualizado em 2007.

 

 

Bibliografia do tema Esquizofrenia
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Internação na Esquizofrenia
Diante do mito de que pessoas com esquizofrenia têm que ser internadas, obrigatoriamente, o site OpenTheDoors diz o seguinte:

"Estudos recentes mostraram que várias alternativas, desde a assistência psiquiátrica hospitalar até alternativas inovadoras, como o programa de tratamento agudo residencial, para apoiar a convivência na sociedade, podem ser efetivas no tratamento de pessoas com esquizofrenia...

.... Em geral, quando programas de internação e programas ambulatoriais são comparados, as pessoas com programas ambulatoriais (tratadas fora o hospital) mostram resultados superiores por períodos mais longos de tempo do que pessoas hospitalizadas.

Mesmo as pessoas agudamente psicóticas podem ser tratadas efetivamente em centros comunitários equipados profissionalmente e cuidadosamente supervisionados.

Aqui estão os três componentes principais do tratamento da esquizofrenia:

1.- Medicamentos para aliviar os sintomas e prevenir recaídas;
2.- Educação para ajudar os pacientes e seus familiares a solucionar problemas, lidar com o estresse, e enfrentar a doença e suas complicações;
3.- Reabilitação social para ajudar os pacientes a se reintegrarem na comunidade recuperando sua atividade educacional ou ocupacional

As drogas usadas para tratar a esquizofrenia são denominadas drogas antipsicóticas ou neurolépticas. Há duas categorias dessas drogas: os neurolépticos mais antigos e os neurolépticos novos ou atípicos.

As drogas mais antigas (haloperidol e outras) foram introduzidas no início dos anos 50. Elas aliviam alguns sintomas positivos mas podem provocar efeitos adversos graves como rigidez muscular, tremores, movimentos de contração involuntários, visão turva e constipação. As pessoas que tomam essas drogas têm que usar uma segunda droga para controlar parcialmente os efeitos adversos. Infelizmente, a segunda droga também tem efeitos adversos.

Muitos pacientes recusam-se a tomar o medicamento ou o tomam irregularmente devido aos efeitos adversos. Outro problema é que as drogas mais antigas funcionam sobre os sintomas positivos (alucinações e delírios) mas não sobre os igualmente incapacitantes sintomas negativos (afastamento social, apatia, e emoções embotadas).

Os novos neurolépticos começaram a ser usados nos anos 90. Eles incluem a risperidona, a olanzapina e a clozapina. Essas drogas também podem provocar efeitos adversos, porém menos graves, e funcionam sobre sintomas negativos e positivos."
veja a página de Open The Doors em português.

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Evolução da Esquizofrenia pela OMS
O relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) de 2001 sobre Esquizofrenia diz que seus sintomas podem causar incapacidade permanente e baixa qualidade de vida, podem também impor um fardo considerável às famílias. Tem sido repetidamente demonstrado que a Esquizofrenia tem uma evolução menos severa nos países em desenvolvimento.

Em um dos estudos internacionais em locais múltiplos, por exemplo, a proporção de pacientes que acusaram remissão total após dois anos de tratamento foi de 63%, em países em desenvolvimento, contra 37% nos países desenvolvidos. Embora tenham sido feitas tentativas de explicar esse resultado melhor como conseqüência de um apoio familiar mais forte e menos exigências feitas aos pacientes, não estão claras as razões dessas diferenças.

Um número considerável de indivíduos com Esquizofrenia tenta o suicídio em dado momento durante o curso de sua doença. Recente estudo mostrou que 30% dos pacientes diagnosticados com esse distúrbio haviam tentado o suicídio pelo menos uma vez durante a vida. Aproximadamente 10% das pessoas com Esquizofrenia morrem em virtude de suicídio. Em todo o mundo, a doença esquizofrênica reduz o período de vida da pessoa afetada numa média de 10 anos.

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Evolução da Esquizofrenia
Em página autônoma, Vanda C. Pignataro Pereira, também autora de um artigo muito completo sobre o curso e evolução da esquizofrenia no Portal do Psicólogo, entre outras abordagens., diz:
"... Acho mesmo que ações terapêuticas é que vão fazer com que possamos alterar o curso crônico da doença, se tomamos aquele primeiro sentido da palavra crônico como o que dura muito tempo e que não é desejável, já que sabemos do potencial de incapacidade da doença. É porque avançamos em teorias que novos neurolépticos vão sendo desenvolvidos e têm o potencial de encurtar uma duração indesejável.

É também porque avançamos em teorias que medidas, hoje chamadas de reabilitadoras, têm seu lugar e sua eficácia, afetando o curso e portanto a cronicidade da doença. E, novamente repito, é porque avançamos em teorias que ao se constatar uma vulnerabilidade biológica esta poderá ser afetada por estratégias biológicas e reabilitadoras, diante de eventos que ainda estão por acontecer. Acho que toda a Psiquiatria se orienta hoje por aí.

Sobre alguns dados de pesquisa, concernentes ao andamento e evolução da esquizofrenia, poderíamos citar: O Estudo multicêntrico de 10 países , com dados no Estudo de determinantes da Evolução de Transtornos Mentais Graves da OMS. Este estudo inclui tanto pacientes de nações desenvolvidas como de países em desenvolvimento, e as conclusões originais sugerem que pacientes de países em desenvolvimento apresentam resultados significativamente melhores do que os de países desenvolvidos.

Tanto os fatores locais como os culturais amplos são influência importante no curso da esquizofrenia. O sexo, é algumas vezes, um prognostico de resultado. Os homens apresentam, geralmente, pior prognostico.

Em outro estudo, denominado "Iowa longitudinal Study recent onset Psychosis" quarenta e um indivíduos , a maioria com esquizofrenia, foram recrutados , todos avaliados utilizando-se o CASH ( Comprehensive Assessment of syntoms and History).

Seus autores descobriram que, enquanto a maioria dos sintomas melhoravam durante a hospitalização, o progresso mais significativo acontecia nos sintomas positivos. Os sintomas negativos pouco se modificavam e nenhum progresso foi observado na função psicossocial. Este estudo enfatiza que o comprometimento psicossocial na doença psicótica não se deve simplesmente à presença de sintomas positivos.

Quanto ao suicídio , a maior causa isolada de morte prematura entre indivíduos com esquizofrenia, Fenton e colaboradores , registrando dados do famoso grupo Chesnut Lodge, investigado durante mais ou menos 20 anos ,comprovaram que, no período de acompanhamento 6,4% (19 em 295) se mataram.

Esses suicidas se diferenciavam do grupo no que se refere a taxas menores de sintomas negativos no índice de admissão e taxas maiores de sintomas positivos, particularmente desconfianças e delírios. Este estudo parece sugerir que os sintomas negativos, se trazem um prognóstico pobre em termos de evolução, podem ajudar a contra-atacar as tendências suicidas em tais pacientes, diminuindo seu impulso. Quanto à reabilitação, o treinamento de habilidades sociais mais medicação neuroleptica suplementar foi mais benéfico...
" (infelizmente não localizo mais essa página na Internet).
Portal do Psicólogo

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Personalidade Pré-Mórbida e Psicose
Costuma ser unanimemente aceito na psiquiatria clínica a associação de determinadas configurações de personalidade predispostas e a eclosão de psicoses. Estas personalidades são as chamadas Personalidades Pré-mórbidas, cujo conceito é abordado neste trabalho no capítulo sobre os Transtornos da Personalidade; constituições que por si transtornam a vida do indivíduo ou incapacitam um desenvolvimento pleno, ou ainda, em certas circunstâncias, encerram uma maior aptidão para o desenvolvimento de determinadas doenças psíquicas.

A psicose é classicamente definida como a perda do contato com a realidade. Significa dizer que a avaliação, o julgamento da realidade, feito pelo paciente está prejudicado. Jaspers diz que o processo esquizofrênico se caracteriza por uma alteração na qualidade da estrutura vital básica da personalidade (em contra-posição aos conceitos de neuroses, onde haveria uma alteração da quantidade da vida psíquica), com quebra de seu desenvolvimento psicoemocional fisiológico. Trata-se de um algo novo e estranho às condições de existência e desenvolvimento da pessoa.

A psicose (esquizofrênica) é algo que se manifesta em dado instante na vida da pessoa, sem causa externa conhecida e sem que seja necessário vivências desencadeantes (embora os familiares sempre busquem associar a psicose a alguma vivência supostamente traumática).