Compulsão a Internet

Seria uma nova patologia determinada por razões culturais e técnicas?
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Diz a anedota: “o computador veio resolver problemas que a gente não tinha”. Cada nova aquisição tecnológica deve sempre ser analisada à luz da relação custo-benefício, ou utilidade versus problemas.

Ainda que não se saiba até o momento, e com certeza, se os problemas relacionados à Internet serão clinicamente significativos no futuro ou se serão de irrelevantes, o que se tem constatado é que seu uso pode estar presente em diversas patologias psíquicas, ora aparecendo como condição secundária à essas patologias, ora constituindo-se numa condição primária da própria patologia. No primeiro caso teríamos a manifestação de alguns transtornos através da Internet, como seria o caso da adicção ao jogo e ao sexo, no segundo caso como a nova descrição psicopatológica da Adicção à Internet.

Alguns autores mais pessimistas consideram que os novos dispositivos tecnológicos capazes de diminuir muito, ou mesmo substituir, esforços humanos podem nos debilitar, podem nos fazer menos humanos. E pouco importa se tal temor tenha ou não fundamento, pois já foi provocado por diferentes avanços tecnológicos em diferentes momentos da história, segundo Umberto Eco (1996). Agora é a vez da Internet a provocar o mesmo temor.

Dentro das dependências sem substância, que podem ser comparadas à comportamentos compulsivos, a única reconhecida nas classificações oficiais (CID-10 e DSM-IV) é o Jogo Patológico. Entretanto, o uso por Compulsão da Internet, bem como o excesso de exercício físico, de trabalho, o Sexo Compulsivo, a Compulsão às Compras, alguns incluídos nos Transtornos do Controle de Impulsos, são quadros que devem ser mais bem estudados pelas importantes implicações na vida cotidiana.

Existe Compulsão à Internet?
Não sabemos ainda se é justo falar em compulsão à Internet, se existem pessoas consideradas normais que passam muito tempo na frente da televisão ou do aparelho de som e, muito possivelmente, também com prejuízo do relacionamento interpessoal. É comum nos consultórios de psiquiatria, pais que tentam atribuir diagnóstico de adictos à Internet para seus filhos. Entretanto, esses mesmos pais passam também muitas horas no trabalho (workaholic), além daquelas horas que o ganho de dinheiro justificaria, ou diante da televisão, no bar, etc.

José Luis Muñoz Mora faz uma colocação interessante em seu artigo. Diz que, enquanto o álcool, a maconha e a cocaína podem ser consideradas drogas facilitam o contacto social, a adicção à Internet seria uma patologia que se desenvolve em pessoas de vocação solitária. Acreditamos que seriam, além de pessoas solitárias, também não desejosas do convívio interpessoal exuberante e entusiasmado. Trata-se de uma opção de postura social, compensada e gratificada pela Internet, pois são comuns os traços de introversão na personalidade de informáticos compulsivos.

O mais sensato, talvez e por ora, seria reservar a denominação Compulsão à Internet aos usuários que, além de preencherem critérios de adicção, recorressem à Internet para jogos, bate-papo e pornografia. Isso, pelo fato da Internet ser um importante meio de trabalho para muitos, uma oportunidade de extraordinária criatividade para outros e uma vasta fonte de informação para todos. Há pois, necessidade de diferenciarmos o lazer, o trabalho e a informação da adicção, propriamente dita.

Com todos esses cuidados, os partidários da classificação desta síndrome definem o dependente como a pessoa que se utiliza excessivamente da Internet, gerando uma distorção de seus objetivos pessoais, familiares e/ ou profissionais. Se uma pessoa passa horas e horas conectada, negligenciando obrigações familiares, pessoais e profissionais de forma reiterada, podemos estar diante de uma situação de adicção. Mesmo assim, não está claro se a Compulsão à Internet deva ser considerada uma patologia própria ou se ela representa apenas um sintoma de algum outro estado emocional subjacente.

A socialização e a comunicação interpessoal virtuais parecem constituir os elementos básicos do efeito adictivo da Internet para um grande número de internautas, manifestando-se através do intercambio dos chats, do correio eletrônico, participação em grupos de discussão, conversações em tempo real. Para outro grupo, a busca de prazeres sexuais negados pela realidade concreta tem sido o ponto chave, aparecendo sob a forma da busca continuada e excessiva de material erótico e pornográfico.

Distintos estudos sustentam que o uso da Internet poderia causar um impacto negativo em nossas relações sociais habituais, em nosso espaço cotidiano, levando-nos, por exemplo, a perder parte de nosso círculo social, a diminuir o tempo de comunicação familiar ou a incrementar o sentimento de solidão (Kiesler, 1999 - Kraut, 1998).

Portanto, não é de se estranhar que tenham surgido diversas hipóteses sustentando existir um uso patológico da Internet, e que tal uso, para alguns estudos, têm como resultado o desenvolvimento de transtornos emocionais ainda não classificados nos manuais diagnósticos (DSM-IV, CID-10), para outros, o contrário, ou seja, alguns transtornos emocionais e de personalidade é que favoreceriam a adicção à Internet.

Assim sendo, alguns autores têm postulado a existência de um Transtorno de Adicção a Internet, representado pela sigla TAI (IAD, de Internet Addictiom Disorder). Também foi usado o termo Uso Compulsivo de Internet ou Uso Patológico da Internet, com a sigla UPI (PIU, de Pathological Internet Use) (Young e Rodgers, 1998). Essa nova nosografia alcançou status científico a partir de um trabalho da Dra. Kimberly Young em 1996 (Estallo Marti, 1997).

Critérios Diagnósticos para Uso Compulsivo da Internet
Parece que o primeiro autor a estabelecer critérios diagnósticos para a adicção a Internet foi Ivam Goldberg. Goldberg (1995) propõe um conjunto de critérios para o diagnóstico do que se pode chamar de Transtorno de Adicção a Internet, baseados nos mesmos critérios diagnósticos do abuso de substâncias, uma vez que o Uso Compulsivo da Internet ainda não aparece classificado na CID.10 ou no DSM.IV. Seriam eles:

Critérios Diagnósticos para o Uso Compulsivo da Internet (Goldberg)

(A) Um padrão desadaptativo de uso da Internet capaz de levar a mal estar significativo, expressado por três ou mais dos itens seguintes:
1) Tolerância, definida:
Necessidade de aumentar a quantidade de tempo em Internet para conseguir satisfação
Diminuição da ansiedade com o uso continuado da mesma quantidade de tempo em Internet.
2) Abstinência, manifestado por qualquer dos seguintes:
a) Agitação psicomotora
c) Pensamentos obsessivos acerca do que pode estar acontecendo em Internet
d) Fantasias ou sonos sobre a Internet
e) Movimentos voluntários ou involuntários no teclado
Esses sintomas causam mal estar ou prejuízo na área social, ocupacional ou outra, de funcionamento importante.
(B) O uso de Internet ou um serviço similar está dirigido a aliviar ou evitar os sintomas da abstinência.
3) Se acessa a Internet com mais freqüência ou por períodos mais largos do que inicialmente se pretendia.
4) Desejo persistente ou esforços infrutíferos de interromper o uso de Internet.
5) Emprego intenso e por muito tempo de atividades relacionadas ao uso de Internet, como por exemplo, comprando livros sobre Internet, provando novos navegadores, indagando provedores, organizando arquivos ou descarregando materiais.
6) Atividades sociais, ocupacionais ou recreativas reduzidas por causa do uso de Internet.
7) Continua usando Internet apesar de saber que tem um persistente ou recorrente problema físico, social, ocupacional ou psicológico que parece ser causado ou exacerbado por esse uso da Internet (privação de sono, dificuldades conjugais, chegar atrasado à compromissos, prejuízo dos deveres profissionais).

A Doutora Kimberly Young, da Universidade de Pittsburg e criadora do Center for On-Line Addictiom, estabelece uma série de critérios para diagnosticar o Transtorno de Adicção a Internet.

Para ela, a adicção à Internet é uma dificuldade no controle de seu uso, que corresponde ao que já conhecemos como dificuldade no controle dos impulsos, e que se manifesta como um conjunto de sintomas cognitivos e de conduta. Tais sintomas são conseqüentes ao uso excessivo da Internet, o que pode acabar gerando uma distorção de seus objetivos pessoais, familiares ou profissionais.

Seriam sintomas que representam sinais claros de alarme sobre esse tipo de transtorno, perfeitamente compatíveis com os critérios acima descritos:

Critérios Diagnósticos para o Uso Compulsivo da Internet (Kimberly)

1. - A pessoa se sente preocupada com Internet, pensa sobre a atividade on-line anterior o antecipa a sessão on-line futura.
2. - A pessoa se sente a necessidade de usar Internet durante cada vez mais tempo para obter a mesma satisfação.
3. - Tem feito repetidos esforços infrutíferos para controlar, reduzir, ou deter o uso de Internet.
4. - A pessoa se sente inquieta, mal-humorada, deprimida ou irritada quando tenta reduzir ou parar com o uso de Internet
5. - Fica conectada mais tempo do que havia planejado originalmente.
6. - Por causa do uso de Internet excessivo a pessoa tem sofrido perda de alguma relação significativa, como por exemplo, o trabalho, a educação ou nas oportunidades sociais.
7 - Tem mentido aos membros da família, terapeutas ou outros para ocultar tamanho de seu uso de Internet?
8. - Usa Internet como uma maneira de evadir-se dos problemas ou de ocultar algum tipo de mal estar, tais como, por exemplo, ocultar sentimentos de impotência, culpa, ansiedade, depressão, etc.

A adicção à Internet deve ser considerada uma adicção especificamente psicológica (ou comportamental), assim como a adicção ao sexo, às compras, ao trabalho, aos jogos, e mesmo à televisão, tendo em vista características comuns à esses tipos perda do controle, tais como eventual síndrome de abstinência, uso excessivo, forte dependência psicológica, interferência na vida cotidiana, perda de interesse por outras atividades, etc. Em resumo, tal como em outras dependências, no uso compulsivo à Internet existe uma absoluta necessidade de realizar essa atividade e, em não se levando a cabo, experimenta-se ansiedade.

Portanto, assim como ocorre no Jogo Patológico, por exemplo, o Uso Compulsivo da Internet se incluiria entre as adicções conhecidas como Adicções sem Drogas, ou adicções comportamentais (Cervera, 2000), que se caracterizam pelo desenvolvimento de um processo adictivo sem a ingestão de nenhuma sustância. Apesar das evidências sobre conseqüências negativas relacionadas com o uso de Internet, as adicções não químicas apresentam certa controvérsia e a inclusão da adicção a Internet dentro dessa categoria é também discutível (Echeburúa, 1998 - Griffiths, 1997 - Young, 1996. Toronto, Canadá) .

A base teórica com que contam os defensores da existência do Transtorno de Compulsão a Internet, são alguns estudos descritivos sobre os padrões não normais de uso da Internet. O jornalista Hughes Henry estima em 30 milhões o número de pessoas acometidas, enquanto a Dra. Kimberly S. Young, mais comedidamente, supões existirem uns 400.000 norte-americanos afetados em uma população 20.000.000 de internautas.

Supostas Conseqüências do Uso Compulsivo da Internet
Os principais itens atribuídos como prejudiciais no uso compulsivo da Internet podem ser agrupados da seguinte maneira:

1. - Mudanças drásticas nos hábitos de vida a fim de ter mais tempo para conectar-se.
Essas mudanças de hábitos podem ser discretas, como mudanças nos horários das refeições, até mudanças em escalas de trabalho ou diminuição da jornada para poder ficar mais tempo na Internet. O caso específico de mudanças no ritmo e qualidade do sono são abordadas em outro item, mas o prejuízo ocupacional inclui-se aqui.

Por outro lado, esse item por si só, não significa, absoluta e invariavelmente, algo nocivo, pois, em algumas pessoas a Internet proporciona mudança de hábito para melhor, como por exemplo, pessoas que jogavam, bebiam, entediavam-se ou eram freqüentadores habituais de bares e passam a disciplinar melhor essas atitudes pouco recomendadas.

2. - Diminuição generalizada da atividade física.
A atitude de ficar na frente do computador inibe e prejudica substancialmente a atividade física, contribuindo fortemente para aumentar o sedentarismo que já existe na vida cotidiana. Outras pessoas, entretanto, impedidas de atividades por limitações ou deficiências físicas podem ter a qualidade de vida enormemente aumentada com a Internet.

3. - Descaso com a saúde própria em conseqüência da atividade na Internet.
Isso ocorre, por exemplo, nas pessoas fumantes e que aumentam muito o consumo do fumo quando conectadas. Também naquelas que contrariam orientações médicas (sobre fazer exercícios, alimentação balanceada, correção de postura, etc) devido à permanência excessiva diante do computador.

4. - Afastamento de atividades importantes a fim de dispor de mais tempo para permanecer conectado.
Inclui-se aqui até o prejuízo das atividades lúdicas, de lazer e sociais, sistematicamente substituídas pela utilização da Internet. Portanto, podemos atribuir a esse item a diminuição da sociabilidade.

Por outro lado, é vaga a concepção de "atividades importantes". Esse tema, emancipado do sistema de produção, perde totalmente a conotação qualitativa. Muitas vezes a informação obtida na Internet é igualmente ou mais importante que uma gama de atividades tidas como "produtivas" ou, inexplicavelmente, consideradas "importantes".

5. - Privação ou importantes mudanças do sono a fim de dispor de mais tempo para permanecer conectado.
Atualmente as principais vítimas dessas alterações do sono são os adolescentes, permanecendo até altas horas na Internet com expressivo prejuízo do despertar e do repouso indispensável para o dia seguinte. Entretanto, o prejuízo é maior ainda em adultos, os quais devem levantar muito cedo para enfrentar a jornada de trabalho.

6. - Negligência respeito da atenção à família e amigos.
No âmbito familiar e social mais próximo esse é o prejuízo maior. A maioria das famílias de pessoas adictas à Internet queixa-se, invariavelmente, do aspecto alienante da pessoa patologicamente atrelada à Internet. São pessoas que se afastam progressivamente do convívio doméstico, ainda que, habitualmente, disponham de poucas horas para essa convivência. Em alguns casos, entretanto, o ambiente familiar problemático, hostil ou, como se diz em psiquiatria, de "alta emoção expressa" pode ser muito aliviado com a "fuga" para a Internet.

É sempre bom lembrar que as preocupações em relação ao uso da Internet devem ter a mesma relevância que o uso excessivo de qualquer outra tecnologia, a qualquer outro dispositivo eletrônico, tais como o telefone celular, videojogos, televisão, etc, conforme dissemos acima.

É bom também ressaltar, que o uso habitual, contínuo e mesmo persistente da Internet não é, invariavelmente, danoso; ele pode ser desde saudável até patológico. As pessoas fascinadas por esse hobby, desde que não comprometa o uso de seu de tempo ou suas atividades sócio-familiares, têm a possibilidade usufruir beneficamente das informações infinitas da Internet; podem aprender, fomentar sua criatividade, comunicar-se com outros, etc. A dificuldade maior no diagnóstico do uso compulsivo da Internet diz respeito aos limites entre o uso inócuo e sadio e o aparecimento de conseqüências danosas e diretas dessa atividade exercida em excesso.

Parodiando um ditado, segundo o qual "não importa que a aventura seja louca, desde que o aventureiro seja lúcido", antes de se atribuir qualquer rótulo de compulsão à Internet, é necessário saber mais sobre a conjuntura global do internauta: porque se conecta, porque tanto tempo, o que procura, como se sente.... Essas questões são muitas vezes mais importantes do que julgar o tempo em que ele fica conectado.

Para os críticos da tendência em se classificar a adicção à Internet como doença, essa atitude levaria ao risco de tornar patológicas as condutas habituais das pessoas, como por exemplo, o uso da televisão, do telefone celular, do automóvel, etc.

No caso do Uso Compulsivo da Internet, como em outros tipos de adicção, o essencial a ser considerado é se a conduta adictiva é um problema em si, isoladamente ou, por outro lado, se existem fatores predisponentes de personalidade que explicariam a aquisição e a manutenção da adicção.

Para nós ainda existe uma segunda questão a ser considerada; saber se a pessoa está compulsivamente ligada à Internet para bate-papo, para jogos, para conteúdo sexual ou para navegar por outras páginas de conhecimento. São coisas totalmente diferentes e, se nos inclinarmos a classificar tudo, acabaríamos por considerar uma espécie de adicção sexual à Internet, adicção de bate-papo, de jogos ou de conhecimentos, e assim por diante. E isso não nos parece correto.

Para Echeburúa, o padrão dos usuários compulsivos seria de jovens, com um nível cultural médio, que dispõem de tempo livre, certos conhecimentos de informática e inglês e que vivem em grandes cidades.

A Compulsão à Internet é, de fato, mórbida?
Podemos sistematizar as motivações mais importantes para usar Internet na seguinte ordem:

1 - Fuga: Incluindo-se aqui a presença de sentimentos de solidão, para evitar sensação de tédio da vida cotidiana e manter-se em contato com outras pessoas evitando inconveniências do contacto social presencial (na presença da pessoa);
2 - Busca de informação e;
3 - Interação social: Incluindo aqui o relacionamento com amigos, conhecer novas pessoas e trocar informação.

Uma interessante constatação, que de certa forma contraria uma crença anteriormente cogitada, é que o uso da Internet não afetou negativamente as relações sociais. Inclusive, vários elementos sociais positivos apareceram com a Internet com relativa freqüência, como por exemplo, o estabelecimento de novas relações entre pessoas, o encontro romântico de pessoas com afinidade entre si e a possibilidade de se estabelecerem relações interpessoais à distância. Por causa disso, excluindo-se a questão do jogo compulsivo pela rede e da pornografia compulsiva, a possibilidade de dependência à Internet nos moldes dos demais problemas de adicção são um risco menor.

Devemos ter em mente que algumas condutas se convertem em compulsões com mais facilidade que outras, dependendo da disposição pessoal, das circunstâncias existenciais, do entorno social da pessoa e do potencial compulsivo da atividade ou da conduta em si. Supõe-se, em tese, que para uma atitude tornar-se compulsiva deve, sobretudo, proporcionar algum grau de recompensa ao seu autor, seja aliviando uma ansiedade, seja proporcionando algum tipo de prazer.

Partindo-se então dessa idéia (de que a maior parte das condutas humanas pode ser susceptível de compulsão), não deveria surpreender a possibilidade de compulsão à Internet. Mas, para uma conduta ser considerada compulsiva no sentido patológico, deverá levar sempre e inevitavelmente a algum prejuízo social e/ou ocupacional.

Assim sendo, não podemos considerar patológica a pessoa que passa 8 horas navegando pela Internet em busca de conhecimentos, trabalhando, pesquisando, etc. Também não podemos considerar patológica a pessoa que, vivendo a sós, dedique maior tempo à Internet que uma outra que viva em companhia da família, assim como estudantes que passam a maior parte do dia pesquisando em vésperas de prova e assim por diante.

Resumindo, muito mais importante que o número de horas na Internet, importa saber porque a pessoa fica tantas horas on-line, em busca do quê e com que propósito.

Incidência
O estudo de Malta (Boris Villanueva Meneses), mostra conclusões interessantes. Este trabalho consta de uma mostra de 388 pessoas com fortíssimos vínculos com a Internet, avaliadas entre novembro de 1966 e março de 1997. Entre os pesquisados 80,7% eram homens e 19,3% mulheres e 34,8% tinha a idade compreendida entre 19 e 25 anos e 21,1% entre 13 e 18, sendo 65,7% solteiros e 32,2% casados. A proporção de pessoas ocupacionalmente ativas foi de 44,1% e 38,7% eram estudantes.

Gracia, na Espanha dispõe de um estudo realizado pela Universidade Politécnica de Catalunya, em 2001, onde consideram que 16% dos usuários de uma mostra de 1332 pessoas fazem uso abusivo da rede. Lourdes Estévez e colaboradores obtiveram resultados interessantes; a porcentagem de pessoas com uso constante da Internet na mostra estudada foi de 8,8% e, destes, 38,7% estava em situação de risco para compulsão. A conclusão do trabalho foi que o uso problemático da Internet se associa com elevado risco de Transtorno da Personalidade.

Gold e Heffner calculam que seja em torno de 6 a 10% os usuários da Internet que podem apresentar problemas de adicção. Whang (2003) e colaboradores, estudando 13.588 usuários da Internet na Coréia, estimaram em 3,5% de usuários diagnosticados como compulsivos e 18,4% em risco de adicção.

Segundo estudo de Malta, citado por Boris Villanueva Meneses, a freqüência de conexão diária apareceu em 27% dos pesquisados e 78% deles se conectava pelo menos 4 vezes por semana. O tempo de conexão semanal oscilou entre as 3 e 15 horas em 62,6% dos casos, entretanto, 6,2% das pessoas se conectavam à rede durante mais de 40 horas semanais.

Tipos de Uso dos Compulsivos
Sem dúvida, a expressiva maioria das pessoas que se conectam à Internet é constituída por pessoas aficionadas e que se utilizam da rede para recolher informação, obter novos programas, etc., com as facilidade de não estabelecer nenhum tipo de contacto interpessoal. De fato, de um modo geral, os recursos mais utilizados na Internet são o www e o correio eletrônico, constituindo o que se pode considerar como recursos universais, ou seja, utilizados regularmente por o 98,5% das pessoas e 97,2% respectivamente.

Outras pessoas, entretanto, representam aquelas que freqüentam os chats, salas de bate papo, sites de encontros e listas de discussão. E são essas aplicações interativas, como por exemplo, as salas de bate-papo ou sites de busca de companhia aquelas que têm sido as mais relacionadas ao uso problemático da Internet (Davis, 2002). Em segundo lugar vem a utilização de sites pornográficos, de jogo e compras.

Alguns autores consideram que um importante grupo de pessoas usuárias patológicas da Internet, estaria atendendo a sintomas psicoemocionais prévios, como por exemplo, pessoas com antecedentes prévios de outras condutas adictivas de jogo patológico, uso excessivo de pornografia, compras compulsivas, etc.

O trabalho de Lourdes Estévez (2003) especifica bem a utilização da Internet de acordo com o sexo dos usuários. Para ela, o serviço de e-mail e os chats são os serviços utilizados majoritariamente por 95% dos homens e 79% das mulheres. As mulheres fazem maior uso de jogos solitários (39%) chats (36%) e jogos de apostas (35%). Os homens procuram especialmente as paginas ou serviços de sexo (84%), seguido de compras (78%), e banco eletrônico (76%).Cerca de 60% das pessoas do grupo de risco de Compulsão à Internet acessam a rede com uma freqüência de mais de uma vez ao dia às páginas de sexo.

Outras condutas problemáticas se distribuem com 41% dos usuários com adicção ao trabalho pela Internet, 44% adicção ao sexo e 36% ao telefone celular.

Ainda segundo o trabalho de Lourdes-Estéves, entre homens e mulheres os grupos de risco aparecem nas proporções de 39 e 37%, respectivamente, sendo que, 62% das pessoas de ambos grupos mantêem-se conectadas por mais de 30 horas semanais. Em relação à idade, 78% da mostra é composto por pessoas menores de 35 anos e o grupo de 14 a 18 anos é significativamente superior aos outros, tanto em risco como em franco uso problemático da Internet. Dentro do grupo de estudo, os adictos aos jogos representaram 6% das pessoas, os solitários 25%, pessoas com finalidade de relacionamento interpessoal a maioria, ou seja 36% (Lourdes Estévez, 2003).

De modo geral, as condutas compulsivas manifestam-se tanto através da Internet como fora dela, seja em relação ao sexo, às compras e ao jogo. Sistematicamente podemos encontrar 4 variáveis nos casos de compulsão; I) aquelas que se manifestam dentro e fora da Internet, II) só na Internet, III) só fora da Internet, IV) sem uso problemático na conduta de interesse (como sexo, compras ou jogo) mas em outros usos de Internet (chats, sites de encontro, etc). Mas, em general, nas pessoas que fazem uso excesivo da Internet para as tres condutas problema (sexo, compras ou jogo), predomina o caráter de excitabilidade emocional, a busca contínua de prazer e a impulsividade.

Fatores Favorecedores do Uso Compulsivo
Poderiam ser fatores de risco para o uso problemático da Internet alguns transtornos psicológicos primários, como por exemplo, a timidez, as dificuldades no estabelecimento de relações interpessoais, as inabilidades sociais, a solidão, a baixa auto-estima, e assim por diante.

Quanto aos recursos favorecedores do uso compulsivo da Internet, entre os mais importantes estão o anonimato, a ausência de comunicação verbal e o distanciamento físico. A rede permite à pessoa substituir-se a si mesma, poder exercer todas suas fantasias, especialmente as sexuais, adotar outras identidades e criar realidades alternativas sem as barreiras do contacto interpessoal direto (Estévez, 2001).

fortes preferências pelas actividades solitarias, tendência a restringir sus contactos sociales. As pessoas com risco de adicção à Internet geralmente se caracterizam por ter um pensamento abstrato, menor conformidade com as normas ou regras sociais e solitárias. Isso tudo caracteriza os internautas geralmente como sendo pessoas inclinadas à introversão, consoante aos estudos de Petrie e Gunm (Petrie & Gunn, 1998).

Portanto, juntando-se as condições favorecedoras próprias da Internet (anonimato, ausência de comunicação verbal e distanciamento físico), à determinados traços de personalidade, teríamos a vulnerabilidade ao uso abusivo. Alguns desses traços de personalidade também são comuns em outras adicções ou trastornos psiquiátricos, como por exemplo o jogo e o comprar compulsivos, a impulsividade, a disforia, a busca exagerada de sensações novas, etc.

A Internet, para este nosso propósito, pode ser caracterizada através de seu caráter de tecnologia social (Salazar, 2000). As pessoas que entram na rede são seres sociais e encontram ali um lugar onde satisfazer a necessidade de socialização própria dos seres humanos. Isso acaba determinando a rede como um espaço social.

Quando um usuário mantém uma relação interpessoal através da Internet, por meio de quaisquer de seus recursos, está participando neste espaço social através de uma relação que conserva os mesmos objetivos das relações interpessoais com presença concreta, portanto, a Internet surge como um veículo que pode propiciar o estabelecimento de vínculos interpessoais duradouros, profundos, onde até se pode colocar em jogo uma importante carga afetiva.

Por outro lado, é atraente o estudo dos traços de personalidade nas compulsões (adicções sem substância). Roberto Óscar Sánchez (2001) sustenta que grande parte desses casos de Transtorno de Adição a Internet teria, como personalidade pré-mórbida, um transtorno associado à Ansiedade Social. Tais transtornos poderiam ser a Fobia Social ou o Transtorno de Pessoalidade (Ansiosa) por Evitação, tal como definidos no DSM-IV.

A Internet é uma ferramenta à que se atribuem inumeráveis vantagens para a educação, para o comércio, para o entretenimento e, em ultima instância, para o desenvolvimento do indivíduo. A participação da pessoa em grupos virtuais permite a interação social com outras pessoas, com fonte de conhecimento, com a sociedade de consumo e com culturas deferentes.

Não se têm dúvidas de que a implantação da Internet produziu numerosos benefícios para a sociedade, na medida em que melhora e facilita a comunicação e obtenção de informação. Entretanto, esse desenvolvimento não está isento de riscos e aspectos negativos, entre eles o risco de adicção em pessoas vulneráveis.

Portanto, saber se a compulsão à Internet existe e se, de fato, é nociva, não é uma questão tão simples. Isso ainda não foi claramente estudado, tornando-se uma importante missão dos profissionais da saúde mental examinar, cuidadosamente, os novos comportamentos que têm lugar no espaço virtual.

Enrique Echeburúa, citado por Boris Villanueva Meneses, refere que o grupo mais vulnerável a adicção à Internet é composto de pessoas introvertidas, com baixa autoestima e com vida familiar algo frustrante, enfim, estes usuários de Internet são capazes de criar um mundo virtual que compensa a insatisfação que têm no mundo real.

Muito do que se vê de problemático entre as pessoas adictas à Internet são, de certa forma, as mesmas coisas que se vê em pessoas sem a Internet: o jogo, as compras, o sexo... Isso nos remete à outra consideração importante; seriam manifestações anômalas que nascem com a nova tecnologia da Internet ou as condutas anômalas já existem e essa nova tecnologia apenas permite novas manifestações? Em outras palavras, parodiando um ditado antigo, seria de perguntar; “a ocasião faz o ladrão ou o ladrão está feito esperando a ocasião para roubar?”

A Internet representa um moderno meio alternativo de comunicação, expressão e interação. Seu uso problemático poderia ser, em resumo, a transformação adictiva de um comportamento normal, um modo diferente de praticar adicções pré-existentes (jogo, sexo...), um veículo de expressão anômala de outros transtornos emocionais (transtornos afetivos...) ou, finalmente, um modo de compensar dificuldades adaptativas no espaço social real (transtornos de socialização, fóbicos, etc).

Uso Compulsivo da Internet, Personalidade e outros Transtornos Emocionais
Alguns autores acham que a Internet permite às pessoas exercitarem traços ocultos ou reprimidos de suas personalidades, permite exibir on-line uma personalidade diferente, em maior ou menor grau, da personalidade habitual da experiência cotidiana (Lameiro, 1998 – Sanchez, 2000).

Assim, as características que formam os vínculos interpessoais na Internet propiciam a expressão de novas facetas da personalidade, principalmente se levarmos em conta as pessoas que sofrem profundas sensações de ansiedade em situações sociais reais e concretas e, no relacionamento pela Internet, experimentam sensações menos ansiosas e adotam posições sociais e mais eficientes.

Na Internet se enfraquecem os protocolos e condicionamentos culturais que habitualmente pesam sobre os vínculos sociais. Muitas vezes é exatamente isso que deseja o internauta tímido ou ansioso social. As diferenças individuais e sócio-culturais que alimentam a fobia e o medo do contacto interpessoal direto e real, diminuem e recebem aceitação maior na Internet.

Ainda pode, o internauta, acentuar ou dissimular aspectos da própria personalidade e compensar os traços vistos como defeitos ou limitações, assim como expressar tendências habitualmente inibidas. Para os adeptos do psicodrama, a Internet é, por excelência, a coroação dessa técnica de exposição psíquica.

Juntando-se essas características da comunicação interpessoal na Internet, com as limitações pessoais impostas por alguns transtornos sociais (Fobia social, Transtorno de Ansiedade Social e Transtorno da Pessoalidade por Evitação), será lícito supor que as pessoas que sofrem algum tipo de mal estar nas interações sociais realizada no espaço físico real, bem poderiam manter relações plenas e satisfatórias no espaço virtual da Internet. Para o usuário da Internet não há sofrimento no contacto social mas, pelo contrário, permite-se que satisfaça suas necessidades de auto-estima e gratificação social. Por tudo que foi visto, é possível esperar que as pessoas que não tenham adquirido um bom repertório de habilidades sociais na movimentação pelo mundo real, possam fazê-lo com sucesso no mundo virtual da Internet.

Natan Shapira, psiquiatra de Cincinnatty, estudou 14 pessoas que haviam passado muito tempo navegando na Internet e que preenchiam critérios de adicção, pois, por causa disso, estavam enfrentando problemas de ruptura de suas relações familiares, perda do emprego e expulsão da faculdade, entre outros (fonte).

A metade das pessoas pesquisadas sofria transtornos de ansiedade, mais precisamente de Fobia Social. Três deles apresentavam Bulimia, e mais seis tinham tido outros problemas alimentares alguma vez na vida. Quatro tinham outros problemas de controle dos impulsos, tais como crises de explosividade e compulsão para compras. Oito deles tinham abuso do álcool ou outras sustâncias em algum momento da vida.

Alguns investigadores sugerem que determinadas características próprias da Internet exerçam alguma influência sobre a conduta dos usuários e vice-versa, ou seja, algumas características de temperamento da pessoa favorecem para que ela se utilize mais e mais da Internet.

A motivação para algumas pessoas recorrerem à Internet seria o caso do modelo ACF (Anonimato, Conveniência e Fuga), segundo Young (1999). E essa tríade explicaria o êxito e a gratificação obtida, principalmente, nos chats, bate-papos e troca de e-mails com finalidade de relacionamento interpessoal.

O ponto principal a ser realçado na questão de diagnóstico nos pacientes com Compulsão à Internet, é quanto à existência de um caráter pré-mórbido, normalmente um transtorno ligado à Ansiedade Social ou alguma patologia de caráter evitativo na base de suas personalidades. As pessoas com transtornos dessa natureza poderão encontrar, na rede, um lugar para manter relações sociais e por em prática suas fantasias sem o ônus da ansiedade em encontrar pessoas no espaço real.

Ansiedade Social
O conceito de anonimato tem sido ressaltado por numerosos autores em relação às situações de uso abusivo ou compulsivo (O Reilly, 1996). Segundo Alberto Bermejo Mercader, também é interessante a proposta de King (1996), o qual sugere que talvez sejam adictos à Internet pessoas com determinados traços de personalidade.

A Fobia Social é caracterizada pela ansiedade e medo persistente de contatos sociais ou de atuações em público, por temer que essas situações resultem embaraçosas. A exposição a esses estímulos (contactos sociais) produz, quase invariavelmente, uma imediata resposta de ansiedade, juntamente com sintomas autonômicos (do Sistema Nervoso Autônomo, como palpitações, rubor, sudorese, etc). Diante disso, essas situações desencadeadoras da ansiedade acabam sendo evitadas ou são toleradas com grande mal estar, coisa que acontece minimamente ou não acontece no contacto interpessoal através da Internet.

Assim sendo, em relação à freqüência, como a Fobia Social é o segundo entre os transtornos fóbicos (25%), sendo superado apenas pela agorafobia, é de se esperar que portadores desse tipo de fobia sejam mais habituais na Internet.

O aspecto clínico mais contundente que define a Fobia Social, citado pelos manuais de classificação, é seu caráter crônico com grave prejuízo no rendimento global da pessoa, seja no trabalho, na escola ou nas relações sociais habituais.

Na prática médica, entretanto, existem aquelas pessoas simplesmente consideradas "tímidas", mas que não preenchem precisamente os critérios de Fobia Social. Não obstante, tais pessoas sofrem bastante as conseqüências de uma ansiedade grave e motivada por razões sociais. Para essas pessoas tímidas e “quase” fóbicas sociais, o termo de diagnóstico mais adequado seria Ansiedade Social. Apesar de continuarem levando avante sua vida social, o fazem às custas de grande sofrimento, de somatizações, de estresse continuado, depressão, esgotamento emocional e assim por diante.

A timidez, dentro do âmbito científico, constitui um termo ambíguo e pouco diferenciado de outros (tais como introversão, inibição comportamental, etc.) e pode ser definida como a tendência a evitar interações sociais e a fracassar na hora de participar apropriadamente das situações sociais.

Outro ponto que traz uma complicação adicional é a extrema confusão de diagnóstico que pode existir entre o Transtorno da Pessoalidade por Evitação e a Fobia Social, notadamente quando a Fobia Social é generalizada e acontece na maior parte das situações sociais.

Segundo o DSM-IV, ambos transtornos, apesar do diferente status diagnóstico, sendo a Fobia Social pertencente ao Eixo I, dos transtornos clínicos, e o Transtorno da Pessoalidade por Evitação ao eixo II, dos transtornos da personalidade, poderiam ser conceitos alternativos de um mesmo estado psicoemocional. O Transtorno da Pessoalidade por Evitação compatibiliza uma série de características clínicas com a Fobia Social, podendo quase se equiparar à Fobia Social Generalizada.

Na psicodinâmica do Transtorno da Pessoalidade por Evitação, a fantasia aparece como mecanismo de defesa primário. É assim que muitos internautas estabelecem contactos interpessoais recorrendo e retraindo-se em suas fantasias. Essas fantasias são o instrumento que provê à pessoa de um artefato seguro no qual descarrega afetos, agressão ou outros impulsos inapropriados ou impossíveis de se conseguir na realidade real.

A possibilidade que a Internet oferece às pessoas com transtornos sociais é poder estabelecer vínculos interpessoais, variavelmente desatrelados da realidade, porém, mais reais que as situações de suas fantasias.
Para a pessoa portadora de algum Transtorno de Ansiedade Social cabe considerar algumas vantagens dos vínculos interpessoais estabelecidos na Internet:

1. A ausência do corpo,
2. O anonimato,
3. Por em evidência só os aspectos que se deseja de sua personalidade
4. Facilidade em se desligar desses relacionamentos

Entretanto devemos ter o máximo cuidado em não atribuir, automaticamente ao internauta comum, as características que descrevemos aqui para os portadores de Transtornos de Ansiedade Social. Os usuários comuns, inclusive aqueles que apresentam alguma discreta timidez, utilizam a Internet para estabelecer vínculos duradouros, onde está presente à possibilidade de promover, de fato, um encontro concreto e em espaço real.

A Fobia Social implica, assim como as outras fobias, numa reação aguda de ansiedade quando se está em presença de uma determinada situação (estímulo externo ou imagem interna). No caso da Fobia Social, essa situação desencadeante é sempre ligada ao contacto social, o qual tem a propriedade de ser o suficientemente ameaçante para gerar uma reação intensa de temor.

Pode existir, na história do desenvolvimento da Fobia Social, alguma experiência social negativa que tenha se abatido sobre uma pessoa psicologicamente vulnerável ou mais sensível, afetivamente. Daí em diante o contacto social se acompanhará de respostas fisiológicas de ansiedade (rubor, taquicardia, tremor, sudorese, etc.). À sombra dessa experiência, digamos, traumática, haverá sempre uma antecipação psíquica de conseqüências negativas contaminando outras relações sociais. E esta antecipação psíquica provocará as mesmas respostas fisiológicas de ansiedade experimentadas na origem histórica do problema.

De modo geral esses pacientes com Ansiedade Social ou Fobia Social começam a evitar situações sociais que provocam respostas ansiosas desagradáveis e, por trás dessa evitação, surgirá uma sensação de alivio da resposta ansiosa, juntamente com sentimentos de culpa por não estar conseguindo enfrentar o problema eficientemente. Cada conduta de evitação reforça a fobia e promove sua manutenção, de tal forma que, não tratada, a Fobia Social tende a ser crônica e incapacitante.

Transtorno da Personalidade por Evitação (ou Esquiva)
Com respeito ao Transtorno da Pessoalidade por Evitação, perfeitamente identificada com inúmeros casos de timidez, também se nota uma forte tendência de esquiva social para aliviar a ansiedade antecipada por situações sociais entendidas como difíceis. No caso desse Transtorno da Pessoalidade, a evitação se caracteriza por ser generalizada, comportamental, emocional e quase incontrolável e, segundo o DSM.IV, essas pessoas evitam atividades sociais, profissionais ou escolares que envolvam contato interpessoal por medo de críticas, desaprovação ou rejeição

Esse transtorno da personalidade é caracterizado por sentimento de tensão e de apreensão, insegurança e inferioridade, existindo um desejo permanente de ser aceito, hipersensibilidade à crítica e a rejeição, resistência a se relacionar pessoalmente, e tendência a evitar certas atividades que saem da rotina.

A evitação nessas pessoas que sofrem esse transtorno da pessoalidade é ativa, ou seja, por experimentarem um grau importante de ansiedade no relacionamento interpessoal, elas temem ser rejeitadas e humilhadas e, por isso, evitam ativamente as situações interpessoais.
Pois bem, será esse o ponto principal que relaciona este tipo de pessoalidade com a Adicção a Internet; essas pessoas, mesmo evitando ativamente o relacionamento social cotidiano e concreto, desejam estabelecer relações interpessoais via Internet.

Segundo o DSM-IV, o Transtorno da Personalidade por Evitação ou Esquiva comporta um padrão geral de inibição social, sentimentos de inferioridade e hipersensibilidade à avaliação negativa por parte dos outros que começa no principio da idade adulta e se manifestam em diversos contextos, tais como no trabalho ou atividades que impliquem em contacto interpessoal importante.

A ansiedade mórbida aqui se dá devido ao medo das críticas, da desaprovação ou da rejeição, da sensação em não agradar. Tudo isso resulta na repressão nas relações íntimas devido ao medo de ser envergonhado ou ridicularizado, etc. Essas pessoas, apesar de portadoras de Transtorno da Pessoalidade por Evitação ou Fobia Social, não querem prescindir da convivência social ou dos vínculos com os demais, buscando assim na Internet uma estratégia de aproximação para satisfazer suas necessidades de contacto, mas sem ter que passar pelo desagradável momento da reação de ansiedade.

A Internet, como espaço social, é um lugar onde pode ser possível relacionar-se com outras pessoas e até manter vínculos interpessoais gratificantes e duradouros. Entretanto, o normal é que a pessoa busque completar sua vida social com outras modalidades de relacionamento, além da Internet. Normal e desejável seria a pessoa buscar, sobretudo, uma vida social no mundo físico, mesmo que estas tenham nascido no espaço virtual.

Alguns autores acham que a Internet só promoveria um reforço de condutas previamente inclinadas à adicção ou dependência, enquanto que, para outras pessoas, sem condutas previamente inclinadas à adicção, parece que a Internet em si não produziria a adicção.

Há pessoas que se comportam dependentemente ou impulsivamente em relação ao jogo, sexo, compras, etc. Essas pessoas teriam sua possibilidade adictiva aumentada através da Internet. Para elas a Internet seria apenas um meio através do qual sua adicção também se realizaria.

Jogo Patológico
O Jogo Patológico, uma adicção ao jogo, por exemplo, é um comportamento desadaptativo, um transtorno do controle dos impulsos que se caracteriza, entre outras coisas, por um fracasso nas tentativas de deter ou reduzir o jogo, a preocupação pelo jogo e a necessidade de jogar cada vez mais.

Ainda que o Jogo Patológico seja um transtorno bem estudado, há uma sua variante cibernética pouco conhecida e pesquisada, representada, nos mais jovens, pela compulsão aos jogos eletrônicos em rede e com outros adversários. Nas pessoas mais velhas essa compulsão seria pelos cassinos virtuais ou sites de apostas. Esse tipo de jogo pela Internet é um fenômeno relativamente novo.

O primeiro cassino virtual foi Internet Casinos, Inc. (ICI), que começou suas atividades em Agosto de 1995 (Janower,1996). Desde então o número de sites de jogos tem aumentado seguidamente, contando em janeiro de 2000 com mais de 650 sites onde se pode fazer apostas (Ruiz, 2000).

Considerando que o lugar onde se desenvolve esse jogo virtual patológico é a Internet, existe a tendência em se considerar esse fenômeno como uma derivação da Adicção a Internet. Outra possibilidade classificatória seria considerar o Jogo Virtual Patológico como um caso particular de comorbidade do Jogo Patológico com a Adicção a Internet, concorrendo numa mesma pessoa essas duas dependências, ao jogo em si e à Internet. Veja Jogo Patológico no DSM.IV.

Comportamento Sexual
A busca compulsiva de sexo sempre existiu na historia humana e a Internet apenas veio oferecer mais um recurso para o exercício desse tipo de conduta. Alguns autores (Juan José Borrás-Valls, citado por ABCsexuologia.com) estimam em até 6 % da sociedade o número de pessoas que sofrem este tipo de adicção, sendo a maior a freqüência no sexo masculino.

A adicção ao sexo começa a ser fonte de infelicidade e de problemas de relacionamento quando a pessoas portadora desse transtorno não consegue mais controlar a situação de busca incontida de prazer e quando, inicialmente divertido, essa atitude começa a provocar mal estar.

Um dos indícios da vocação sexual que se dá à Internet é o fato de “sexo” ser uma das palavras mais solicitadas em qualquer idioma nos mecanismos de buscas mais usados na rede (Madrid López, 2001). E, de fato, o material sexual é um dos conteúdos mais abundantes na Internet, supondo-se, portanto, que seja um dos negócios mais rentáveis.

Mais de 60% das pessoas que navegam na Internet acabam procurando por temas sexuais. São imagens, filmes, chats e salas de bate-papo que permitem despertar boa dose de erotismo e, entre esses sexo-adictos, é comum aqueles que têm condutas masturbatórias diante dos sites eróticos ou chats que veiculam o chamado sexo-virtual.

A rede permite o aceso a sites de temas eróticos, à busca de tipos particulares de imagens pornográficas e facilita a comunicação direta entre pessoas com predileções sexuais especiais. O ciberespaço oferece condições para que as pessoas possam expressar suas preferências sexuais protegidas de eventuais censuras sociais, para que desenvolvam suas fantasias sexuais e para que adotem outras identidades (Bingham, 1996).

Cooper (1999) propõe que se proceda a uma reflexão sobre novos enfoques da questão sexual em relação à Internet, baseado em uma perspectiva adaptativa e outra patológica. A perspectiva adaptativa diz respeito à expressão sexual. Esta postura defende que Internet permite novas vias de exploração sexual comercial e de discussão da sexualidade.

A perspectiva patológica sugere a Internet como canal que permite por em funcionamento fantasias sexuais que, no espaço real, estariam sufocadas por falta de aprovação social. Esta perspectiva faz referência aos casos de Adicção a Internet, ao Comportamento Sexual Compulsivo, pornografia e pedofilia.

No caso da Pedofilia, a Internet torna-se um equipamento altamente vantajoso ao pedófilo, derivando dessa vantagem a adicção à Internet de maneira comórbida à Pedofilia. O espaço virtual da Internet permite aos pedófilos a formação de grupos, buscando a comunicação entre si e o compartilhamento de experiências (sites, fotos, filmes, arquivos, etc) de forma a ter suas condutas relativamente protegidas das conseqüências sociais e legais. Segundo um estudo de McKenna (1998), o grupo virtual de pedófilos favorece o anonimato e evita que o tema seja abordado cara-a-cara, podendo as identidades ser bastante preservadas.

Steim (2001) defende a idéia de que o novo fenômeno da adicção à Internet trouxe novas características à sexualidade patológica. Considera que a busca exagerada de sexo na Internet seja mais comum no sexo masculino e em pessoas que se masturbam mais que as outras, pessoas que podem usar excessivamente os serviços de telefone erótico ou leitores mais assíduos de revistas eróticas.

Procura de Encontros Amorosos
Procurar alguma pessoa com quem se possa relacionar é outra atividade virtual cada vez mais habitual. A maioria dos sites que promovem o encontro virtual de pessoas divulgam o perfil do(a) usuário(a), que pode ser fantasioso em bom número de vezes, colocando-o à disposição de quem queira se relacionar com ele(a). Em um segundo momento essas pessoas procuram um relacionamento real e presencial.

Psicodinamicamente uma das causas que motivam a procura de encontros virtuais são as frustrações amorosas, quando a pessoa sofre uma perda afetiva e busca alguma satisfação mais imediata com a finalidade de compensação. A adicção aparece em razão inversamente proporcional ao número de parceiros(as) que não preenchem os requisitos de quem procura.

 

Ballone GJ, Moura EC - Compulsão à Internet, Mito ou Realidade, in. PsiqWeb, Internet, disponível em <http://www.psiqweb.med.br/> atualizado em 2008.

 

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O usuário da Internet
Segundo a monografia de Boris Omar Villanueva Meneses, calcula-se que a média de idade do usuário da Internet é de 32 anos, e 1 a cada 10 usuários é menor de 18 anos. Calcula-se que 57% dos usuários sejam homens e 43% mulheres a nível global. veja a monografia.

Para se ter uma idéia aproximada das informações contidas na internet, um índice completo, como por exemplo a Altavista, pode contar atualmente com cerca de 54 milhões de páginas, com um total de 10 bilhões de palavras, que podem ser encontrados em mais de 600 mil servidores em todo o mundo. Ao ler essa matéria talvez esses números sejam muito maiores
Julio Bonis Sanz).

Através da Internet foi gerada maior quantidade de informação nos últimos 50 anos que nos 50 mil anos anteriores. E mais assustador ainda é saber que esse número duplicará nos próximos 26 meses. Em 2010, a informação duplicará a cada 11 horas e a cada ano são produzidos 1,5 bilhão de gigabytes em informação. Atualmente existem mais de 2 bilhões de páginas disponíveis na Internet.

Em relação à ciência em geral, particularmente à medicina, assusta saber que há 100 anos existiam cerca de 200 revistas científicas no mundo, agora são mais de 100.000, sendo 10 mil só de medicina. Uma boa biblioteca médica eletrônica (como a MEDLINE, por exemplo) arquiva 4.800 principais revistas médicas, e contém mais de 12 milhões de arquivos. A cada ano, outros 700.000 arquivos entram para o catálogo.

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Interações Interpessoais na Internet
A falta da interação física na internet exerce importante influência na identidade das pessoas que se comunicam no ciberespaço.

Essa comunicação virtual oferece inúmeras oportunidades da pessoa ser; pode ser ela totalmente, parte dela, parte de outra pessoa, outra pessoa, e assim por diante. Enfim, a pessoa pode se apresentar fielmente como ela própria ou fantasiar a si mesma, como melhor lhe aprouver. Se todos souberem dessas regras a questão pode ser positiva e até terapêutica. Ignorando-se esses aspectos a questão pode ser traumática.

De certa forma, o anonimato têm um efeito desinibidor que oferece muitas opções para as pessoas expressarem suas necessidades e emoções. É como se a pessoa pudesse se apresentar com os mais variados trajes virtuais, com as mais diversas e interessantes identidades. Aqui os complexos são vencidos, os conflitos são superados e as frustrações encontram cúmplices e solidariedade. Pode ser a terapia de mais baixo custo que se dispõe.

O anonimato tanto pode oferecer um grau de honestidade que não se permite na vida real, como pode facultar uma desonestidade sem igual. Depende do papel que o "artista" quer desempenhar.

Além do anonimato a interação interpessoal no ciberespaço faculta o nivelamento do status, ou seja, a tão almejada igualdade entre a pessoa e todos os outros que, na vida real, poderiam se apresentar como superiores. Não interessa, aqui e on-line, a verdade social, as diferenças abissais. O que realmente está em jogo são as habilidades em se comunicar, em se apresentar assim ou assado... Aqui todos podem ser "mocinho" ou "bandido".

No ciberespaço a geografia é irrelevante, assim como são irrelevantes as diferenças sociais. Ao se converterem à vida real, essas relações cibernéticas podem ruir estrondorosamente. Na vida real aparecem os defeitos que se ocultam voluntariamente na digitação dos chats. Mas até isso não acontecer a fantasia satisfaz, cavalga à rédeas soltas e afaga milhões de egos em torno do mundo. De fato é a terapia mais barata.

Mas nem sempre e nem tudo é teatralidade. Para grupos de apoio, devotos a ajudar pessoas com problemas, esta pode ser uma característica vantajosa do ciberespaço, assim como é também para os milhões de pessoas com limitações sociais, econômicas e pessoais.
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Quem é dependente da Internet
A visão de Griffiths, 31, da Universidade de Nottingham Trent (Inglaterra), difere da defendida por especialistas dos EUA. Uma linha de pesquisadores norte-americanos considera viciados em Internet pessoas que buscam nela pornografia, games, jogos de azar e outras atividades.

Griffiths, pioneiro nesses estudos no Reino Unido, sustenta que muitas dessas pessoas não são especificamente viciadas em Internet. Elas encontram na rede uma maneira de complementar outros vícios que já possuíam.

As pessoas "genuinamente" viciadas em Internet, segundo ele, têm outro perfil. São pessoas que buscam na Internet mudança de seus comportamentos.

"A maioria dos viciados usa os programas de bate-papo para representar papéis de personalidades que gostariam de ter. Eles encontram na Internet um meio de esquecer de problemas pessoais e fugir da vida real."

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A Rede pode pescar você também
Com esse título Luciana Macedo, free-lance para a Folha de S. Paulo, escreveu interessante artigo sobre compulsão à internet. Veja um trecho:

"
No lugar de falar, você tecla. Nas poucas horas de sono, você sonha com o computador. A parte mais emocionante do dia é ouvir o barulhinho do seu modem entrando em ação. Seus amigos são virtuais e com a família você já quase não conversa. Se consegue se enxergar nessa rotina, cuidado. Você pode estar viciado em Internet.

O uso compulsivo da Internet foi reconhecido pela Associação Americana de Psicólogos e ganhou o nome Internet Addiction Disorder (algo como Disfunção do Vício da Internet) graças a um estudo apresentado por David Greenfield, presidente do Center for Internet Studies, em Connecticut, EUA.

Segundo Greenfiled, os sintomas do vício incluem a substituição de atividades sociais pelo uso da Internet, fantasias ou sonhos sobre a rede e até mesmo reações físicas, como movimentos involuntários dos dedos, simulando a digitação.

Os resultados da pesquisa de Greenfield, que envolveu 18 mil internautas, indicam que cerca de 6% dos norte-americanos são dependentes da rede. O estudo revela ainda que quase 70% dos pesquisados tentaram em vão reduzir seu tempo na Internet.

No Brasil, os viciados começam a pipocar. Bruno Young Coelho, 21, se declara um viciado "devido às circunstâncias". "Durante o dia, trabalho num site que reúne ofertas de emprego. À noite, estudo análise de sistemas. Quando chego em casa, fico da meia-noite até as seis da manhã jogando o "Ultima On Line", um jogo de RPG, na Internet
", diz.

Além de jogar RPG, Bruno também utiliza o ICQ (acrônimo, em inglês, para "eu procuro você"), um comunicador instantâneo, para conversar com amigos. "Tenho umas 200 pessoas na minha lista", contabiliza.

Como saber se a Internet deixou de ser hobby ou fonte de informação para virar vício? Segundo Oliver Zancul Prado, um dos primeiros psicólogos no Brasil a realizar um estudo formal sobre o comportamento dos internautas, é preciso observar os tipos de mudança que o uso da Internet provocou na vida da pessoa.

"Se as relações de trabalho, familiares ou sociais começam a se deteriorar por causa da Internet, a pessoa pode se encaixar no perfil de um usuário patológico", diz.

Oliver destaca ainda que o adolescente pode ter mais tendência a desenvolver um comportamento de uso excessivo da Internet. "O perigo é que o jovem, em geral, desconhece seus limites."
Veja tudo

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Vício em internet é considerado problema psiquiátrico nos EUA
Trata-se de um artigo publicado no site Último Segundo sobre esse tema.

"Assim como algumas pessoas são viciadas em drogas, no jogo e no tabaco, outras são em passar horas na internet, fenômeno que um crescente grupo de especialistas dos Estados Unidos considera um problema psiquiátrico."

O vício ou "compulsão à internet" já foi diagnosticado por alguns especialistas e estimado que acomeete de 6% a 10% dos cerca de 189 milhões de internautas nos EUA sofram desse mal.

Também chamado de compulsão à internet, esse vício é detectado no caso de comportamentos relacionados à internet que interfiram na vida normal de uma pessoa, causando stress agudo em sua família, em suas relações de amizade e no trabalho.

Uma pessoa que passa horas por dia em frente ao computador navegando pela internet, enviando e-mails, negociando ações, em salas de bate-papo ou jogando pode ser considerada um "ciberviciado" e, portanto, precisa de ajuda.

É o que consideram especialistas como a psiquiatra Hilarie Cash, cujo consultório, o Internet/Computer Addiction Services, na Universidade da Pensilvânia, é visitado por pacientes diagnosticados com a "internet-dependência".

Cash identificou como sintomas da compulsão à internet a constante preocupação em "estar conectado", mentiras sobre o tempo que a pessoa passa navegando ou sobre o tipo de conteúdo visualizado, além de isolamento social, dor nas costas e aumento de peso.

"Se o padrão de uso da internet interfere em sua vida ou tem impacto em suas relações de trabalho, de parentesco e de amizade, você deve estar com problemas", afirma outra especialista, Kimberly Young, uma das mais importantes pesquisadoras sobre as dependências em relação à internet.

Young é a fundadora do Center for Online Addiction, com sede em Bradford, Pensilvânia, onde funcionam grupos de apoio às "ciberviúvas", ou seja, esposas de viciados em relações amorosas, pornografia ou em apostas pela internet. Na opinião de Young, os internautas que sofrem dessa dependência optam pelo prazer temporário em vez das relações íntimas e profundas.

Os doentes cibernéticos entram em um círculo vicioso, já que a perda de auto-estima cresce à medida que aumenta sua dependência em relação à internet, o que eleva sua necessidade de escapar da realidade e de se refugiar na rede.

"A infidelidade via internet é o maior problema de que tratamos. Mais de 50% de nossos clientes são indivíduos e casais que sofrem com as conseqüências disso", disse Young, autora do livro "Caught in the Net" ("Apanhado na Rede"), o primeiro a abordar o tema do "ciberadultério".

Outros tipos de dependências são as relacionadas com atividades interativas como o "bate-papo", a mensagem instantânea e os video games, assim como os sites de apostas, leilões e compras. Para Cash, os viciados em internet tendem a ter outros problemas psiquiátricos, como depressão e ansiedade, ou a enfrentar relações familiares problemáticas.

Esse panorama confirma o resultado de pesquisas citadas por psiquiatras especializados na compulsão à internet, que revelam que mais de 50% dos viciados em internet também são dependentes de drogas, álcool, tabaco e sexo.

Nos EUA, a compulsão à internet é tratada por um crescente número de centros médicos especializados, entre eles os da Universidade de Maryland, em College Park, e o Computer Addiction Study Center, do Hospital McLean, em Belmont, Massachusetts.

No entanto, alguns psiquiatras são céticos e dizem que o uso abusivo da internet deve ser classificado como dependência "legítima", já que não tem os mesmos efeitos negativos na família ou na saúde que dependências propriamente reconhecidas, como o alcoolismo.

"A internet é um meio de comunicação. Não é como a heroína, que isola a pessoa e a torna dependente", disse a psicóloga Sherry Turkle, autora do livro "Life on the Screen: Identity in the Age of the Internet", um dos guias dos que consideram que não há nada de mau na atual febre cibernética.

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